(Resposta de Leonor)
Bemfica, 1860.
«A tua carta veio encontrar-me agonisando nas vascas d'uma paixão
febricitante.
Um dia sorriu-me o oasis mimoso no deserto da vida, acerquei-me d'elle
extenuada de fadiga, e com o meu pobre coração dilacerado por uma lucta
gigante, que me fôra impossivel evitar. Julgava ser aquelle o alento para
proseguir na minha espinhosa tarefa!... Illusão!... Sinto-me fraca, e não
sei se terei forças para resistir ás agitações febris que hoje me dominam.
Pede a Deus, meu bom amigo, me prolongue os dias da existencia, para poder
abraçar-te mais uma vez ao menos, e morrer depois com a consolação
derradeira do moribundo, que vê junto do seu leito o vulto venerando do
presbytero, amenisando-lhe a algidez do sepulchro com a uncção da sua
divina prece.
Lembra-te sempre da tua amiga, que, ao longe, vela por ti dia e
noite.--_Leonor._»