XVII.

De tão feio espectaculo insoffrivel

Arreda os olhos Alp: elle em conflictos

O que era estremecer não soube nunca;

Porém não é tão arduo, tão penoso

Olhar ao que estendido se revolve

Do proprio sangue em fumegante lago,

E arqueja entregue á insaturavel sêde

E ao vasquejar da morte, quanto é vê-lo

Depois que pereceo, e é só cadaver.

No momento fatal, um certo orgulho

Se desenvolve n'alma do soldado,

Lhe adoça o fim cruento: se fenece,

Espera reviver na voz da Fama,

Ficar bemquisto á Honra, que tem sempre

Os olhos fitos no que morre affouto!

Mas quando em fim s'esvaeceo tudo isto,

Bem misero se sente quem percorre

Campo alastrado d'insepultos mortos.

Ao ver como da terra surde o verme,

Deixa o bruto as florestas, a ave desce,

E alli affluem, demandando no homem

Todos quinhoar prêsa, e achando todos

O lucro seu na decadencia d'elle.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 28 / 48 题