CCLVII.

Qual t[~e]e a borboleta por costume,

Qu'enlevada na luz da acesa vella,

Dando vai voltas mil, até que nella

Se queima agora, agora se consume:

Tal eu correndo vou ao vivo lume

D'esses olhos gentis, Aonia bella;

E abrazo-me, por mais que com cautella

Livrar-me a parte racional presume.

Conheço o muito a que se atreve a vista,

O quanto se levanta o pensamento,

O como vou morrendo claramente;

Porém não quer Amor que lhe resista,

Nem a minh'alma o quer; qu'em tal tormento,

Qual em gloria maior está contente.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 289 / 391 题