VI.

--Snr. Valladares--disse o padre ao estudante--minha cunhada ergueu-se

da cama para vir comprimental-o...

--É uma grande consideração, que eu lhe não mereço; mas a delicadeza da

snr.^a D. Amelia é sempre um severo preceito que ella se impõe.

Fallou bem.

N'isto, entrou uma senhora, com um ar de tanta nobreza, que me pareceu

uma cousa nova. Eu não conhecia assim nenhuma. Era alta, muito magra no

rosto, mas muito bella nos olhos, nos labios, nos cabellos, em tudo se

via tanta formosura, tanto donaire, um senhoril tão estreme do vulgo,

que eu, creança e poeta, senti-me tão acanhado como o mais boçal dos

pastores de cabras d'aquella freguezia.

--Como passou, snr. Valladares?--perguntou ella com voz tremula,

tossindo a cada palavra, e aconchegando da face a golla de veludo da sua

capa.

--Sempre doente, minha senhora... Por não poder mais, recolho-me a

casa...

--Eu bem lhe disse que não fosse... v. s.^a teimou, agora já sabe que os

conselhos d'uma mulher não são sempre pieguices...

--E os de v. exc.^a nunca poderão sêl-o... E a snr.^a D. Amelia como

está?

--D'este modo que vê... Tossindo sempre, sempre mal, sem descanço d'este

lado, que me parece que já não vive, se não para matar o resto de vida

que tenho...

Scenas Contemporaneas · 第 11 / 121 题