_Et jam summa procul villarum culmina fumant,_
_Majores-que cadunt altis de montibus umbrae._
I
«Começam a fumegar ao longe os tectos dos vilares e lá dos montes altos
vem crescendo as sombras que se alastram sobre a terra». Tingiu-se de
ametistas o poente. O campo adormeceu. Calaram-se as enxadas na deveza.
Entre rumores dos gados que recolhem, caminha para a morada o cavador.
Erguem-se aos céus os fumos dos casais e, desprendidos da pureza do fogo
em que se geram, em vespertinos cantos abençoam o repouso da noite a
aproximar-se.
São sacramento que une os lares da vida humana à luz infinita. São
oração, anelo, um palpitar, um voo, anseio de brandura transportando ao
espaço sem fim aspirações que os nossos corações mal balbuciam, que
palavras algumas traduziram. Confundem seu mistério de beleza, um tímido
mistério que se abriga sob a pobre nudeza das choupanas, em um outro
mistério ainda mais alto que tem por templo a abobada celeste, por voz a
voz de Deus e por fieis miríades de seres que se dispersam na vastidão
do cosmos insondável.