Jorge _e depois_ Julia.
Jorge.--Eu tinha previsto tudo... Era necessario renunciar uma das
duas...
Julia.--Procurava-o...
Jorge.--Sim?... que é, Julia?
Julia.--Diga-me: poderei confiar a Leocadia o segredo do nosso amor?...
Vacilla?... responda!...
Jorge.--Tem precisão de confidentes?
Julia (_sorrindo_).--Tenho, porque me não cabe a felicidade no
coração... Posso?...
Jorge.--E é forçoso que seja Leocadia?!
Julia.--É... preferi-a entre todas as minhas amigas... Que embaraços são
esses?!
Jorge.--Entendo que não deve revelar a ninguem o nosso amor.
Julia.--Sim?... porque m'o não disse?... Já agora, perdeu-se a sua
discrição... Eu disse tudo...
Jorge.--A quem?
Julia.--A Leocadia...
Jorge (_á parte_).--Está explicado o enigma!...
Julia.--Nada de monologos... falle comigo... Ora, snr. Jorge... que
necessidade tinhamos nós de corarmos um na presença do outro!?
Jorge.--Eu não córo... A côr d'este rosto só póde alteral-a uma infamia.
Julia.--Dê o nome que lhe aprouver ao seu acto, que eu não lhe conheço
outro... V. s.^a feriu-me, e cicatrizou-me a ferida... São boas todas as
affrontas que nos despertam a sensibilidade da honra... A lembrança do
ultraje ha-de fazer que eu esqueça a causa depressa... Fez bem... Deixou
cahir a mascara muito a tempo... (_Retira-se_).
Jorge.--Escute-me, Julia... (_Vai sentar-se no sophá_).