D. Adelaide, acabando de contar o desastre da triste Ismenia, commentou:

--Merecia um castigo isso, não acham?

Coleoni interveio com brandura e boa vontade.

--Não ha razão para desesperar. Ha muita gente que tem preguiça de

escrever...

--Qual! fez D. Adelaide. Ha tres mezes, sr. Vicente!

--Não volta, disse Ricardo sentenciosamente.

--E ella ainda o espera, D. ADelaide? perguntou Olga.

--Não sei, minha filha. Ninguem entende essa moça. Fala pouco, se fala

diz meias-palavras... É mesmo uma natureza que parece sem sangue nem

nervos. Sente-se a sua tristeza, mas não fala.

--É orgulho? perguntou ainda Olga.

--Não, não... Se fosse orgulho, ella não se referia de vez em quando

ao noivo. É antes molleza, preguiça... Parece que ella tem medo de

falar para que as cousas não venham acontecer.

--E os paes que dizem a isso? indagou Coleoni.

Não sei bem. Mas pelo que pude perceber, o incommodo do General não é

grande e D. Maricota julga que ella deve arranjar _outro_.

--Era o melhor, disse Ricardo.

--Eu creio que ella não tem mais pratica, disse sorrindo D. Adelaide.

Levou tanto tempo noiva...

E a conversa já tinha virado para outros assumptos, quando a Ismenia

veiu fazer a sua visita diaria á irmã de Quaresma.

Cumprimentou todos e todos sentiram que ella penava. O soffrimento

dava-lhe mais actividade á physionomia.

As palpebras estavam roxas e até os seus pequenos olhos pardos tinham

mais brilho e expansão. Indagou da saude de Quaresma e depois

calaram-se um instante. Por fim D. Adelaide lhe perguntou:

--Recebeste carta, Ismenia?

--Ainda não, respondeu ella com grande economia de voz.

Ricardo moveu-se na cadeira. Batendo com o braço num _dunkerque_, veiu

atirar ao chão uma figurinha de _biscuit_, que se esphacelou em

innumeros fragmentos, quasi sem ruido.

Triste Fim de Polycarpo Quaresma · 第 20 / 38 题