Vide _Fadinho liró._

=Lisbonense= (Fado)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

22.

É o n.º 5 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Tambem publicado pelas casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa; e

Eduardo da Fonseca, do Porto.

Foi seu auctor João Maria dos Anjos.

=Livro d’ouro do fadista=

Nova collecção de fados para cantar ao piano e á guitarra,

escriptos e recopilados por Faustino Antonio da Cunha. Porto, 1878,

Editora--Livraria portugueza e extrangeira.

=Luar= (Ao)

Fado muito facil para piano por Antoine de Ferrière. Editora, a

livraria Avellar Machado.

Lettra: duas quadras apenas.

=Luiz Petroline= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de

_Fados_.

=Machado Corrêa= (Fado)

Supponho que Machado Corrêa é o jornalista d’estes appellidos, que

collaborou na _Tarde, Dia e Novidades_, foi ponto de theatro em Lisboa,

auctor dramatico, e que tendo ido para o Pará, como secretario da

empresa Sousa Bastos, por lá se deixou ficar, passando depois para o

Rio de Janeiro. Ultimamente regressou a Lisboa.

=Madrugada= (Fado)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

27.

=Maggioly= (Fado)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

5.º.

Maggioly é o appellido de um dos nossos melhores tocadores de guitarra.

Veja pag. 63 d’este livro, nota.

=Marinheiro= (Fado do)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

68.

=Marinheiro= (Fado do)

Este Fado é differente do anterior.

Parece ser dos primeiros que se vulgarisaram em Lisboa, segundo informa

o velho guitarrista Ambrosio Fernandes Maia.

Elle não tem ideia de outro qualquer Fado mais antigo.

=Maritimo= (Fado)

É o n.º 9 na 1.ª serie da casa Sassetti.

=Meiguinho= (Fado)

Por Alberto Pimenta: Porto, 1901. Lettra de Campos Monteiro.

=Meu= (O) =enlevo=

Fado muito facil para piano por A. Dourade. Editora, livraria Avellar

Machado, Lisboa.

Lettra: duas quadras apenas.

=Monchique= (Fado de)

Lettra e musica de Alberto de Moraes.

Editores: Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

Monchique é, como se sabe, a «Cintra» do Algarve.

=Mondego= (Fado)

Editor, Raul Venancio; rua do Ouro, Lisboa.

=Morenas= (Fado das)

Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Crêmos que foi recolhido na provincia.

Tem lettra, que não pudemos obter.

=Mouraria= (Fado da)

É o n.º 31 na 3.ª serie da casa Sassetti.

Tambem anda nas collecções das casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa;

e da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

Mouraria é, como se sabe, um dos bairros fadistas de Lisboa.

=Mousão= (Fado)

O sr. Antonio Mouson (é assim que o seu appellido deve escrever-se)

nasceu no Porto e foi discipulo, em guitarra, de João Maria dos Anjos.

O seu nome inscreve-se entre os dos primeiros guitarristas portuenses,

que são, além d’elle, Chico Brandão e Guilherme de Campos.

Dizem-me d’aquella cidade, a seu respeito:

«É o mais fecundo auctor de fados, o mais sentimental na expressão e

no canto, fino rapaz de sala, fallando distinctamente o castelhano, o

francez e italiano, um dos melhores _vivants_ da _troupe_ bohemia.»

Outra informação acrescenta:

«De altura regular, robusto e valente, é, a par d’estas qualidades

physicas, um excellente rapaz, coração de ouro e alma educada para

comprehender e sentir todos os grandes affectos, todas as grandes

dores. O Porto inteiro o conhece e estima; tem muitos amigos e

admiradores.

«É frequentador dos theatros, bailes de mascaras e dos cafés,

especialmente do _Portuense_, onde se encontra todas as noites.

«Apesar de ter a cabeça quasi branca, não conta mais de 36 annos.

«Dedilhando a guitarra, entoa fados deliciosos, que as mulheres escutam

com enlevo.

«Já se tem feito ouvir nos nossos theatros e nas praias, portuguezas e

hespanholas, sempre com vivo enthusiasmo e ruidosos applausos.»

