III

Segue a sua jornada paciente o poeta cuja fronte a Dor beijou. A

macerada face da visão jamais se apaga nos seus doces olhos,

humildemente isentos de desanimo, suavemente escravos dum poder que sem

cessar o fortalece e ampara nas provações mais ásperas do mundo.

Onde uma aspiração palpita e cresce, palpita e cresce a dor que a

atormenta e nega, ou seja um gérmen que gelou na terra, ingrata e fria,

surda ao seu anseio ou seja um coração crucificado do seu amor traído e

profanado.

Sentiu o poeta a Dor nas rosas que decaem; sentiu sofrer os astros que

desmaiam no frio alvor de brancas madrugadas. Na haste quebrada entre

iras das rajadas, na inquietação das águas despenhando-se, nos alcantis

rasgados pelas neves, na criança a que o soluço corta o riso, no peito

ferido por paixões humanas, onde quer que o destino cegamente

castigue, mortifique e desengane, onde quer que proíba ou estrangule um

arrojo, um impulso, uma vontade, ou desfaça os rochedos na mudez dos

seus combates loucos da montanha, ou escarneça a suplica do mísero,

redobrando de ardor em atormentá-lo--a Dor foi companheira do poeta, no

seu seio chorou divinas lágrimas, em seus braços buscou acolhimento.

Foi assim que o poeta amou a Dor. Foi assim que, curvado, ela o levou a

ungir de piedade as agonias de todo o ser que os olhos contemplassem

caído em desventura ou malfadado. Fielmente a adorou no seu mistério!

Fielmente a serviu nos seus mandados!

Rogações de Eremita · 第 16 / 111 题