A NOTICIA DO GENELICIO

--Então quando se casa, D. Ismenia?

--Em Março. Cavalcanti já está formado e...

Afinal a filha do General pôde responder com segurança á pergunta que

se lhe vinha fazendo ha quasi cinco annos. O noivo finalmente encontrara

o fim do curso de dentista e marcara o casamento para dahi a tres mezes.

A alegria foi grande na familia; e, como em tal caso, uma alegria não

podia passar sem um baile, uma festa foi annunciada para o sabbado que

se seguia ao pedido da pragmatica.

As irmãs da noiva, Quinota, Zizi, Lalá e Vivi, estavam mais contentes

que a irmã nubente. Parecia que ella lhes ia deixar o caminho

desembaraçada, e fôra a irmã quem até ali tinha impedido que se

casassem.

Noiva havia quasi cinco annos, Ismenia já se sentia meio casada. Esse

sentimento junto á sua natureza pobre fel-a não sentir um pouco mais

de alegria. Ficou no mesmo. Casar, para ella, pão era negocio de

paixão, nem se inseria no sentimento ou nos sentidos: era uma idéa,

uma pura idéa. Aquella sua intelligencia rudimentar tinha separado da

idéa de casar o amor, o prazer dos sentidos, uma tal ou qual liberdade,

a maternidade, até o noivo. Desde menina, ouvia a mamãe dizer:

«Aprenda a fazer isso, porque quando você se casar»... Ou senão:

«Você preciza aprender a pregar botões, porque quando você se

casar...»

A todo instante e a toda hora, lá vinha aquelle--«porque, quando você

se casar...»--e a menina foi se convencendo de que toda a existencia

só tendia para o casamento. A instrucção, as satisfações intimas, a

alegria, tudo isso era inutil; a vida se resumia numa cousa: casar.

De resto, não era só dentro do sua familia que ella encontrava aquella

preoccupação. No collegio, na rua, em casa das familias conhecidas,

só se falava em casar. «Sabe, D. Maricota, a Lili casou-se; não fez

grande negocio, pois parece que o noivo não é lá grande cousa»; ou

então: «A Zezé está doida para arranjar casamento mas é tão feia,

meu Deus!...»

A vida, o mundo, a variedade intensa dos sentimentos, das idéas, o

nosso proprio direito á felicidade, foram parecendo ninharias para

aquelle cerebrozimho; e, de tal forma casar-se se lhe representou cousa

importante, uma especie de dever, que não se casar, ficar solteira,

_tia_, parecia-lhe um crime, uma vergonha.

De natureza muito pobre, sem capacidade para sentir qualquer cousa

profunda e intensamente, sem quantidade emocional para a paixão ou para

um grande afecto, na sua intelligencia a idéa de casar-se incrustou-se

teimosamente como uma obsessão.

Ella não era feia; amorenada, com os seus traços acanhados, o

narizinho mal feito, mas galante, não muito baixa nem muito magra e a

sua apparencia de bondade passiva, de indolencia de corpo, de idéas e de

sentidos era até um bom typo das meninas a que os namorados

chamam--_bonitinhas_. O seu traço de belleza dominante, porém, eram os

seus cabellos: uns bastos cabellos castanhos, com tons de ouro, sedosos

até ao olhar.

Aos dezenove annos arranjou namoro com o Cavalcanti, e á fraqueza de

sua vontade e ao temor de não encontrar marido não foi estranha a

facilidade com que o futuro dentista a conquistou.

O pai fez má cara. Elle andava sempre ao par dos namoros das filhas:

«Diga-me sempre, Maricota--dizia elle--quem são. Olho vivo!...» É

melhor prevenir que curar... Póde ser um valdevinos e...» Sabendo que

o pretendente á Ismenia era um dentista, não gostou muito. Que é um

dentista? perguntava elle de si para si. Um cidadão semi-formado, uma

especie de barbeiro. Preferia um official, tinha montepio e meio soldo;

mas a mulher convenceu-o de que os dentistas ganham muito, e elle

accedeu.