=Mulher= (Fado da)

Recolhido pelo sr Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Muller fils= (Fado)

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

=Nacional= (Fado)

Composto por João Maria dos Anjos.

Vem incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_,

fasciculo 54.

É o n.º 12 na 1.ª serie da casa Sassetti.

=Nazareth= (Fado da)

Nazareth, praia de banhos na Extremadura, districto de Leiria. Terra

celebre pelo famoso milagre com que ali foi favorecido D. Fuas Roupinho.

=Noite serena= (Fado)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

=Notas falsas= (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Novo fado=

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

=Olinda= (Fado serenata)

De Jacinto Freire. Editor, Eduardo da Fonseca, Porto.

Lettra:

Musa, dá-me inspirações

Para o meu fado cantar,

Que enterneçam corações

E que os façam palpitar.

Cordas da minha guitarra,

Soltae uns tristes gemidos,

Lembranças da mocidade,

D’esses tempos tão queridos.

As minhas tristes canções,

Repassadas de amargura,

São saudades desfolhadas

Pelas noutes sem ventura.

Teus olhos de côr tão negra,

Brilhantes, meigos e lindos,

Desejos accendem n’alma

De beijos loucos, infindos.

=Palmyra Bastos= (Fado)

Pelo actor Roldão. Editora, a livraria Avellar Machado; Lisboa.

Este _Fado_ chamou-se assim em razão de ter sido cantado por aquella

actriz na revista _Tim-tim por tim-tim_.

Traz o retrato de Palmyra Bastos, a lettra em verso, e um artigo em

prosa assignado por Julio de Menezes.

=Parodia= (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, na sua collecção.

=Pedro Rolla= (Fado)

Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

=Pedrouços= (Fado de)

O sr. Simões Ratolla, excellente consultor sobre tudo que diz respeito

a Pedrouços, teve a gentileza de me fornecer a seguinte informação:

«O _Fado de Pedrouços_ não tem lettra. A musica é de Antonio e Eduardo

Castello Branco. Possuo um exemplar impresso, para piano, com 12

pautas, e com o n.º 982, que julgo ser de chapa.

«Nas caixas de musica, de 4 _Fados_, encontra-se um com a indicação:

_Fado de Pedrouços--Branco_.

«É o mesmo _Fado_; evidentemente só ha um _Fado de Pedrouços_.»

=Penedo da meditação= (Fado)

É o n.º 1 da Collecção do estudante Candido de Viterbo, publicada em

Coimbra.

Editora, a viuva Paula e Silva.

O «Penedo da Meditação», que fica nas proximidades de Cellas, é um dos

sitios mais pittorescos e mais decantados dos arrabaldes de Coimbra.

=Penedo da saudade= (Fado do)

É o n.º 4 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

O «Penedo da Saudade» é uma das mais encantadoras paragens do formoso

aro que circumda a cidade de Coimbra. Sitio predilecto dos estudantes,

como o «Penedo da meditação». Diz a lenda que D. Pedro I frequentava

muito este logar, onde desafogava saudades da sua querida e desditosa

Ignez.

=Pimpão= (Fado do)

Para piano e canto. Lettra de _Pan Tarantula_. Musica de Arthur Davis

Tavares de Mello.

Na capa reproduz em miniatura o frontispicio de um numero do periodico

_O Pimpão_.

Duas quadras, das seis que constituem a lettra:

O _Pimpão_ é rei da troça,

O _Pimpão_ é rijo d’aço!

O _Pimpão_ entra na choça,

O _Pimpão_ entra no paço!

Do _Pimpão_ nasce a Folia,

Do _Pimpão_ Jubilo brota,

Do _Pimpão_ surde a Alegria

Do _Pimpão_ salta a Risota!

Este _Fado_ foi publicado pela empresa da folha humoristica _O Pimpão_.

=Pina= (Fado do)

Composição de Julio Neuparth.

=Pintasilgo= (Fado do)

Auctor, Rey Colaço. Veja-se este nome.

=Pisões= (Fado dos)

É o n.º 32 na 3.ª serie da casa Sassetti.

=Pitada= (Fado do)

É o n.º 19 na 2.ª serie da casa Sassetti.

=Plagiario= (Fado)

Por A. B. Ferreira Junior.

