XXIV.

Bem como, em viva preamar, se observa

D'algosos escarcéos batida rocha,

E já minada dos diuturnos éstos,

Soltar enormes lascas alvejantes,

Que com fragor horrísono se abatem,

Assemelhando ao torreão de gêlo

Que Alpinos valles despenhado aterra:

Assim os de Corintho habitadores,

A final quebrantados, exhauridos,

Forão na ruina atroz precipitados

Pelo acintoso impulso recrescente

Das cerradas cohortes Musulmanas.

Elles insistem firmes, e, na queda,

O furor do Infiel os prostra em massa.

Pelejão braço a braço, e planta a planta;

E nada, excepto a morte, alli é mudo:

Impetos, golpes, empuxões, clamores

Ou a pedir quartel, ou de victoria.

Reunidos ao troar increbescente

Dos bellicos trovões, e ao temeroso

Estrondo da batalha encarniçada.

Lá vão disseminando susto immenso

Por longinquas cidades, d'igual modo

Que se estivessem sob o golpe infesto,

E já dentro o inimigo as depredasse;

Não d'outra sorte que se proprio fôra

A excitar sensação ou triste ou leda

Aquelle som que anniquilar só sabe,

E que, varando dos soturnos montes

As entranhas durissimas, se expande

Em pavorosos écos desusados:

Lá os ouvio Megára e Salamina,

E, se não exaggera a voz do vulgo,

Té na enseada do Pirêo troárão.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 35 / 48 题