SCENA IV.

Jorge _e depois_ Julia.

Jorge.--Eu tinha previsto tudo... Era necessario renunciar uma das

duas...

Julia.--Procurava-o...

Jorge.--Sim?... que é, Julia?

Julia.--Diga-me: poderei confiar a Leocadia o segredo do nosso amor?...

Vacilla?... responda!...

Jorge.--Tem precisão de confidentes?

Julia (_sorrindo_).--Tenho, porque me não cabe a felicidade no

coração... Posso?...

Jorge.--E é forçoso que seja Leocadia?!

Julia.--É... preferi-a entre todas as minhas amigas... Que embaraços são

esses?!

Jorge.--Entendo que não deve revelar a ninguem o nosso amor.

Julia.--Sim?... porque m'o não disse?... Já agora, perdeu-se a sua

discrição... Eu disse tudo...

Jorge.--A quem?

Julia.--A Leocadia...

Jorge (_á parte_).--Está explicado o enigma!...

Julia.--Nada de monologos... falle comigo... Ora, snr. Jorge... que

necessidade tinhamos nós de corarmos um na presença do outro!?

Jorge.--Eu não córo... A côr d'este rosto só póde alteral-a uma infamia.

Julia.--Dê o nome que lhe aprouver ao seu acto, que eu não lhe conheço

outro... V. s.^a feriu-me, e cicatrizou-me a ferida... São boas todas as

affrontas que nos despertam a sensibilidade da honra... A lembrança do

ultraje ha-de fazer que eu esqueça a causa depressa... Fez bem... Deixou

cahir a mascara muito a tempo... (_Retira-se_).

Jorge.--Escute-me, Julia... (_Vai sentar-se no sophá_).

Scenas Contemporaneas · 第 84 / 121 题