Editor, Eduardo da Fonseca; Porto.

O auctor intitulou assim a sua composição, porque n’ella imita outra de

Rey Colaço, _Um Fado_, que está incluido nos 5 a que fazemos referencia

no principio da noticia Rey Colaço.

=Pobre preto= (Fado do)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

=Popular= (Fado)

Na 2.ª serie da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

=Porto= (Fado)

Encontro uma referencia a este _Fado_ no _Livro d’ouro do fadista_,

Porto, 1878.

Diz assim:

Conhecendo o meu destino,

Julgando-me um desgraçado,

Dediquei-me d’alma e vida

Ás raparigas do fado.

Cantava ao som da guitarra

(Quantas vezes já tão torto!)

Um _fadinho_ muito usado,

Chamado o _Fado do Porto_.

=Povo= (Fado do)

Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.

=Primavera=, A (Fado)

Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Vem acompanhado de lettra, que principia:

De tarde, virei da selva,

Sobre a relva,

Os meus suspiros te dar;

E de noite, na corrente,

Mansamente,

Mansamente te embalar!

=Primeiro Fado=

De Luiz Pinto d’Albuquerque. Offerecido a Rey Collaço. Publicado no

Porto, por Moreira de Sá.

Traz as seguintes quadras:

O meu amor, que exquisito...

Sendo rosa desmaiada,

De cada vez que eu a fito

Torna-se logo encarnada!

Sei os segredos das rosas,

Da branca e da encarnada.

A encarnada anda d’amores;

Da branca não digo nada...

=Quinta das lagrimas= (Fado da)

É o n.º 3 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

A _Quinta das lagrimas_, em Coimbra, é uma propriedade celebre pela

sua belleza e pela lenda. Uma fonte, chamada _dos amores_, ainda hoje

mantem a tradição.

Dos amores de Ignez, que ali passaram.

Vêde que fresca fonte rega as flores,

Que lagrimas são a agua, e o nome amores.

=Rabicha= (Fado da)

É o n.º 30 na 3.ª serie da casa Sassetti; Lisboa.

Rabicha é o logar que fica sob o arco grande do aqueducto das Aguas

Livres, em Lisboa. Ha ali hortas, retiros, muito frequentados por

fadistas e outra gente de vida airada. Não ha dia em que se não cante o

_Fado_ n’aquelle rincão votado ao prazer do canto e do copo.

=Recreio musical= (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Rey Colaço= (Fados de)

Estão publicados 8. Cinco d’elles não teem nome especial. Os outros

intitulam-se: _Hylario_, _Corrido_ e _Pintasilgo_. Um d’aquelles cinco

é offerecido á sr.ᵃ duqueza de Palmella.

Alexandre Rei Colaço é um brilhante pianista, professor do

Conservatorio.

Os seus _Fados_ são verdadeiras rapsodias portuguezas, variações

artisticas sobre motivos populares.

Quasi todos são acompanhados de uma ou duas quadras colhidas na

tradição oral.

Lia-se no _Diario de Noticias_, de janeiro de 1904:

«N’uma linda edição feita por uma das primeiras casas editoras de

musica da Allemanha, acaba de ser posta á venda a encantadora e

popularissima collecção de fados do nosso eminente pianista e professor

Rey Colaço.

«A impressão é muito nitida e perfeita. A capa, para que tudo tenha

o sabor portuguez, é uma curiosa e magnifica reproducção a côres do

nosso lenço popular, o celebre lenço da estamparia do Bolhão, orlado

d’arabescos com caracter genuinamente oriental.

«A collecção comprehende oito fados--os que são propriedade do

compositor, porque o 2.º é do sr. Sassetti--entre esses fados ha o

«Choradinho», o «Corrido», o «Hylario», o «Pintasilgo» e esse «primeiro

fado» que tem corrido o paiz e que todos os amadores gostam de tocar, e

toda a gente gosta d’ouvir.

«Este «primeiro» fado foi levemente modificado n’um sentido mais

artistico e musical.

«A mencionar ainda a deliciosa «Canção das Serras», talvez a mais bella

pagina de Colaço, n’um rythmo originalissimo--o mesmo da «Canção do

Mondego»--digna de figurar ao lado das «Feuilles d’album» do Grieg.

