Alvaro , Julia _e_ Jorge.
Julia (_passando por Leocadia_).--Muitos parabens, minha amiga...
Leocadia.--De que?
Julia.--Transigiste amigavelmente?...
Leocadia.--Não sei que dizes...
Julia (_ironica_).--Innocentinha... (_Leocadia sahe_. _Passam alguns
grupos de homens e senhoras_).
Alvaro (_que não vê Jorge_).--Jorge não é homem talhado para o seu
coração...
Julia.--Falle baixo, que elle está muito perto... Mas não se cale...
diga alguma cousa.
Alvaro.--É necessario ter o coração puro de amores viciosos para
conceber a sublime candura do seu...
Julia.--Hei-de morrer sem ser comprehendida...
Alvaro.--Não nasceria eu para comprehendêl-a?
Julia.--Ai! não... a minha alma é um abysmo, onde se esconde o anjo do
bem, e a serpente do mal... Tenho na mesma intensidade transportes
d'amor e odio...
Alvaro.--Qual lhe mereço?...
Julia.--Quer-me sincera? uma verdadeira estima de irmã...
Alvaro.--Só?
Jorge (_sem erguer-se do sophá_).--Ó snr. Alvaro!... Que tal acha a
eloquencia d'esta senhora?
Alvaro.--A pergunta é celebre; todavia, responderei: a eloquencia d'esta
senhora é excellente...
Jorge.--E v. exc.^a, snr.^a D. Julia, que tal acha a eloquencia
d'aquelle senhor?
Julia.--Eu sou menos generosa que este cavalheiro: não lhe respondo.
Jorge.--Responda, responda, que v. exc.^a não é responsavel pelo que
diz...
Alvaro.--Eu não posso consentir que se affronte assim uma senhora!...