estampadas no Summario de Christovão Rodrigues d'Oliveira, organisadas
em 1551, ou pouco depois,[52] não se encontra semelhante denominação de
rua, se tal modo de indicar uma via pública pode ser classificado
«denominação». É, com effeito, evidente que o redactor d'esta especie de
matriz, conteúda no «Livro do Lançamento» em exame, sabia bem quem era o
individuo a quem chamou «Manoel Affonso», seu contemporaneo ou não. Por
nossa parte estamos persuadidos que Bastião de Lucena grandemente se
equivocou, atribuindo o baptismal «Manoel» a um individuo que se chamou
Estevão, pois que esse é que teve casas na rua de que se trata, tendo
ambos o mesmo sobrenome. Manoel Affonso, que foi um dos sacadores deste
«Quatorzeno Rol», era proprietario, sim, mas no Beco do Poço do Ceitil.
Tinha ahi uma _atafana_[53] e n'ella residia. Da coincidencia de
sobrenomes terá, porventura, nascido o equivoco.
Como quer que seja, o designar semelhante indicação a rua onde deviam
começar as operações da cobrança, apresenta-se, tanto para o lançador
das fintas como para os sacadores d'ellas, facto natural, correntio. A
via pública de que se tracta poderia ter outra qualquer denominação, que
para uns e outros esta que lhe foi attribuida bastou.
E bastou tambem para nós.
De facto, se esta cobrança devia começar n'uma rua que ia até o postigo
de Santo André, que importa que lançador e sacadores lhe chamassem, ou
verdadeira ou equivocadamente, «Rua das casas de Manoel Affonso», se
dúvida não pode haver que tal via pública outra não é, senão o troço
mais ou menos modificado, no material e no aspecto topographico, da
actual Costa do Castello que vae do baluarte de S. Lourenço ao agora já
derribado Arco de Santo André?
Aquelle baluarte, entreposto nos lanços do norte da _cêrca velha_ da
primitiva Lisboa, foi aproveitado pelos constructores da cêrca de D.
Fernando, para lhe apoiarem no paramento o arco do postigo que tomou
aquella denominação, tambem conhecido por «Postigo da Rosa», depois da
fundação do mosteiro da rua das Farinhas.[54] Qualquer de nossos
benevolos leitores pode ver ainda agora os vestigios das nervuras do
arco embebidas no vetusto panno do baluarte, assim como, do lado
opposto, os restos desfigurados do cubello onde o mesmo arco ia
assentar. Tudo isto foi arrasado no ultimo anno do seculo XVIII.
Do postigo de S. Lourenço, a _cêrca nova_ descia a escarpa que vinha
confundir-se no labiryntho de vielas que demoravam, como ainda agora,
entre o vetusto edificio do chamado Colleginho e a Mouraria. Era-lhes
canal de communicação com a «rua de Manoel Affonso» a «Rua do Poço do
Ceitil», entalada entre a muralha nova e os muros da cêrca da Casa de
«Santo Antão», a que depois se chamou «o Velho» para o distinguir da
nova casa dos jesuitas, actual Hospital de S. José. Esta «Rua do Poço do
Ceitil», desde muito desapparecida, mas de que a carta topographica da
Commissão Geodesica, dada a lume em 1875, ainda nos quere parecer que
marca os vestigios, constituiu a cabeceira do «Trezeno rol» da freguezia
de Santa Justa.
Conclue-se daqui pois que os arroladores continuavam a adoptar a marcha
ascencional, como em nosso anterior estudo vimos, por isso que,
explorada a zona de que aquella rua era o começo, passaram a encabeçar o
14.^o Rol pela via publica immediata.
XVIII
Além destas razões de congruencia, confirmando ser, com effeito, a «Rua
das casas de Manoel Affonso» o troço da atual Costa do Castello que
ficou indicado, outros testemunhos positivos existem que nos asseguram a
identidade da rua do seculo XVI com a via publica do seculo XX.
Não podemos dispensar-nos de os apresentar, por muito que tal resolução
possa parecer extranha ao nosso objecto. Ver-se-ha que o não é.