Pediriamos ao delicadissimo compositor que nos desse mais d’estas

«Feuilles d’album», genero que elle, como ninguem, póde cultivar entre

nós com exito.

«Uma collecção que todos os «dilettantes» devem ter sobre a sua

estante.»

=Ribatejo= (Fado do)

Conheço muito bem a musica d’este _Fado_, que pela primeira vez ouvi em

1901. Não sei quem é o auctor. Tambem não sei se ha apenas a musica ou

se anda acompanhada de lettra especial.

Creio que a sua área de divulgação se circumscreve ás povoações

ribeirinhas mais proximas de Lisboa. Em Santarem não é conhecido, como

d’ali me diz o sr. João Arruda, redactor do _Correio da Extremadura_,

em carta que vou transcrever, porque n’ella se encontram algumas

rapidas informações que confirmam asserções minhas, expostas no texto

d’este livro.

Diz o sr. Arruda:

«Não se conhece nenhum fado do Ribatejo e quanto a _fados locaes_

diz-me um regente de musica muito distincto, que ha aqui, _que todos

nascem em Lisboa_. Por aqui temos o _verde-gaio_, _o balhariló_ e

outras cantigas.

«Tambem consultei o mestre da banda de caçadores 6, e um amador de

musica, que muitos annos dirigiu a Academia Bellini, e elles nada

conhecem, tendo aliás feito alguns fados _baseados no que existe_.»

=Ribeira Nova= (Fado da)

Na collecção da casa Lambertini.

=Rigoroso= (Fado)

O mesmo que _Fado corrido_. Vide _Corrido_. É o simples acompanhamento

para as trovas de qualquer _Fado_.

Palmeirim diz a respeito da Severa:

«O orgulho de se considerar a primeira da sua classe, de ouvir o seu

nome celebrado em todas as _banzas_, e os seus amores assoalhados em

todos os fados, «desde o _rigoroso_, que não consente variações»,

até ao mais artistico, em que a voz adormece, e acorda em requebros

languidos, tornavam-n’a surda á voz da consciencia».

=Robles= (Fado)

J. R. Robles, que foi 1.º sargento de cavallaria e agora é empregado da

Companhia dos Tabacos, em Lisboa, já vem mencionado a pag. 63 d’este

livro entre os melhores tocadores de guitarra.

Este Fado anda na 2.ª série da casa Eduardo da Fonseca, Porto, e foi

incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

57.

O seu auctor compol-o de 1879 a 1880. Estando por esse tempo em Evora,

ahi se generalisou o seu _Fado_. Em 1900, havendo tido baixa no

exercito, deu-o a rever em Lisboa a pessoas competentes, e depois o

publicou.

O _Fado Robles_, que algumas pessoas denominam _Artilheiro_, tambem é

popular no Porto, onde o auctor fez serviço militar até janeiro de 1891.

=Roldão= (Fado)

Este _Fado_ foi cantado pelo actor Roldão na peça _José João_ (parodia)

que se representou no theatro do Principe Real em Lisboa.

O auctor da peça, e, portanto, das coplas é o sr. Eduardo Fernandes

(_Esculapio_), antigo redactor do _Seculo_, hoje do _Diario_.

A musica e a lettra foram editadas pela Livraria Popular, de Francisco

Franco, travessa de S. Domingos, Lisboa.

O frontispicio é illustrado com dois retratos do actor Roldão e com uma

scena da peça.

Um dos retratos representa aquelle actor vestido de fadista, guitarra

em punho, tal como apparecia no palco.

Dizeres do frontispicio: Fado Roldão, cantado pelo auctor, etc.

Ora, como já dissemos em outro logar, este _Fado_ é, com leves

alterações, especialmente na 2.ª parte, a canção _Hija del

Guadalquivir_, que estava publicada desde 1894, no Porto, em o

_Cancioneiro de musicas populares_.

Não dizemos isto como censura, mas apenas para notar uma coincidencia

casual, que muitas vezes se tem dado na poesia e na musica.