Começou então Cavalcanti a frequentar a casa na qualidade de noivo

_paisano_ isto é, que não pediu, não é ainda _official_.

No fim do primeiro anno, tendo noticia das difficuldades com que o

futuro genro lutava para acabar os estudos, o General foi generosamente

em seu soccorro. Pagou-lhe taxas de matriculas, livros e outras cousas.

Não era raro que após uma longa conversa com a filha, D. Maricota

viesse ao marido e dissesse: «Chico, arranja-me vinte mil réis que o

Cavalcanti precisa comprar uma Anatomia».

O General era leal, bom e generoso; a não ser a sua pretenção

marcial, não havia no seu caracter a minima falha. Demais, aquella

necessidade de casar as filhas ainda o faziam melhor quando se tratava

dos interesses dellas.

Elle ouvia a mulher, coçava a cabeça e dava o dinheiro; e até para

evitar despezas ao futuro genro, convidou-o a jantar em casa todo o dia;

e assim o namoro foi correndo até ali.

Enfim--dizia Albernaz á mulher, na noite do pedido, quando já

recolhidos--a cousa vai acabar. Felizmente, respondia-lhe D. Maricota,

vamos descontar esta lettra.

A satisfação resignada do General era porém, falsa; ao contrario:

elle estava radiante. Na rua, se encontrava um camarada, no primeiro

momento azado, lá dizia elle:

--É um inferno, esta vida! imagina tu, Castro, que ainda por cima tenho

que casar uma filha!

Ao que Castro interrogava:

--Qual dellas?

--A Ismenia, a segunda, respondia Albernaz e logo accrescentava: tu é

que és feliz: só tiveste filhos.

--Ah! meu amigo! falava o outro cheio de malicia, aprendi a receita.

Porque não fizeste o mesmo?

Despedindo-se, o velho Albernaz corria aos armazens, ás lojas de

louça, comprava mais pratos, mais compoteiras, um centro de mesa,

porque a festa devia ser imponente e ter um ar de abundancia e riqueza

que traduzisse o seu grande contentamento.

Na manhã do dia da festa commemorativa do pedido, D. Maricota amanheceu

cantando. Era raro que o fizesse: mas nos dias de grande alegria, ella

cantarolava uma velha aria, uma cousa do seu tempo de moça e as filhas

que sentiam nisto signal certo de alegria corriam a ella, pedindo-lhe

isto ou aquillo.

Muito activa, muito diligente, não havia dona de casa mais economica,

mais poupada e que fizesse render mais o dinheiro do marido e o serviço

das criadas. Logo que despertou, pôz tudo em actividade, as criadas e

as filhas. Vivi e Quinota fôram para os doces; Lalá e Zizi auxiliaram

as raparigas na arrumação das salas e dos quartos, emquanto ella e

Ismenia iam arrumar a mesa, dispol-a com muito gosto e esplendor. O

movel ficaria assim galhardo desde as primeiras horas do dia. A alegria

de D. Maricota era grande; ella não comprehendia que uma mulher pudesse

viver sem estar casada. Não eram só os perigos a que se achava

exposta, a falta de arrimo; parecia-lhe feio e deshonroso para a

familia. A sua satisfação não vinha do simples facto de ter

descontado uma letra, como ella dizia. Vinha mais profundamente dos seus

sentimentos maternos e de familia.

Ella arrumava a mesa, nervosa e alegre; e a filha fria e indifferente.

--Mas, minha filha, dizia ella, até parece que não é você quem se

vai casar! Que cara! Você parece ahi uma mosca morta.

--Mamãe, que quer que eu faça?

--Não é bonito rir-se muito, andar ahi como uma serigaita, mas tambem

assim como você está! Eu nunca vi noiva assim.

Durante uma hora, a moça esforçou-se por parecer muito alegre, mas

logo lhe tomava toda a pobreza de sua natureza, incapaz de vibração

sentimental, e o natural do seu temperamento vencia-a e não tardava em

cahir naquelle doentia lassidão que lhe era propria.

