CCLVIII.

Lembranças de meu bem, doces lembranças

Que tão vivas estais nesta alma minha,

Não queirais mais de mi, se os bens que tinha

Em poder vêdes todos de mudanças.

Ai cego Amor! ai mortas esperanças

De qu'eu em outro tempo me matinha!

Agora deixareis quem vos sostinha;

Acabarão co'a vida as confianças.

Co'a vida acabarão, pois a ventura

Me roubou n'hum momento aquella gloria,

Que, quando tão grande he, tão pouco dura.

Oh se apoz o prazer fôra a memoria!

Ao menos estivera a alma segura

De ganhar-se com ella mais victoria.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 290 / 391 题