O actor Jorge Roldão nasceu em 1859: foi musico de infantaria 16;

entrou para o theatro como executante na orchestra; depois passou a

ponto, e de ponto a actor. Trabalhou no Porto, nos theatros D. Affonso

e Carlos Alberto; em Lisboa tem trabalhado nos theatros da Rua dos

Condes, Principe Real, Trindade e Avenida.

Artista de merito secundario, é comtudo uma «utilidade».

Roldão cantava o «seu» _Fado_ em ré maior.

No folheto _Fados modernos_ vem a lettra de um _Fado para o Roldão_.

=Rosa de Vila= (Fado)

Composto pelo sr. Julio Neuparth expressamente para ser cantado pela

artista d’aquelle nome na festa de caridade realizada no Colyseu dos

Recreios, a 26 d’abril de 1904, em beneficio da classe dos vendedores

de jornaes de Lisboa, após a _gréve_ dos typographos.

=Rosas= (Fado das)

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

=Ruas= (Fado das)

É o n.º 23 na 3.ª serie da casa Sassetti, de Lisboa.

=Salas= (Fado das)

Na collecção da casa Engestrom e da casa Sassetti, de Lisboa; e na de

Eduardo da Fonseca, Porto.

=Santo Thyrso= (Fado de)

Apenas existe a lettra, que recolhi no livro _Santo Thyrso de Riba

d’Ave_, e que foi composta por um pobre carpinteiro d’aquella villa,

Narciso Ferreira d’Araujo, o _Ferreirinha_, quando partiu para o

Brazil, onde falleceu.

Adaptava esta lettra a qualquer _Fado_ dos até então conhecidos.

=Saudade= (Fado)

Para piano, por Herminio dos Anjos. Homenagem ao inconfundivel poeta

das «Peninsulares». Editora, livraria Avellar Machado.

Traz no frontispicio o retrato de Simões Dias, e n’uma folha appensa

esta «silva de cantigas» do mesmo poeta, para serem cantadas com a

musica do _Fado_:

O peixe vive nas aguas,

Vive a flor entre abrolhos,

Só eu não vivo um instante

Longe da luz dos teus olhos.

Cada vez que a tua falla

Vem morrer nos meus ouvidos,

De sobresalto e de gosto

Perco de todo os sentidos.

Tu és o raiar da aurora

Que no puro azul divaga,

Eu, frio sol que descora,

E pouco a pouco se apaga.

Saudades que me vão n’alma

Ninguem as póde contar,

São tantas como as estrellas,

Como as areias do mar.

Meu amor se andas perdido

Sem saber quem te perdeu,

Nos meus olhos tens a escada

Por onde se sobe ao céu.

Como a rosa desfolhada

Vae boiando na corrente,

O meu pensamento vôa

Para ti constantemente.

Se eu soubesse que te rias

Quando eu suspiro e dou ais,

Tirava os olhos da cara

Para nunca te ver mais.

Quando foi á despedida,

Quando te apertava a mão,

Dobrou o sino a finados,

Morria o meu coração.

Quando eu morrer vae á cova

Sobre o meu corpo chorar,

Que ao sentir que por mim chamas

Hei de aos teus braços voltar.

Não te faças tão esquiva,

Não digas que me não queres,

Que eu por mal de meus peccados

Bem sei o que são mulheres.

Se tu suspiras, suspira

Cá dentro o meu coração;

Se tu choras, tambem choro,

Vê lá se te quero ou não.

Mandei lêr a minha sina,

E a sina me respondeu

Que um triste fugir não póde

Á sorte que Deus lhe deu.

Sonhos d’amor e ventura

Quando tornareis a vir?

Só se fôr na outra vida

Quando d’esta me partir.

Se souberes que estou morto

Não te ponhas a chorar,

Mais vale acabar a vida

Do que viver a penar.

Teu corpo é feito de cêra,

Tão tenrinho que mais não;

Amor, quem t’o derretera

Ao calor do coração!

Teus olhos são mais escuros

Do que a noite mais fechada,

E apesar de tanto escuro

Sem elles não vejo nada!

=Sebenta= (Fado da)

Composto por D. Laura Escrich e offerecido á Tuna academica de Coimbra,

em 1899, a proposito de se celebrar n’aquella cidade o centenario da

Sebenta, hilariante festa escolar promovida e realizada pelos alumnos

da Universidade.

