Senhor! Porque me roubas, a mim a quem mandaste o teu Espírito para eu
sentir claramente o teu império, a quem tu deste um coração ardente para
abrigar-te e a voz para louvar teu nome e o repetir,--porque me roubas
aquele ingénuo anseio de indulgencia, esse perdão tecido de caricias com
que dotaste inconscientes servos, obreiros mudos da tua vontade?!...
Porque, Senhor, me privas desse bem de esquecer toda a injuria, todo o
mal, e de cobrir de afectos todo o crime e em carinhos dissipar sua
lembrança?!...
Isenta-me, Senhor, desse tormento da consciência algoz que até perdoando
volta a julgar os homens e os condena! Pois que lhe deste entrada no meu
peito, salvai-a do martírio em que adorando-te te veja distinguindo nos
homens bem e mal em vez de os confundir no teu sagrado amor
omnisciente.