Veiu muita gente. Além das moças e as respeitaveis mães, acudiram ao

convite do General, o Contra-Almirante Caldas, o Dr. Florencio,

engenheiro das Aguas, o Major honorario Innocencio Bustamante, o Sr.

Bastos, guarda-livros, ainda parente de D. Maricota, e outras pessoas

importantes. Ricardo não fôra convidado porque o General temia a

opinião publica sobre a presença delle em festa seria; Quaresma o

fôra, mas não viéra; e Cavalcanti jantara com os futuros sogros.

Ás seis horas, a casa já estava cheia. As moças cercavam Ismenia,

cumprimentado-a, não sem um pouco de inveja no olhar.

Irene, uma alourada e alta, aconselhava:

--Eu, se fosse você, comprava tudo no Parque.

Tratava-se do enxoval. Todas ellas, embora solteiras, davam conselhos,

sabiam as casas barateiras, as peças mais importantes e as que podiam

ser dispensadas. Estavam ao par.

A Armanda indicava com um requebro feiticeiro nos olhos:

--Eu, hontem, vi na rua da Constituição um dormitorio de casal, muito

bonito, você porque não vai ver, Ismenia? Parece barato.

A Ismenia era a menos enthusiasmada, quasi não respondia ás perguntas;

e, se as respondia, ora por monosyllabos. Houve um momento em que sorriu

quasi com alegria e abandono. Estephania, a doutora, a normalista, que

tinha nos dedos um annel, com tantas pedras que nem uma joalheria, num

dado momento, chegou a boca carnuda aos ouvidos da noiva e fez uma

confidencia. Quando deixou de segredar-lhe, assim como se quizesse

confirmar o dito, dilatou muito os seus olhos maliciosos e quentes, e

disse alto:

--Eu quero ver isso... Todas dizem que não... Eu sei...

Ella alludia á resposta que, á sua confidencia, Ismenia tinha dado com

parcimonia: qual o que!

Todas ellas, conversando, tinham os olhos no piano. Os rapazes e uma

parte dos velhos rodeavam Cavalcanti, muito solenne, dentro de um grande

fraque preto.

--Então, Dr. acabou, heim? dizia este a geito de um cumprimento.

--É verdade! Trabalhei. Os senhores não imaginam os tropeços, os

embargos--fui de um heroismo!...

--Conhece o Chavantes? perguntava um outro.

--Conheço. Um chronico, um pandego...

--Foi seu collega?

--Foi, isto é, elle é do curso de medicina. Matriculamo-nos no mesmo

anno.

Cavalcanti ainda não tinha tido tempo de attender a este e já era

obrigado a ouvir a observação de outro.

--É muito bonito ser formado. Se eu tivesse ouvido meu pai, não estava

agora a quebrar a cabeça no _Dever_ e _Haver_. Hoje, torço a orelha e

não sai sangue.

--Actualmente, não vale nada, meu caro senhor, dizia modestamente

Cavalcanti. Com essas academias livres... Imaginem que já se fala numa

Academia Livre de Odontologia! É o cumulo! Um curso difficil e caro,

que exige cadaveres, apparelhos, bons professores, como é que

particulares poderão mantel-o? Se o Governo mantem mal...

--Pois doutor, acudia um outro, dou-lhe meus parabens. Digo-lhe o que

disse ao meu sobrinho, quando se formou: vá furando!

--Ah! Seu sobrinho é formado? inquiria delicadamente Cavalcanti.

--Em engenharia. Está no Maranhão, na Estrada de Caxias.

--Boa carreira.

Nos intervallos da conversa, todos elles olhavam o novel dentista como

se fosse um ente sobrenatural.

Para aquella gente toda, Cavalcanti não era mais um simples homem, era

homem e mais alguma cousa sagrada e de essencia superior; e não

juntavam á imagem que tinham delle actualmente, as cousas que

porventura elle pudesse saber ou tivesse aprendido. Isto não entrava

nella de modo algum; e aquelle typo, para alguns, continuava a ser

vulgar, commum, na apparencia, mas a sua substancia tinha mudado, era

outra differente da delles e fora ungido de não sei que cousa vagamente

fóra da natureza terrestre, quasi divina.

