I
Logo após a cerração da noite, voltam-se para o oriente aquelas flores,
servas da luz, cujo rosto olha o sol constantemente e por condição
estranha o segue sempre no resplendente percurso da sua órbita. Ainda a
escuridão é densa e vem distante o mais tímido alvor da madrugada, mal o
poente se toldou de sombras, começam essas flores a volver sua face para
os lugares onde o sol há-de romper. Por um segredo seu que nos perturba,
subtil inspiração as ensinou a serem fieis à luz tão firmemente que nem
a treva nem a tempestade nem a alvura do luar e a imensidade de astros
brilhantes povoando o espaço puderam transviá-las e perdê-las naquela
adoração do sol que é sua crença. Enquanto o sol se afasta divagando por
ignotos mares, aprestam-se a servi-lo. O seu primeiro alento, o raiar da
aurora, há-de aquecer-lhes o seio ávido de receber seus fogos.