A MEU IRMÃO AUGUSTO

Outomno, meu Outomno, ah! não te vás embora!

Ás minhas, eu comparo as tuas extranhezas.

Ah! nos teus dias não ha Julhos nem aurora,

E só crepusculos... Crepusculos são tristezas!

E tu que já passaste o Outomno só commigo

Não pensas ao cahir de tantas agonias

Nas minhas, que tu sabes, ó meu melhor amigo?

Cahi, folhas, cahi! tombae melancholias!

Ides morrer, folhas! mas morrer que importa?

Lá vae mais uma... mal nasceu e já vae morta.

Levaes saudades? Coitadinha, sois tão nova!

Tendes razão? Nem sei a fallar a verdade.

Tombar quizera eu, só p'ra esquecer. Saudade,

Irmão, não a terei tambem, lá pela cova?...

Foz, 1897.

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Pedi-te a fé, Senhor! pedi-te a graça,

Mas não te curvas nunca, p'ra me ouvir.

Tudo acaba no mundo... tudo passa,

Mas só meu mal se foi e torna a vir.

Não busco a morte com arma ou veneno,

Mas emfim póde vir quando quizer.

Eu estarei de pé, firme e sereno,

Sorrir-lhe-hei até, quando vier.

Tristes vaidades d'este pobre mundo!

Já me parecem taes como ellas são:

Tristes mizerias deste mar sem fundo.

Se tive algumas eu, na mocidade,

Não foram ellas mais que uma illuzão.

E um dia eu ri da minha ingenuidade!

Lisboa, janeiro, 1898.

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O mar que embala, ás noites, o teu somno

É o mesmo, flor! que á noite embala o meu.

Mas em vão canta a minha ama do Outomno,

Pois pouco dorme quem muito soffreu.

Mas tu feliz qual rainha sobre o throno,

Dormes e sonhas... no que, bem sei eu!

O teu cabello solto ao abandono,

As mãos erguidas de fallar ao céo...

Feliz! feliz de ti, doce Constança!

Reza por mim, na tua voz chymerica,

Uma Avè-Maria de Esperança!

Por minha saude e gloria (Deus m'a dê)

Por essa viagem que vou dar a America...

Quando, um dia, voltar, dir-te-ei porquê!

Ilha da Madeira, maio, 1898.

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Despedidas: 1895-1899 · 第 23 / 67 题