SCENA VI.

Eduardo _e_ Leocadia.

Eduardo.--Fallemos seriamente, minha senhora. V. exc.^a n'um momento de

ciume, dignou-se empregar-me no seu serviço como instrumento de barro,

que se quebra, feito o serviço, não é verdade?

Ora ande lá... não perca o animo, supposto que o escarlate do pejo não

lhe fica mal... acho-a muito mais bella... Parece-me que adivinho o

segredo... V. exc.^a encontrou em flagrante delicto de ternura o

sensivel Jorge com a sensivel Julia... Ferida na sua vaidade, quer

vingar-se, e eu represento n'este negocio o _tertius_ sem o _gaudet_.

Perdoará o latim... quiz dizer que represento n'este negocio uma triste

figura... Já não é a primeira vez... Não se inquiete, que eu tambem me

não incommodo... Tire de mim o partido que quizer...

Leocadia.--Snr. Eduardo... não devia fallar-me assim... Essas palavras

são tão repassadas de ironia...

Eduardo.--É o meu genio... Sou um Democrito pequenino, porque tambem são

ridiculamente pequenas as cousas que me fazem rir... Ahi vem uma que me

arranca do profundo da consciencia uma legitima gargalhada.

Leocadia.--Que é?

Eduardo.--É a sua amiga Julia pelo braço de Alvaro, em intima

conversação... Não acha tudo isto tão comico?

Scenas Contemporaneas · 第 86 / 121 题