A Sebenta é, como se sabe, a synopse, redigida por um estudante e

adquirida pelos outros, da prelecção feita pelo professor em cada

cadeira.

Tradição universitaria, tem resistido á troça dos estudantes e á

opposição de alguns lentes.

Em 1852 escrevia o dr. Adrião Forjaz, da faculdade de direito:

«Continuarão as _sebentas_? quer dizer continuará a trocar o maior

numero de alumnos juristas o indispensavel estudo dos seus compendios

e das obras magistraes, que os elucidam, pela tomada de cór d’uma

papeleta, que o agiota-alumno autographou á pressa dos apontamentos

tomados durante a exposição do professor? Receamos que a molestia não

diminua. Ajuda-a grande numero de empresarios, a preguiça que favorece

em muitos dos alumnos, e a falta talvez d’uma combinação e energica

decisão dos professores.»

Referindo-se ao prematuro fallecimento da auctora d’este _Fado_, dizia

a folha lisbonense, _O Dia_, no seu numero de 12 de novembro de 1902:

«Ha existencias affastadas e calmas, tão serenas que parecem ter

direito a que a desgraça as esqueça.

«A senhora que acaba de fallecer, loura, elegante e distincta, com

trinta e cinco annos apenas, tinha uma vida de grande simplicidade e

dedicação--iamos quasi a dizer d’heroismo.

«Só com sua mãe, uma senhora de altas virtudes e raro caracter,

trabalhava incessantemente, para que no seu lar houvesse o agasalho

sufficiente a uma senhora de cabellos brancos, que n’um momento via

partir-se-lhe dolorosamente o coração. A morte leva-lhe assim,

inesperadamente, a sua unica filha!

«A sr.ᵃ D. Laura Escrich, filha do sr. Frederico Alexandre Meiners,

allemão, ha muito tempo no Rio de Janeiro, vivia entregue ás suas

licções de pintura, em que era distinctissima, adorada pelas suas

discipulas. Compunha tambem valsas e musicas de grande harmonia e valor.

«Cinco dias bastaram para espesinhar e dispersar toda esta existencia

de serenidade e trabalho. Hontem ás 11 horas bruscamente morria.

Curvemo-nos perante a grande Dôr d’aquella que viu ao mesmo tempo

morrer-lhe nos braços a filha e com ella fenecerem-lhe as ultimas

esperanças de felicidade na terra.»

=Sebenta= (Fado da)

É a _serenatella_ do «_Auto da sebenta_», composta pelo estudante

Candido de Viterbo.

Veja-se o que dizemos a este respeito no capitulo V, quando tratamos

dos _Fados_ litterarios.

=Sello= (Fado do)

Referindo-se á romaria do Senhor da Serra, em Bellas, anno de 1902,

dizia o _Diario de Noticias_, de Lisboa:

«Dançou-se animadamente durante a tarde, em varios sitios da quinta,

não deixando tambem de ouvir-se um ou outro cantador de fado, que ao

som do «pianinho» largava a sua cantiga mais ou menos engraçada, como

a que segue:

Eu não sei cantar o fado

Pois que não tenho capello,

E p’ra largar a piada

Não quero pagar o sello.»

É possivel que o cantador enfiasse outras quadras allusivas ao mesmo

assumpto. Mas esta basta como prova de que o _sello_ já entrou alguma

vez nos dominios do _Fado_.

=Sem nome= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de

_Fados_.

=Sentimental= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de

_Fados_.

=Sepulveda= (Fado do)

Sepulveda é o sr. Julio Cesar Affonso Sepulveda, despachante na

Alfandega de Lisboa, mais conhecido entre os rapazes pela abreviatura

_Veda_.

D’este _Fado_ fez ultimamente uma edição, impressa na Allemanha, o sr.

Raul Venancio, estabelecido em Lisboa na rua do Oiro.

=Serenata= (Fado)

Composto por Manuel Luiz Ferreira Tavares para a recita do curso do 5.º

anno theologico-juridico, 1900-1901.

Lettra de Nanzianceno de Vasconcellos:

O rouxinol quando trina

Escolhe a luz do luar,

Mas a tua voz divina

Canta á luz do teu olhar.