Por Alv. datado de Evora, a 8 de junho de 1573, foi commettida ao
Licenceado Luiz Lourenço a organisação do tombo das propriedades
foreiras á Camara desta cidade. De tal diligencia se conservam os
respectivos Livros no Archivo Municipal. Examinando o segundo destes
Livros, que tem seu começo na «Rua do Arco do Rosio, da banda da praça
da palha», na freguezia de Santa Justa, averigua-se que de 1547 a 1565
havia a Cidade effectuado dez aforamentos na «rua que vai da porta de
Santo André para o postigo de Sam Lourenço, que por outro nome se chama
Villa Quente»[55].
Confrontado este titulo com o que Bastião de Lucena escreveu no Livro
que estamos estudando, acha-se que a situação da via pública do Tombo da
Cidade é de todo o ponto a mesma que se lê naquelle Livro, salvo a
orientação, que diametralmente diverge, visto que o juiz do Tombo partiu
do postigo de Santo André para o de S. Lourenço, e Bastião de Lucena fez
o contrario, para o que, segundo acabamos de ver, teve uma excellente
razão de ordem.
Ora, que tanto uma como outra das duas descripções se accomodam sem
obice algum á topographia actual, não resta dúvida, pois que o caminho
de nossos dias municipalmente chamado Costa do Castello, começando na
sua extrema oriental no fim da rua do Milagre de Santo Antonio, passa,
ao inflectir para o N., rente ao panno de muralha do baluarte de S.
Lourenço, e continúa até terminar junto do agora derruido Arco de Santo
André.
Se o leitor paciente o seguir comnosco, encontrará, á sua direita, antes
da rampa que termina a Costa e atinente a um lanço de muralha que
sustenta um pequeno quintal, uma porta, tendo o n.^o de policia 92 A,
dando accésso a extenso escadorio, que torneja, lá no alto, á direita, e
segue em varios e apertados lanços até encontrar, á esquerda, a
famigerada _Porta do Moniz_, aquella porta do Castello, origem da lenda
que Herculano pulverisou.[56] No Tombo do Licenceado Luiz Lourenço, as
escadas alludidas são a «Rua que vai da rua direyta para o Postigo do
Moniz». As casas que ladeavam a entrada de tal «Rua» foram levantadas em
chãos pertencentes á Cidade.
As da banda do Postigo de S. Lourenço, na frente do muro do quintal
acima alludido, e vinham a ser as «derradeiras casinhas quando querem
voltar da dita rua pelo caminho que vai ao Postigo do Moniz», possuia-as
um casal, Antonio Fernandes e sua mulher Barbara Gonçalves, «parda». As
da banda do Postigo de Santo André pertenciam a Estevão Affonso,
porteiro. E eis porque desta circumstancia nos veiu a tentação de achar
que Bastião de Lucena se equivocou, atribuindo a Manoel Affonso as casas
deste Estevão. Se o porteiro foi dos primeiros edificadores que teve
este troço da Costa do Castello (1547), é bem provavel que o seu nome
servisse de conhecença para a _sua_ rua, então quando era este individuo
o segundo de quantos foreiros a Cidade teve n'aquelle sitio, e aquelle o
modo de distinguir as vias publicas lisbonenses umas das outras.
Alem dos emphiteutas da Camara acima mencionados, outros havia que
figuram em ambos os documentos que temos citado. Assim, a Cidade tinha
aforado ao dr. Affonso Figueira, desembargador da Casa do Civel e
Ouvidor do crime, em dois annos diversos, 1555 e 1557, tres chãos, sobre
os quaes este magistrado levantara casas, e um quarto que elle reservara
para seu quintal, e que o era ao tempo do Tombo que vamos seguindo. A
loja de uma das casas estava em 1566 ocupada pelo tecelão «João
Francisquo», conservando-se senhorio, o magistrado sobredito. Este ahi
mesmo residiria, mas a toga excepcionou-o da obrigação do escote, e por
isso só naquella qualidade apparece no rol da derrama. Do mesmo modo
aforara a Cidade, em 1542 e 1547, dois outros chãos perto dos
antecedentes, a uma Guiomar Dias. Esta, precedendo a competente licença,
fez venda, em 1561, de uma das casas que n'elles edificara a Ambrosio
Luis, feitor da imposição dos vinhos.
