Eduardo _e_ Leocadia.
Eduardo.--Fallemos seriamente, minha senhora. V. exc.^a n'um momento de
ciume, dignou-se empregar-me no seu serviço como instrumento de barro,
que se quebra, feito o serviço, não é verdade?
Ora ande lá... não perca o animo, supposto que o escarlate do pejo não
lhe fica mal... acho-a muito mais bella... Parece-me que adivinho o
segredo... V. exc.^a encontrou em flagrante delicto de ternura o
sensivel Jorge com a sensivel Julia... Ferida na sua vaidade, quer
vingar-se, e eu represento n'este negocio o _tertius_ sem o _gaudet_.
Perdoará o latim... quiz dizer que represento n'este negocio uma triste
figura... Já não é a primeira vez... Não se inquiete, que eu tambem me
não incommodo... Tire de mim o partido que quizer...
Leocadia.--Snr. Eduardo... não devia fallar-me assim... Essas palavras
são tão repassadas de ironia...
Eduardo.--É o meu genio... Sou um Democrito pequenino, porque tambem são
ridiculamente pequenas as cousas que me fazem rir... Ahi vem uma que me
arranca do profundo da consciencia uma legitima gargalhada.
Leocadia.--Que é?
Eduardo.--É a sua amiga Julia pelo braço de Alvaro, em intima
conversação... Não acha tudo isto tão comico?