Têm o som tão puro e lindo

As fallas da tua bocca!...

Parecem ’strellas cahindo

Em chuva dourada e louca.

Se Deus te pudesse ouvir

Lá no ceu entre mil lumes,

Deixava Deus de existir,

Deus morria de ciumes!

Têm o som tão puro e lindo, etc.

Eu de mil vidas, nenhuma

Te negava, minha huri!

Mas mesmo tendo só uma

Morro d’amores por ti.

Têm o som tão puro e lindo, etc.

=Serenata= (Fado)

Vide _Olinda_.

=Severa= (Fado da)

Vide cap. IV, pag. 158.

=Sinhás= (Fadinho das)

É o n.º 36 na 3.ª serie da casa Sassetti, de Lisboa.

=Soffrimento= (Fado do)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

55.

=Sol e dó= (Fado)

Supponho que é edição da casa Sassetti.

=Syndicateiros= (Fado dos)

É o n.º 29 na 3.ª serie da casa Sassetti.

=Taborda= (Fado)

Vide _Gato_.

=Talvez te escreva= (Fado)

Da revista do anno, de Eduardo Schwalbach Lucci, intitulada _Nicles_.

=Tancos= (Fado de)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

70.

É o numero 7 na 1.ª serie da casa Sassetti.

Tancos, villa da Extremadura, concelho da Barquinha, onde Fontes

Pereira de Mello mandou construir em 1865 um campo de manobras.

=Theodolinda= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz.

=Torrinha= (Fado da)

É o n.º 33 na 3.ª serie da casa Sassetti.

A antiga quinta da Torrinha, situada no casalinho do Carvoeiro a Valle

de Pereiro (alto da Avenida da Liberdade) em Lisboa, foi uma horta

muito frequentada por gente patusca, que ali ia merendar e ceiar n’uma

tasca.

=Trez horas= (Fado das)

Musica de Reynaldo Varella. Lettra:

Pela calada da noite,

Emquanto não surge a aurora,

Que esta minh’alma se affoite,

Suspira, guitarra, chora.

Voga, barco, mansamente

Pelas aguas prateadas.

Leva este canto dolente

Aos peitos das namoradas.

Cada nota tão sentida

Que a minha guitarra envia,

É uma canção dolorida

D’amor e melancolia.

E estas canções eu trago-as

Presas nas azas da brisa,

Para espalhar sobre as aguas

Emquanto o barco deslisa...

Este _Fado_ foi composto n’uma noite de patuscada, exactamente á hora

que lhe serve de titulo, e editado, no Porto, pela casa Eduardo da

Fonseca.

=Triste= (Fado)

Composição de Augusto Machado.

=Triste= (Fado)

Musica do professor de guitarra Julio Silva; lettra de Armando de

Araujo.

Cantou-se no sarau da imprensa realizado em 1902 no Colyseu dos

Recreios.

É dedicado á memoria do poeta portuense Antonio Nobre, cujo retrato, em

traje academico, orna a capa da musica.

Oh! alvôr das madrugadas

Já tenho saudades tuas,

Do choro das guitarradas

Gemendo o fado das ruas...

’Inda vem distante a aurora

E á luz que se escôa triste

Minha alma cantando, chóra

Alguem que já não existe...

Vae subindo oh! triste canto,

--Nunca a tristeza te sóbre!

Vae levar ao céu meu pranto,

Pelo poeta Antonio Nobre...

Pois no céu decerto anda

Quem tamanha dôr cantou,

Quem sabe se na demanda

Da paz que não alcançou!

A capa de seda escura,

Na qual andavas envolto,

Era a noite da tortura,

Que não te deixava solto!...

N’uma tristeza sem calma,

O teu pensar exquisito,

Com pedaços da tua alma,

Deixou teu soffrer escripto...

É um livro amargurado,

...Já não se escreve outro assim.

--São prantos d’um desgraçado,

--Uns prantos... quasi sem fim!

N’essa magua que venero

Quem de ti não teve dó!...

Se tu fôste o auctor sincero

Do livro chamado: _Só!_

Em cada sinistro verso

Teu olhar chóra, talvez...

E que de pranto disperso

No livro d’um portuguez!