Ora, tanto o magistrado Affonso Figueira como o funccionario fiscal
apparecem em sua devida altura no Rol de Bastião de Lucena, isto é, são
mencionados como proprietarios das respectivas casas, indo do Postigo de
Santo André para o baluarte de S. Lourenço, sendo a concordancia
perfeita entre os dois documentos, por isso que umas das casas do dr.
Affonso Figueira são no Tombo da Cidade, as primeiras, indo do Arco de
Santo André, partindo pelo N. E. com as de Ambrosio Luis e com outras de
outro aforamento, realisado por aquelle magistrado dois annos
depois.[57]
Absolutamente certos, pois, de que dizer «Rua das Casas de Manoel
Affonso até o Postigo de Santo André», e «Rua que vai da Porta de Santo
André para o Postigo de Sam Lourenço» é referir-se a uma mesma via
pública, e que tal referencia corresponde ao troço actual da Costa do
Castello, que vai do Baluarte de S. Lourenço até o desembocar da mesma
Costa no alto da calçada de Santo André, pedimos ao leitor benigno nos
perdoe a longa e porventura enfadonha digressão topographica, na
consideração de ser necessaria a nosso empenho:--o precisar, sem especie
nenhuma de dúvida, onde foi que teve a sua officina typographica o já
agora tão nomeado Antonio Gonçalves, «imprimidor» da notavel edição
_princeps_ do poema Os Lusiadas, do Grande Epico Luis de Camões, das
duas que trazem a data de 1572, a que apresenta o _Pelicano_
frontispicial com o collo voltado para a esquerda do leitor.
XIX
A 17 de setembro de 1566, Manoel Affonso, atafaneiro, morador ao Poço do
Ceitil e Jeronymo Gonçalves, serralheiro, morador na rua dos
Cavalleiros, escolhidos para _sacadores_ do «quatorzeno» rol da
freguezia de Santa Justa, receberam nos Paços do concelho desta «mui
nobre, sempre leal cidade de Lisboa», onde se tratava de dar execução ao
Regimento da cobrança do _voluntario_ imposto a que nos temos referido,
as competentes copias do predito Rol, e trataram de avial-as.
Deviam começar, como vimos, da extrema superior da «Rua do Poço do
Ceitil,» que desembocava, segundo dissemos, proximo do Baluarte de S.
Lourenço, pela parte posterior do Postigo da _Cerca nova_, sendo a
primeira do «trezeno» Rol.
Percorrendo toda a rua até o Postigo de Santo André, voltavam os dois
_sacadores_ para a calçada desta denominação, internavam-se na Rua da
Amendoeira, davam volta á travessa desta rua, que lá vimos ainda hoje, e
sahindo pela rua das Tendas, que parece não lográra ainda um qualquer
nome, vinham á dos Cavalleiros, findando-lhes a tarefa no «Beco de Thomé
Correa»; um beco sem sahida, de nossos dias chamado _Beco do Forno_,
primeiro á esquerda naquella rua, indo da Mouraria, e que tem lá, não
sabemos porque bullas, advertencia de ser «_logradouro particular_»(!).
Acompanhemos os honrados exactores na sua perigrinação pela rua que ía
do «Baluarte de Sam Lourenço ao Postigo de Santo André».
Despedir-mo-nos-hemos ahi d'elles. O que deste Postigo por diante
haveriam de fazer não nos interessa. Depois veremos, por simples
curiosidade, qual foi o importe da sua cobrança na area que lhes fôra
designada.
Por agora, attentemos um momento na feição da discutida via publica
lisbonense, como ella parece ter sido no 2.^o semestre do anno de 1566.
Devia apresentar, ao menos por partes, mais largura do que hoje vemos
ter, posto que não se avantajasse grandemente, neste particular, ás
convisinhas. Muito mais desafogada era ella, por certo, do que é hoje.
