D. Thereza, recebendo estes cartas, sentiu uma alegria infernal. Daria
por ellas a reputação de honrada, se a tivesse.
Por fatalidade, o amante, na noite d'aquelle dia tratou-a com
indifferença. A orgulhosa, enraivecida d'um tedio que não podia
supportar, esforçou-se por chamar a conversação a respeito de mulheres
casadas, e avançou a proposição de que não havia uma na primeira roda,
que não fosse adultera. O amante protestou colericamente contra o
absoluto da proposição. Defendeu sua mulher com ares de Collatino, e
exprobrou acremente a maledicencia da insolente.
A indignação ferveu: trocaram-se epithetos ultrajantes. D. Thereza foi
uma eloquente regateira, e o seu apaixonado repetiu as phrases mais
peculiares da tarimba. Por fim, D. Thereza, chegado o momento dramatico,
apresentou-lhe as suppostas cartas da esposa.
O homem abriu-as com frenesi: reconheceu a letra e sahiu como um vexado
pelo demonio.
D. Thereza da Cruz, sentiu, pela primeira vez, um momento de completa
felicidade em sua vida!...
--E depois?