Entrei e fiquei assombrado.
Julguei-me _in caverna maceriæ_ da arte.
A pobre Magdalena viera por ventura penitenciar-se ali dos desvarios
da mocidade e macerar a formosura que tantos simples mortaes perdera e
que ao assomar aos portaes do céo podia distrahir os divinos varões nos
extasis da graça e fazel-os estropear o canto-chão da bemaventurança
eterna.
Ora é cousa sabida entre os comprehensores d’estas cousas divinas que
não se ganha facilmente a celestial morada dos S. Domingos de Gusmão e
das Margaridas de Cortona, com as faces rosadas e frescas, os labios
nacarados e humidos de volupia, os olhos faiscantes de desejos, os
seios tumidos de vida e amor.