Ao longo da sua margem direita, indo para Santo André, e até
alcançar-lhe o Postigo, 21 propriedades, se a tal classificação poderiam
aspirar as modestas casinhas que se iam encostando á barbacã do
Castello, tendo na sua frente uma larga perspectiva panoramica, de
surprehendente effeito. Da esquerda, a ondulada ribanceira, por onde,
ainda 35 annos antes, se espreguiçava a miseranda Villa Quente, até ir
topar com a cêrca do Colleginho. Lá quasi ao começar o forte declive
que, tal qual hoje, terminava a rua, o postigo aberto na muralha por
onde se começava a subir para o do Moniz. Diante d'elle, atravessada no
caminho, a cruz de pao, demarcatoria nos titulos do Tombo municipal. Por
ahi perto, talvez, sempre da esquerda, algum pequeno grupo de casinhas,
restos da subvertida povoação. Após, os declives sobre os quaes se
levantou, no seculo seguinte, o palacete que assenta no espigão da
calçada de Santo André.
Isto, quanto á topographia local.
Vejamos agora quanto respeita ás construcções, e, porfim, aos que as
habitavam.
As 21 casas da margem direita, que a rua contava pertenciam a outros
tantos proprietarios. Destes, 12 habitavam nas proprias casas, ou sós,
ou tendo inquilinos. De todos os 21, o senhorio mais importante, era o
clerigo Francisco Dias. O seu predio--algumas barraquitas,
provavelmente--alojava 9 inquilinos, entre os quaes, 2 cegos. De
consideração, na ordem social, Joanne Fernandes, moço da camara da
Infanta D. Isabel, tendo na loja por inquilino um «sapateiro remendão».
Joanne Fernandes morava nas proprias casas de que era dono, e foram-lhe
avaliadas em 30$000 réis. Pegado ao postigo de Santo André, não esqueça
o nosso conhecido magistrado Affonso Figueira, e confrontando com elle,
o Ambrosio Luiz, que superintendia na imposição dos vinhos. Algures, ali
perto, um Joanes, cantor de el-rei, que nem por ser tal, se esquivou ao
escote. Fecham a lista três senhoras do appelido Viegas; Filippa,
Antonia e Anna.--Tres irmãas?--Que sabemos nós? Os predios das duas
primeiras, avaliados em 50$000 réis cada um, obrigaram-nas a 350 réis de
contribuição. As casas de Anna Viegas,--coisa parecida, é mais que
certo--com as barracas do Padre Dias, foram computadas no dobro; em
100$000 réis, e por isso teve de pagar 700 réis.
O predio devia valer a somma em que foi avaliado. Alem da senhoria,
habitavam n'elle mais 6 inquilinos; 3 varões e 3 femeas, como se diz em
estatistica de população. Entre as femeas, duas eram viuvas; dos varões,
um fallecera ao tempo de chegarem lá os _sacadores_, outro abalara para
parte incerta. O terceiro era typographo;--chamava-se Antonio Gonçalves,
e tinha aqui a sua officina. Elle e Maria Luiz, sua mulher, moravam mais
abaixo, para o lado de Santo André, no predio do pintor Garcia
Fernandes.
XX
Estava, pois, Antonio Gonçalves estabelecido já em setembro de 1566,
isto é, dois annos mais cedo, do que o que lhe suppôs Tito de Noronha,
na tabella com que enriqueceu a sua tão valiosa monographia _A Imprensa
Portugueza durante o seculo XVI_.
É evidente que o auctor se governou, para a inscripção da data «1568»,
pela data do primeiro livro que se conhece, sahido dos prélos deste
impressor;--as obras poeticas de Cadaval Gravio. (Pag. 82). O facto,
porém, corrobora o asserto já por nós enunciado nestas Notas; convem a
saber: que hemos de convencer-nos, todos os que perlustramos estas
materias, que, assim como a nenhum habitante da Terra será jámais
permittido ver a outra face do globo lunar, assim nos está vedado, e aos
que depois de nós vierem, o descortinar quantas obras, e quaes assumptos
vieram a lume, só no seculo XVI que seja, em Lisboa, que para sempre de
nós e dos porvindouros ficarão ignorados.
É provavel que Antonio Gonçalves continuasse a residir na Costa do
Castello, e ahi mantivesse egualmente a sua officina, até passar a
melhor vida. Nestas afastadas eras, o _inquilinato_ ainda tinha mui
fracas as azas. Voejava pouco, e com pouco se contentava. Ahi onde se
constituia familia, ahi onde se ganhava a vida, ahi se criavam affectos;
ahi se lançavam raizes. Na mesma parochia, onde marido e mulher uma vez
se desobrigavam, até o ultimo dia da vida se ficavam desobrigando.
