IV

Salve, salve, oh magestade

Moribunda a succumbir!

Como o espinho da saudade

Te havia fundo pungir!

Como o homem soffreria

Do monarcha na agonia!

Longe do que era tão seu,

Da esposa e filhos briosos,

E dos campos seus formosos,

E do seu formoso céo!

--Patria, adeus! Italia minha,

Oh terra que tanto amei!

Se te não fiz ser rainha,

Não quiz mais tambem ser rei!

Adeus, margens do Tessino,

Sentença do meu destino!

Adeus, povo que escolhi;

Sê tu justo e livre e forte,

Possa dar-te a minha morte

O que em vida não vencí.--

Assim dizia; e lançando

Os olhos em derredor,

E vendo afflicto chorando

Outro povo aquella dor,

Resoluto accrescentara:

--O soldado de Navára

Morre contente afinal,

Morre ao ecco das batalhas,

N'este berço de muralhas,

Que fez livre Portugal.--

J. S. MENDES LEAL, _Canticos_,

p. 227. Lisboa, 1858.

Parnaso portuguez moderno · 第 66 / 267 题