SCENA V.

Jorge, _e_ Eduardo, _dando o braço a_ Leocadia.

Eduardo.--Será isto um sonho?... Se o é, deixe-me sonhar uma hora, sim?

Leocadia (_sorrindo_).--Tambem ha sonhos de que se acorda com a face

cheia de lagrimas...

Eduardo (_para Jorge_).--Ainda aqui!... (_Leocadia estremece_).

Jorge.--Ainda aqui... não estou mal... Tem dançado muito, minha senhora?

Leocadia.--Principiei agora...

Jorge.--Pois ainda tem muito tempo de gosar... São tres horas... Nunca

lhe esqueça que foi ás tres horas...

Leocadia.--Não o comprehendo, snr. Jorge... Que tenho eu com as tres

horas do seu relogio?

Jorge.--Não se finja simples como donzellinha que sahiu hontem do

collegio...

Leocadia.--Antes uma fingida innocencia que uma descarada impostura.

Jorge.--Não entendo.

Eduardo.--Os senhores dizem que não se entendem, e eu de certo não os

entendo melhor. Não façam ceremonia de mim. Queiram explicar-se de modo

que eu possa reconcilial-os.

Jorge.--Reconciliar-nos!... Não estamos divorciados... O que me prende a

esta senhora são os respeitos e considerações que se lhe devem. Em

quanto ella se não desviar da carreira d'um nobre procedimento, as

nossas relações não soffrem quebra...

Eduardo.--Pois n'esse caso, meu caro Jorge, serás sempre o respeitador

d'esta senhora, porque os anjos não se precipitam desde que um, ha

muitos annos, teve o mau gosto de se precipitar do céo.

Jorge (_sorrindo_).--Snr.^a D. Leocadia...... snr.^a D. Leocadia!...

(_Retira-se_).

Scenas Contemporaneas · 第 85 / 121 题