SCENA VII.

Leocadia, Eduardo, Julia _e_ Alvaro.

Eduardo (_para Alvaro, sorrindo_).--Os reis da noite somos nós, snr.

Alvaro... Logo despimos a purpura de reis de comedia, e fumamos um

pessimo cigarro do contracto...

Alvaro.--Não entendo a finura do epigramma.

Eduardo.--Então, é mais feliz do que eu suppunha... Póde contar com o

reino do céo... Deveras não entende?

Alvaro.--Não, e dispenso as explicações officiosas do meu amigo...

Eduardo (_rindo_).--Espero que á solemnidade do estilo, se não siga um

cartel de desafio...

Leocadia.--Que linguagem!... É bem galhofeiro o seu caracter, snr.

Eduardo!

Eduardo.--Muito galhofeiro, minha rica senhora... E alli o do meu amigo

é sombrio como o d'um encapotado de drama em cinco actos.

Alvaro.--A verdade é que nos não parecemos...

Eduardo.--Felizmente para o senhor ou para mim... Mas na singelesa do

coração, na temperatura do amor, ha-de permittir que sejamos parecidos

como Pylades com Orestes...

Alvaro.--Não temos semelhança nenhuma... Eu não posso brincar com as

paixões...

Eduardo (_áparte, a Leocadia_).--É da força de trinta Paulos; mas a

Virginia que o escuta, só com os olhos, d'aqui a pouco remette-o ao

catalogo dos Othellos em quarta mão. (_Alvaro e Julia retiram-se_).

Espero que não se baterá comigo, snr. Alvaro... Não respondeu!...

Aquelle silencio não quer dizer nada; mas, quem não conhecer o homem,

ha-de suppor que a cratera vai rebentar... Quer sentar-se, minha

senhora?...

Leocadia.--Sim... um momento... Ahi vem Jorge.

Eduardo.--Ah!... V. exc.^a estremece!... Muito me ama! (_rindo_). É

d'uma ingenuidade mythologica!...

Scenas Contemporaneas · 第 87 / 121 题