Leocadia, Eduardo, Julia _e_ Alvaro.
Eduardo (_para Alvaro, sorrindo_).--Os reis da noite somos nós, snr.
Alvaro... Logo despimos a purpura de reis de comedia, e fumamos um
pessimo cigarro do contracto...
Alvaro.--Não entendo a finura do epigramma.
Eduardo.--Então, é mais feliz do que eu suppunha... Póde contar com o
reino do céo... Deveras não entende?
Alvaro.--Não, e dispenso as explicações officiosas do meu amigo...
Eduardo (_rindo_).--Espero que á solemnidade do estilo, se não siga um
cartel de desafio...
Leocadia.--Que linguagem!... É bem galhofeiro o seu caracter, snr.
Eduardo!
Eduardo.--Muito galhofeiro, minha rica senhora... E alli o do meu amigo
é sombrio como o d'um encapotado de drama em cinco actos.
Alvaro.--A verdade é que nos não parecemos...
Eduardo.--Felizmente para o senhor ou para mim... Mas na singelesa do
coração, na temperatura do amor, ha-de permittir que sejamos parecidos
como Pylades com Orestes...
Alvaro.--Não temos semelhança nenhuma... Eu não posso brincar com as
paixões...
Eduardo (_áparte, a Leocadia_).--É da força de trinta Paulos; mas a
Virginia que o escuta, só com os olhos, d'aqui a pouco remette-o ao
catalogo dos Othellos em quarta mão. (_Alvaro e Julia retiram-se_).
Espero que não se baterá comigo, snr. Alvaro... Não respondeu!...
Aquelle silencio não quer dizer nada; mas, quem não conhecer o homem,
ha-de suppor que a cratera vai rebentar... Quer sentar-se, minha
senhora?...
Leocadia.--Sim... um momento... Ahi vem Jorge.
Eduardo.--Ah!... V. exc.^a estremece!... Muito me ama! (_rindo_). É
d'uma ingenuidade mythologica!...