--D'onde vens, Laura? «De casa.»
--Vaes á festa? «Já se vê.»
--Tão sósinha? «O que tem isso?»
--Vou comtigo... «Para o que?»
--Para ensinar-te o caminho...
«Agradeço-lhe o favor;
Eu sei de cór estas bandas,
Obrigada, meu senhor.»
--Olha o demo se te encontra...
«Pergunto ao demo o que quer.»
--E se elle quizer um beijo?
«Dou-lhe até mais, se quizer.»
--Ora, anda cá; dá-me o beijo,
Porque o demonio em mim vês...
«Já me estava parecendo...»
Ficará para outra vez.
--Vá d'esta vez um abraço...
«Abraço?»--Sim; o que tem?
«Mamãe me disse outro dia...»
--O que te disse a mamãe?
«Que a rapariga solteira
Em abraçando um rapaz...
Ferve-lhe o sangue nas veias,
E depois...» --E depois? «Zás!»
* * * * *
Arregaçando o vestido
Deitou-se Laura a correr;
Deixando-me boquiaberto,
Co'o sangue todo a ferver.
BRUNO DE SEABRA, _Flores e Fructos_, p. 115.
Rio de Janeiro, 1862.