Jorge _e_ Eduardo.
Jorge.--Tu vaes ser verdadeiro, Eduardo?
Eduardo.--Como Epaminondas Thebano, que nem zombando mentia. Não me
lembra d'outro estafermo antigo que fallasse verdade...
Jorge.--Tu tens algumas intelligencias com Leocadia?
Eduardo.--Diz-me cá, Jorge, póde fumar-se aqui?
Jorge.--Não... se queres vamos á sala debaixo...
Eduardo.--Não posso, que tenho a sexta quadrilha com Leocadia... Diz lá
o que queres...
Jorge.--Perguntei-te se amavas Leocadia.
Eduardo.--Gosto muito d'ella... Depois d'um bom charuto, é o meu sonho
dourado.
Jorge.--E ella...
Eduardo.--Gosta de mim? não sei bem ainda... Perguntei-lh'o ainda agora
pela vigesima vez... Disse-me que sim, e é a primeira vez que m'o diz...
Se mente, lá se avenha com a sua consciencia...
Jorge.--E é a primeira vez que te disse que sim?
Eduardo.--A primeira, palavra d'honra, Jorge!
Jorge.--E que conclues d'ahi?
Eduardo.--Concluo que não gostou até hoje.
Jorge.--E não conclues mais nada?
Eduardo.--Nem quero.
Jorge.--Não suppões que ella amasse, até este momento, outro homem?
Eduardo.--Não só supponho; mas até acredito... Nada de emboscadas...
Essa diplomacia parece-me uma velhacaria rançosa... Sei que amas
Leocadia, ou, se a não amas, que a amaste já... Eu não tenho nada com o
passado, nem com o futuro... A minha grande questão é a actualidade. São
arrufos? Deixal-os ser: aqui estou eu para encher as lacunas, e tenho
n'isso muita honra... Nunca me importou saber que tentos lavravas no
coração da pequena. Vi-te fazer de Cesar, e eu fiz de Fabio. Agora, cada
um de nós segue o seu systema... E até logo... Acho que não te queres
bater...
Jorge.--Eu não me bato por estimulos tão pouco despertadores do brio...
Eduardo.--Fazes tu muito bem... Eu tambem zango de duellos,
principalmente por causa de mulheres... que comem _sandwichs_, e bebem
limonadas... Falla-me logo... (_Sahe_).