N'ella recebiam a agua lustral do baptismo, n'ella se casavam, n'ella
continuavam a prole. Depois, no chão sagrado que todos os fieis pisavam,
vindo adorar a Deus, tinham todos, quantas vezes de geração em
geração!--o proprio e final encerro.
Pela nota com que fechamos, emfim, estes singellos apontamentos, que um
acaso nos permittiu redigir, se verá desde quando e até quando se
conhecem impressões sahidas da officina de Antonio Gonçalves, e quaes as
obras que se sabe terem sido objecto d'ellas.
Não esqueça referir que a officina de Antonio Gonçalves foi avaliada em
5$000 réis, pagando o futuro impressor dos Lusiadas o escote de 35 réis
para as necessidades da corôa.
A 26 de abril de 1567 deram os honrados _sacadores_ do «Quatorzeno Rol
da Freguezia de Santa Justa» por finda a sua tarefa, entregando, com a
nota de 239 addições cobradas, ao Thesoureiro da Cidade, André Luiz,
recebedor do dinheiro deste Lançamento, a quantia de 26$476 réis, em que
ellas importaram, jurando aos Santos Evangelhos terem procedido como
homens de bem.
Eis a Nota das impressões conhecidas, sahidas dos prélos de Antonio
Gonçalves, redigida por simples apontamentos, por se não ter prestado a
occasião a uma minuciosa e integra descripção bibliographica das que
será ainda possivel ver.
1568--_Pythographia e Brachyologia_--Poemas publicados por Cadaval
Gravio, segundo Tito de Noronha, in _A Primeira Edição dos
Lusiadas_, pag. 82.
1569--_Constituições Extravagantes do Arcebispado de Lisboa_ (3.^a
ed.)--aos 7 dias do mes de Fevereiro. Mencionadas por Innocencio,
_Diccion_, Tom. II, 105.
» --_Leis extravagantes_ collegidas e relatadas por mandado do
muito alto e muito poderoso rey D. Sebastiam, nosso senhor, por
Duarte Nunes do Liam.--Innoc. II, 210.
1570--_Repertorio dos Tempos_. Visto por nós na Sala dos
_Reservados_ da Bibliotheca Nacional--B--11. Tem o frontispicio
dois annos após empregado pelo mesmo impressor _in_ Lusiadas, de
Luiz de Camões. Material que pertenceu a Germão Galharde.
1571--_De Rebus Emmanuelis_, do Bispo D. Jeronymo Osorio. Cit. por
Innocencio--Letra J. pag. 272.
1572--Os Lusiadas--por Luiz de Camões. Frontispicio que pertenceu a
Germão Galharde--(_Pelicano tendo o pescoço voltado para a esquerda
do leitor_).
1572--_Primeira Parte do Compendio da Chronica da Ordem... do Monte
do Carmo_, por Fr. Simão Coelho. Deve cotejar-se a noticia de
Innocencio com a descripção impressa no _Catalogo_ n.^o 7 da
Livraria de José dos Santos & Irmão.
1573--_Commentario do cêrco de Goa e Chaul_, &--Ha um exemplar na
Livraria da Torre do Tombo.
1574--_Successo do Segundo Cêrco de Diu_, de Jeronymo
Côrte-Real.--Ha um exemplar entre os _Reservados_ da Bibliotheca
Nacional, mas não chegámos a vê-lo, por falta de occasião.
» --_Regras que ensinam a maneira de escrever a orthographia
portuguesa_, por Pedro de Magalhães de Gandavo. Informações de
Innocencio, pois se não conhece exemplar algum.
1576--_Historia da provincia de Sancta Cruz_, &, pelo mesmo auctor
supra-citado. É util ler a informação de Innocencio, ácerca deste
rarissimo livro.
Por muito satisfeito nos daremos, que esta _Noticia_ logre alcançar o
agrado de nossos consocios, mais certos leitores que ella poderá ter.
Por sua especial bondade nos relevarão elles, de certo, as deficiencias
que se nella notarem, antes filhas da mingua de recursos, do que da
falta de boa vontade em alcançar o impossivel;--dá-las completas.
Julho, 1913.
Gomes de Brito.
ADDENDA