Para o lado de Cavalcanti, que se achava na sala de visitas, vieram os

menos importantes. O General ficara na sala de jantar, fumando, cercado

dos mais titulados e dos mais velhos. Estavam com elle o

Contra-Almirante Caldas, o Major Innocencio, o Dr. Florencio e o

Capitão de Bombeiros Segismundo.

Innocencio aproveitou a occasião para fazer uma consulta a Caldas sobre

assumpto de legislação militar. O Contra-Almirante era

interessantissimo. Na marinha, por pouco que não fazia _pendant_ com

Albernaz no Exercito. Nunca embarcara a não ser na guerra do Paraguay,

mas assim mesmo por muito pouco tempo. A culpa, porém, não era delle.

Logo que se viu 1° Tenente, Caldas foi aos poucos se mettendo comsigo,

abandonando a roda dos camaradas, de forma que, sem empenhos e sem

amigos nos altos logares, se esqueciam delle e não lhe davam

commissões de embarque. É curiosa essa cousa das administrações

militares: as commissões são merecimento, mas só se as dá aos

protegidos.

Certa vez, quando era já Capitão Tenente, deram-lhe um embarque em

Matto Grosso. Nomearam-no para commandar o couraçado «Lima Barros».

Elle lá foi, mas, quando se apresentou ao commandante da flotilha, teve

noticia que não existia no rio Paraguay semelhante navio. Indagou daqui

e dali e houve quem aventurasse que podia ser que o tal «Lima Barros»

fizesse parte da esquadrilha do Alto-Uruguay. Consultou o commandante.

--Eu, no seu caso, disse-lhe o superior, partia immediatamente para a

flotilha do Rio Grande.

Eil-o a fazer malas para o Alto-Uruguay, onde chegou emfim, depois de

uma penosa e fatigante viagem. Mas ahi tambem não estava o tal «Lima

Barros». Onde estaria então? Quiz telegraphar para o Rio de Janeiro,

mas teve medo de ser censurado, tanto mais, que não andava em cheiro de

santidade. Esteve assim um mez em Itaqui, hesitante, sem receber soldo e

sem saber que destino tomar. Um dia lhe veiu a idéa de que o navio bem

poderia estar no Amazonas. Embarcou na intenção de ir ao extremo norte

e quando passou pelo Rio, conforme a praxe, apresentou-se ás altas

autoridades da Marinha. Foi preso e submettido a conselho.

O «Lima Barros» tinha ido a pique, durante a guerra do Paraguay.

Embora absolvido, nunca mais entrou em graça dos ministros e dos seus

generaes. Todos o tinham na conta de parvo, de um commandante de opereta

que andava á cata do seu navio pelos quatro pontos cardeaes.

Deixaram-n'o _encostado_, como se diz na gyria militar, e elle levou

quasi quarenta annos para chegar de Guarda-Marinha a Capitão de

Fragata. Reformado no posto immediato, com graduação do seguinte, todo

o seu azedume contra a Marinha se concentrou num longo trabalho de

estudar leis, decretos, alvarás, avisos, consultas, que se referissem a

promoções de officiaes. Comprava repertorios de legislação,

armazenava collecções de leis, relatorios, e encheu a casa de toda

essa enfadonha e fatigante literatura administrativa. Os requerimentos,

pedindo a modificação da sua reforma, choviam sobre os ministros da

Marinha. Corriam mezes o infinito rosario de repartições e eram sempre

indeferidos, sobre consultas do Conselho Naval ou do Supremo Tribunal

Militar. Ultimamente constituira advogado junto á justiça federal e

lá andava elle de cartorio em cartorio, acotovelando-se com meirinhos,

escrivães, juizes e advogados--esse poviléo rebarbativo do fôro que

parece ter contrahido todas as miserias que lhe passam pelas mãos e

pelos olhos.

