Lição vulgar. Mas a corrupção de texto não póde ser mais visivel.

Comtudo não difficil atinar-se com o sentido do poeta.

Acaba de dizer Dionysa a Filodemo que tomára ver-se dalli cem mil

leguas, pelo perigo que corria a sua honestidade. Responde-lhe este, que

isso desejava tambem elle que succedesse; porque nesse caso teria

occasião de fazer por ella uma fineza, que fosse mais de agradecer; e

vem a ser, que quando ella por algum caso da fortuna fosse apartada da

gente n'um deserto onde não tivesse por guarda, senão as feras; por

ferro, fogo e ágoa lá iria elle buscar a sua morte. E porque não póde

ser outro o sentido do poeta, corrigimos:

*Que quando por accidente

A fortuna desastrada

Vos apartasse da gente

N'um deserto, onde somente

Das feras fosseis guardada;

Lá por ferro, fogo e ágoa

Buscar minha morte iria etc.*

P. 475. L. 20. _Que estas cidras não se desistem em nove dias, senão em

nove mezes._] Lição vulgar. Não ha maior corrupção de texto. Que tem as

cidras que desistir? Que o poeta não disse um tal absurdo, he fóra de

toda a dúvida. O que elle disse foi isto:

*E porque estes sirgos não se desistem em nove dias, senão em nove

mezes, foi-lhe a elle necessario acolher-se com ella etc.*

Sirgo he o envolucro, onde se encerra o bicho da seda, quando passa ao

estado de metamorphose, e onde se conserva doze dias, ou nove, como diz

o poeta. Mas a ignorancia transformou sirgos em cidras.

P. 482. L. 7. Porque quando cuido que sem peccado que me obrigasse a

tres dias de purgatorio, passei tres mil de más linguas, peores tenções,

damnadas vontades, nascidas de pura inveja de verem _su amada yedra de

si arrancada, y en otro muro asida..._ Aqui ha lacuna porque falta o

verbo da oração.

P. 489. V. 28.

_A quem não assopre a morte

Nem sopre o fogo da vida._]

Lição vulgar; mas a do poeta he:

*A quem o assôpro da morte

Não sopre o fogo da vida.*

P. 490. L. 26. _Tres cousas não se soffrem sem discordia; companhia,

namorar, mandar villão ruim sobre cousa de seu interesse._] Todas as ed.

Mas o vicio he palpavel: corrigimos: *Duas cousas não se soffrem sem

discordia; companhia no amar, mandar villão ruim sobre cousa de seu

interesse.*

INDEX.

REDONDILHAS &c.

Pag.

