A terra que ele amou, amou-o também!...
Quando morreu, calaram-se no ermo os seixos que cantavam, rolando
alegremente pela enxada; murchou endurecido o prado à míngua do
sustento que alimentava as ávidas raízes, entumecida a erva verdejante,
quando, pelas madrugadas calmas do Estio, o cavador se erguia a
socorrê-las, atento, diligente, cortando breve o sono, para que por sua
culpa não sofressem as miríades de seres sob sua guarda, mudos para os
demais mas eloquentes para quem lhes conhecia a aspiração. Não mais ao
despontar da aurora respondeu o jorro da água límpida tirada entre o
mover estrídulo das rodas pelo jugo robusto que a elevava da frescura
dos poços obscuros à claridade rútila dos céus.
Foram essas as lágrimas que a terra, lacrimosa e viúva, chorou pelo
criador humilde do seu viço,--aquela mesma terra desdenhosa que,
indiferente, sepulta os orgulhosos, degenerados do seu culto e crença.