Innocencio Bustamante tambem tinha a mesma mania demandista. Era

renitente, teimoso, mas servil e humilde. Antigo voluntario da patria,

possuindo honras de Major, não havia dia em que não fosse ao quartel

general ver o andamento do seu requerimento e de outros. Num pedia

inclusão no Asylo dos Invalidos, noutro honras de Tenente-Coronel,

noutro tal ou qual medalha; e, quando não tinha nenhum, ia ver o dos

outros.

Não se prezou mesmo de tratar do pedido de um maniaco que, por ser

tenente honorario e tambem da Guarda Nacional, requereu lhe fosse

passada a patente de major, visto que dous galões mais outros dous

fazem quatro--o que quer dizer: Major.

Conhecedor dos estudos meticulosos do Almirante, Bustamante fez a sua

consulta.

--Assim de prompto, não sei. Não é a minha especialidade o Exercito,

mas vou ver. Isto tambem anda tão atrapalhado!

Acabando de responder coçava um dos seus favoritos brancos que lhe

davam um ar de _commodoro_ ou de chacareiro portuguez, pois era forte

nelle o typo luzitano.

--Ah! meu tempo, observou Albernaz. Quanta ordem! Quanta disciplina!

--Não ha mais gente que preste, disse Bustamante.

Segismundo por ahi aventurou tambem a sua opinião dizendo:

--Eu não sou militar, mas...

--Como não é militar? fez Albernaz com impeto. Os Srs. é que são os

verdadeiros: estão sempre com o inimigo na frente, não acha Caldas?

--De certo, de certo, fez o Almirante cofiando os favoritos.

--Como ia dizendo, continuou Segismundo, apezar de não ser militar, eu

me animo, a dizer que a nossa força está muito por baixo. Onde está

um Porto Alegre, um Caxias?

--Não ha mais, meu caro, confirmou com voz tenue o Dr. Florencio.

--Não sei porque, pois tudo hoje não vai pela sciencia?

Fôra Caldas quem falara, tentando a ironia. Albernaz indignou-se e

retrucou-lhe com certo calor:

--Eu queria ver esses meninos bonitos, cheios de _xx_ e _yy_, em

Curupaity, hein Caldas? hein Innocencio?

O Dr. Florencio era o unico paisano da roda. Engenheiro e empregado

publico, os annos e o socego da vida lhe tinham feito perder todo o

saber que porventura pudesse ter tido ao sahir da escola. Era mais um

guarda de encanamentos do que mesmo um engenheiro. Morando perto de

Albernaz, era raro que não viesse roda a tarde jogar o sólo com o

General. O Dr. Florencio perguntou:

--O Sr. assistiu, não foi, General?

O General não se deteve, não, se atrapalhou, não gaguejou e disse com

a maxima naturalidade:

--Não assisti. Adoeci e vim para o Brasil nas vesperas. Mas tive muitos

amigos lá: o Camisão, o Venancio...

Todos se calaram e olharam a noite que chegava. Da janella da sala onde

estavam, não se via nem um monte. O horizonte estava circumscripto aos

fundos dos quintaes das casas vizinhas com as suas cordas de roupa a

lavar, suas chaminés e o piar de pintos. Um tamarineiro sem folhas

lembrava tristemente o ar livre, as grandes vistas sem fim. O sol já

tinha desapparecido do horizonte e as tenues luzes dos bicos de gaz e

dos lampeões familiares começavam a accender-se por detraz das

vidraças.

Bustamante quebrou o silencio:

--Este paiz pão vale mais nada. Imaginem que o meu requerimento,

pedindo honras de Tenente Coronel, está no ministerio ha seis mezes!

--Uma desordem, exclamaram todos.

Era noite. D. Maricota chegou até onde elles estavam, muito activa,

muito diligente e com o rosto aberto de alegria.

--Estão rezando? E logo ajuntou: dão licença que diga uma cousa ao

Chico, sim?

Albernaz sahiu fóra da róda dos amigos e foi até a um canto da sala,

onde a mulher lhe disse alguma cousa em voz baixa. Ouviu a mulher,

depois voltou aos amigos e, no meio do caminho, falou alto, nestes

termos:

--Se não dançam é porque não querem. Estou pegando algum?

Triste Fim de Polycarpo Quaresma · 第 16 / 38 题