100 A alma que está offrecida

61 A dor que a minha alma sente

113 A morte, pois que sou vosso

71 Amor loco, amor loco

57 Amor que todos offende

63 Amores de huma casada

66 Apartárão-se os meus olhos

126 Aquella captiva

107 Campos bem-aventurados

99 Catharina bem promette

98 Cinco gallinhas e meia

136 Coifa de beirame

103 Com razão queixar-me posso

76 Com vossos olhos, Gonçalves

38 Conde, cujo illustre peito

33 Corre sem vela e sem leme

93 Crescem, Camilla, os abrolhos

53 Da doença em que ora ardeis

62 D'alma e de quanto tiver

28 Dama d'estranho primor

56 De atormentado e perdido

70 De dentro tengo mi mal

65 De pequena tomei amor

76 De que me serve fugir

70 De vuestros ojos centellas

54 Deo, Senhora, por sentença

91 Deos te salve, Vasco amigo

60 Descalça vai pela neve

102 Descalça vai para a fonte

143 Dó la mi ventura

63 Enforquei minha esperança

80 Esconjuro-te, Domingas

101 Esperei, ja não espero

46 Este mundo es el camino

67 Falso cavalleiro ingrato

101 Ferro, fogo, frio e calma

125 Foi-se gastando a esperança

78 Ha hum bem que chega e foge

132 Irme quiero, madre

112 Ja não posso ser contente

119 Justa fue mi perdicion

105 Mas porém a que cuidados

140 Menina formosa

52 Menina formosa e crua

75 Menina, não sei dizer

129 Menina dos olhos verdes

118 Minh'alma, lembrae-vos della

86 Na fonte está Leonor

57 Não estejais aggravada

89 Não posso chegar ao cabo

74 Não sei se m'engana Helena

104 Ojos, herido me habeis

55 Olhae que dura sentença

94 Olhos em que estão mil flores

78 Olhos, não vos mereci

79 Os bons vi sempre passar

69 Para que me dan tormento

145 Pastora da serra

43 Peço-vos que me digais

83 Pequenos contentamentos

84 Perdigão perdeo a penna

80 Perguntais-me quem me mata

85 Pois a tantas perdições

73 Pois damno me faz olhar-vos

72 Pois he mais vosso que meu

92 Porqué no miras, Giraldo

64 Puz o coração nos olhos

60 Qual terá culpa de nós

77 Quando me quer enganar

87 Que diabo ha tão damnado

122 Qué veré que me contente

103 Quem disser que a barca pende

58 Quem no mundo quizer ser

128 Quem ora soubesse

94 Quem se confia em huns olhos

21 Querendo escrever hum dia

123 Retrato, vós não sois meu

134 Saudade minha

81 Se a alma ver-se não póde

68 Se de meu mal me contento

41 Se derivais da verdade

137 Se Helena apartar

83 Se me desta terra for

128 Se me levão agoas

45 Se n'alma e no pensamento

35 Se não quereis padecer

51 Se vossa Dama vos dá

45 Sem olhos vi o mal claro

117 Sem ventura he por demais

116 Sem vós, e com meu cuidado

59 Senhora, pois me chamais

73 Senhora, pois minha vida

40 Senhora, s'eu alcançasse

95 Sois formosa e tudo tendes

9 Sôbolos rios que vão

30 Suspeitas, que me quereis

141 Tende-me mão nelle

121 Todo es poco lo posible

109 Trabalhos descansarião

110 Triste vida se me ordena

131 Trocae o cuidado

118 Tudo póde huma affeição

98 Tudo tendes singular

148 Vai o bem fugindo

72 Vêde bem se nos meus dias

115 Vejo-a n'alma pintada

79 Venceo-me Amor, não o nego

132 Ver e mais guardar

138 Verdes são os campos

139 Verdes são as hortas

90 Vi chorar huns claros olhos

135 Vida da minha alma

68 Vós, Senhora, tudo tendes

146 Vós sois huma Dama

122 Vos teneis mi corazon

88 Vossa Senhoria creia

82 Vosso bem querer, Senhora

SEXTINAS.

152 A culpa de meu mal só tem meus olhos

151 Foge-me pouco a pouco a curta vida

154 Oh triste, oh tenebroso, oh cruel dia

155 Sempre me queixarei desta crueza

ELEGIAS.

194 A vida me aborrece, a morte quero

185 Ao pé d'hum'alta faia vi sentado

160 Aquella que de amor descomedido

175 Aquelle mover de olhos excellente

190 Belisa, unico bem desta alma minha

172 Depois que Magalhães teve tecida [4]

177 Entre rusticas serras e fragosas

208 Juizo extremo, horrifico e tremendo

164 O poeta Simonides fallando

157 O sulmonense Ovidio desterrado

196 Que tristes novas, ou que novo damno [5]

202 Se quando contemplamos as secretas

[4] A D. Leoniz Pereira, havendo-lhe Pedro de Magalhães

Gandavo dedicado o seu livro intitulado: _Historia da

Provincia de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos

Brasil_. Impresso em Lisboa 1576.

[5] Á morte de D. Miguel de Menezes na India, filho de D.

Henrique de Menezes, Governador da casa do Civil. Foi

dirigida a seu irmão D. Philipe de Menezes.

EPISTOLAS.

217 Como nos vossos hombros tão constantes [6]

223 Mui alto Rei a quem os ceos em sorte [7]

210 Quem póde ser no mundo tão quieto [8]

225 Senhora se encobrir por alguma arte

[6] A D. Constantino de Bragança, Viso-Rei da India.

[7] Sobre a setta que o Papa enviou a ElRei D. Sebastião

no anno de 1575.

[8] A D. Antonio de Noronha, sôbre o desconcêrto do mundo.

OITAVAS.

232 Cá nesta Babylonia adonde mana

228 Despois que a clara Aurora a noite escura

234 D'huma formosa virgem desposada

COMEDIAS.

255 ElRei Seleuco

301 Os Amphitriões

385 Filodemo

CARTAS.

481 Carta 1.ª

484 Carta 2.ª

503 NOTAS

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo III · 第 16 / 16 段