D. Ludovina disse affectuosamente ao marido:

--Vamos embora? eu estou incommodada.

--Vamos, disse a mãe.

--N'esse caso, vou chamar a carruagem; esperem um pouco, que eu venho

já--disse o commendador.

As senhoras foram esperar na sala menos concorrida. D. Ludovina

arquejava em ancias, e falava aceleradamente a sua mãe.

Entretanto, João José Dias entrou na sala onde se dançava, e viu na

porta fronteira Ricardo de Sá encostado, com a luneta em acção, e o

cotovello direito apoiado na mão esquerda.

Foi ao pé d'elle e disse-lhe:

--O senhor sabe quem eu sou?

--Creio que já o vi em alguma parte.

--Faz favor de vir aqui que lhe quero fallar.

Ricardo seguiu-o machinalmente, atravessou um corredor, e parou n'um

patamar deserto:

--Eu sou o marido d'aquella senhora que vocemecê insultou lá dentro.

--Essa é muito boa! Eu não insultei senhora alguma!

--Se insultou ou não, sei eu. Fique-lhe de aviso que a sr.ª Ludovina tem

um marido de quarenta e tantos annos, isso é verdade, mas capaz de pegar

n'uma orelha dos pandilhas como vocemecê, e dar-lhe com a cabeça n'uma

esquina, tem percebido?

O commendador desceu as escadas, e Ricardo de Sá, estupefacto e

aturdido, atravessou o corredor, e entrou nas salas.

Pouco depois, entravam na carruagem D. Ludovina e sua mãe. O commendador

não lhes disse palavra com referencia ao desforço solenne que tirára do

bacharel.

Isto, se eu o não contasse, era cousa que morria ignorada porque o

auctor embrionario do SECULO PERANTE A SCIENCIA nunca a diria.

O que fazem mulheres: Romance philosophico · 第 21 / 46 题