Mamã

Toda a Paz, todo o Amor, toda a Bondade,

Toda a Ternura que de ti me vêm,

Amparam-me esta triste mocidade

Como nos tempos em que tinha Mãe.

Quanto eu te devo! Odios, impiedade,

Indignações e raivas contra alguem,

Loucuras de rapaz, tedios, vaidade,

Tudo isso perdi--e ainda bem!

Salvaste-me! Trouxeste-me a Esperança!

Nunca m'a tires não, linda criança,

(Linda e tão boa não o farás, talvez!)

Pois que perder-te, meu amor, agora,

Ai que desgraça horrivel! isso fôra

Perder a minha Mãe, segunda vez.

Ilha da Madeira, 1898.

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Ha vinte annos já, que andas na Terra,

Ha vinte dias só, que te conheço!

Eu andava perdido pela serra,

E o que eu era então, já não pareço.

Ha vinte dias só que te conheço,

Ó meu beijo de Luz! minha Chymera!

És a Graça de Deus (com qu'estremeço)

Talvez, o que no mundo, inda me espera.

Sonho da minh'alma! Ó meu ceu d'estio!

Pois não tens piedade d'este frio

Que sinto em mim, na minha solidão!

Minha bençam de Christo, promettida,

Não serás tu a Paz da minha vida?

Oh! não me digas não, que és Illuzão!

Quinta Almeida. Funchal, abril, 1898.

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Despedidas: 1895-1899 · 第 24 / 67 题