Ferve o sangue, troveja a batalha!
Tine o ferro, rebomba o canhão!
Pavorosa sibila a metralha,
Varre as filas, dispersa-as no chão.
Lá galopam, se imbebem, se enlaçam
Uns aos outros, rivaes esquadrões;
Corpo a corpo ferventes se abraçam
Em sangrentos, crueis turbilhões.
No lampejo do gladio vermelho
Fulge o raio que a morte vibrou!...
Sem seu filho a gemer deixa um velho,
Seu esposo uma esposa deixou.
D'essa immensa procella da guerra,
D'esse ardente, confuso stridor,
Que ficou? Uma corôa por terra,
Uma bella cativa, um senhor!
Pobre Italia, tão bella e tão triste
No teu vasto, florído jardim!
Foi-te ingrata a fortuna, cahiste;
Mas a quéda de um povo tem fim.
Infelizes! Da turba guerreira
Fica um resto, que, prompto a morrer,
Cobre a face co' a rôta bandeira,
Para ao menos a affronta não vêr.
Mudos prantos os rostos consommem,
Dos valentes de Goito... Que adeus!
Era a sombra de um rei e de um homem,
Que passava em silencio entre os seus.
E passava. Expirar não lograra
Sob o golpe que em vão procurou;
Mas a vida que o céo lhe deixára
Entre os braços da patria a deixou.