I.

Longo trilho de seculos exhaustos,

Rijas tormentas, bellicos furores,

Infestárão Corintho: ella entretanto

Persiste em pé, e no alteroso alcáçar

Nova conquista á Liberdade off'rece.

Nem bramir de tufões, nem terremotos

O alvejante penhasco lhe abalárão,

Esse lageoso assento, que, em despeito

Da decadencia sua, inda parece

Não sem orgulho contemplar seu cimo;

Esse padrão demarcador erguido

Entre os dous mares, que d'um lado e d'outro

Lhe estão rolando purpurinas ondas,

Que sempre a forcejar por se reunirem,

O acatão sempre, e vem morrer-lhe ás plantas.

Se o sangue n'estes sitios derramado

Desde que n'elles o fraterno sangue

Timoléon vertêra, ou desde quando

Pelo aviltado despota da Persia

Abandonados forão, borbulhasse

Da terra que o bebeo no morticinio,

Este sangrento oceano sepultára

Sob os tremendos escarcéos todo o isthmo:

Ou se podessem amontoar-se os ossos

Dos que alli perecêrão, surgiria

Por entre aquelles ceos abrilhantados

A colossal pyramide espantosa,

Dando rival á Acrópolis, que as nuvens

Se vê roçar co'a torreada fronte.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 12 / 48 题