NOTA I. Pag. 4.
Na Provincia do Minho, e em outras partes, há muita uva, que não pode
amadurecer, porque as cêpas são encostadas a arvores, cujas folhas
impedindo, que a luz toque nos cachos, não se pode aperfeiçoar o seu
succo, nem alcançar doçura, condição, sem a qual se não pode fazer vinho
generoso.
Estas uvas são sempre azêdas, e o seu vinho quasi não tem valor, por
aspero, e inexportavel. He enriquecer aos seus habitantes, e por
consequencia ao Estado, o dizer a forma, porque podem fazer vinho
generoso, e com todas as qualidades, que lhe adquirem grande valor, e
exportação. O meio simples, innocente, e infallivel, para conseguir esta
perfeição, he ajuntar ao mosto máo, antes da fermentação, huma certa
quantidade de Assucar, maior, ou menor, segundo a qualidade do mosto;
porém que nunca poderá exceder a huma arroba por pipa, por mais verde,
que elle possa ser; e governar-se a fermentação, assim como se diz nos
principios para fazer aguardente. Esta despeza ha de ser compensada com
usura na venda do vinho, pelo excesso de verde, a maduro, e bom. Macquer
chegou a fazer vinho de verjus, que he huma uva, que nunca amadurece, e
se servem della em França para tempero acido, assim como nos nos
servimos do limão. Fez tambem, com uva muito má, vinho liquoroso, vinho
como o de Tockay, que he feito de uva muito doce, quasi em passa,
simplesmente com a addicção do Assucar. Não he preciso, que o Assucar
seja branco, basta o mascavado, e mesmo o mel, se houver em abundancia.
NOTA II. Pag. 7.
Boyle pesou huma pouca de terra vegetal, de que encheo hum caixão;
depositou nesta terra huma semente de buxo, e a regava, quando era
preciso.
Passados annos, pesando este buxo, achou, que tinha cento e tantas
libras, e a terra só tinha diminuido algumas onças.