Quem essas paginas olha

Assim te julgou na terra:

--Um lyrio rôxo que esfólha,

Na solidão d’uma serra!

Tiveste um ribeiro d’agua

Que manso beijou teu pé...

--Refresco á febre da magua,

--Imagem santa da Fé...

E tu soffrias!... emquanto

O ribeiro, a murmurar,

Pedia pelo seu _Anto_,

Padre-Nossos a rezar!

E tanto, tanto soffreu

Seu desgraçado menino,

Que finalmente... morreu,

D’aquelle mal, tão mofino!

Oh! velhinha amargurada

Por causa d’aquella dôr,

Já rompeu a madrugada,

Já socega o teu amor.

Descança agora, velhinha,

De quem elle tanto falla,

Que toda a flôr se definha

Após o aroma que exhala.

O luar, seu companheiro

Das confidencias d’amor,

Foi com elle ao extrangeiro,

Como o servo e o seu senhor!

Mas, na volta de Pariz,

Onde lhe escutou a voz,

Saudades d’esse infeliz

Veio gemer entre nós...

E esta capa, irmã da tua,

Vem acenar-te saudosa...

Já quando o pranto da lua

Em neve amortalha a rosa!

=Trovadores= (Fado dos)

Auctor, Avelino Baptista.

=Vaporosas= (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Victor Hussla= (Fados de)

Victor Hussla nasceu em S. Petersburgo a 16 de outubro de 1857.

Veio para Lisboa em 1887 como director da Real Academia de Amadores

de Musica. Violinista distincto e professor bem orientado, prestou

importantes serviços artisticos áquella associação e a Lisboa.

A seu respeito escreve Ernesto Vieira no _Diccionario biographico dos

musicos portuguezes_:

«Como compositor produziu Hussla trabalhos de muito valor. De todos

o mais importante é a sua grande symphonia, obra vasta e trabalhada

com grande esmero no mais puro estylo allemão. De igual auctor é a

«Abertura», composição menos extensa mas do mesmo modo trabalhada.

«Não foram porém estas as suas producções que mais lisonjearam o

nosso ouvido meridional. Sobrelevaram-lhes no effeito as celebres

«Rapsodias portuguezas», em que os nossos cantos nacionaes tiveram pela

primeira vez a honra de ser luxuosamente revestidos de uma orchestração

primorosa e em alguns pontos verdadeiramente admiravel.»

Nas «Rapsodias» foram por elle comprehendidos alguns _Fados_.

Nomeado professor do Conservatorio em 1897, falleceu repentinamente,

indo a entrar para aquelle edificio, na manhã de 14 de novembro de 1899.

=Vida= (A) Fado

Composição de Julio Neuparth.

=Vimioso= (Fado)

Vide capitulo IV d’este livro, pag. 183.

=28= (Fado do)

Publicado no Porto, para piano, pela casa Eduardo da Fonseca.

Tem sido attribuido ao Hylario, como dissemos no cap. V, pag. 229.

Mas o seu auctor foi um rapaz cego que viveu em Braga e era protegido

do reverendo abbade de S. João do Souto, padre José do Egypto Vieira.

Este cego tinha no asylo o n.º 28, e toda a gente o conhecia mais pelo

numero que pelo nome.

D’ahi o titulo com que o seu _Fado_ se generalisou.

=Visconti= (Fado)

Visconti, um cançonetista de circo, veio a Lisboa, onde o rythmo das

suas canções comicas se tornou popular.

Esse rythmo é o que se chama _Fado Visconti_. (Está incluido na

collecção de _Fados_ da casa Eduardo da Fonseca, Porto.)

Lettra de algumas das canções:

Hespanhol p’ra malaguenha,

Portuguez p’r’o lindo fado.

Já não ha nem póde haver

Canto a estes comparado.

Puz os pés na campa fria

De quem na vida amei tanto.

Uma voz ouvi dizer:

Não me pises, ó tyranno.

Se eu soubera que voando

Alcançava o teu amor,

Ia pedir á sopeira

As azas... do assador.

=Zé povinho= (Fado do)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo

72.

A triste canção do sul (subsidios para a historia do fado) · 第 50 / 60 题