O renegado de Veneza!--ah! elle
De vetusta linhagem primorosa
Teve o seu nascimento: todavia,
Desterrado a final do patrio ninho,
Contra os concidadãos tomou as armas,
Em que por elles adestrado fôra;
E orna-lhe a fronte rasa hoje o turbante.
Depois d'eventuaes destinos varios,
Sob a lei que Veneza lhe dictára
Se acolheo, como a Grecia, então Corintho;
E ei-lo que ante seus muros se apresenta,
Inimigo entre os feros inimigos
Da Grecia e de Veneza, e trasbordando
De resentido ardor, qual excandesce
Ao joven convertido a alma orgulhosa,
Onde duestos mil accumulados
Estão sempre em tumulto, e eternos vivem.
Nem por isso com elle quiz Veneza
Desempenhar o civico appellido
Em que firmava o seu brazão = A LIVRE; =
E de São Marcos no palacio excelso,
Delatores incognitos lançárão
Na _Boca do Leão_, durante a noite.
Denuncia atroz de requintados crimes,
Que o cobrião de macula indelével:
Salvou seus dias pressurosa fuga.
Desde esse lance despendia a vida
No meio dos combates, demostrando
Bem claro á patria o que perdeo no alumno
Que contra a Cruz, já supplantada, erguia
O soberbo Crescente, e, guerreando,
Só vingar-se ou morrer buscava ancioso.