Senhor! Se misericórdia vos merece a fé de quem no amor espera a
salvação e lhe confia a vida miseranda, erguendo-a dos seus erros para a
remir na consagração ao ser que é a vossa própria essência, a essa
etérea bondade omnipotente que a Deus vos une e nele vos confunde,
concedei-me, Senhor, aquela bênção que ao peregrino ferido concedeste,
permitindo-lhe a graça de traçar nas ondas com o seu sangue a dor
pungente, esvaindo-se em puríssima saudade. Onde quer que o destino o
dilacere, onde quer que, infeliz ou louco, se atormente, que o meu
coração desmaie por saudade, que por saudade verta todo o sangue, que em
saudade amortalhe os seus anseios!...
Mais pura exaltação não conheceu! Mais próximo de ti jamais se sente!