Recolhidos pelo sr. Fernando Silva na sua collecção, manuscripta, de
_Fados_.
=Elegante= (Fado)
Nada pude apurar a respeito do nome do auctor.
=Elite= (Fado da)
Composição do sr. Carlos Stuart Torrie, actualmente residente em
Lisboa, mas oriundo de uma familia portuense.
Este _Fado_, foi editado pelo proprio auctor, em 1900.
Tem segunda edição.
A lettra é do sr. Mattoso da Fonseca. Transcrevemos as primeiras trez
quadras:
Morenas prendem á terra
Na graça do seu sorriso.
Louras levam-nos ao ceu,
Aos sonhos do Paraiso.
Tens a candidez dos lirios,
A graça das borboletas,
A modestia dos martyrios,
O pudor das violetas.
Através o veu subtil
O seu olhar feiticeiro
Brilha como o sol d’abril
Em manhãs de nevoeiro.
=Estoril= (Fado do)
É o n.º 25 da 3.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.
O Estoril, sobre a linha ferrea de Cascaes, é hoje um dos sitios mais
elegantes que a população de Lisboa procura para veranear. Possue
lindos e numerosos _chalets_, um estabelecimento thermal, magnifico
_hotel_, matta sombria, e uma excellente praia de banhos. Com o
Mont’Estoril, S. João do Estoril e Parede, constitue actualmente uma
nova serie de estações balneares, que se povoaram dentro de poucos
annos, e que fazem grande concorrencia a Cascaes.
=Estudante= (Fado do)
Do seu auctor apenas sei que tem o appellido Leite.
=Estudantes= (Fado dos)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
56.
=Fadinho liró=
Composição de Francisco Jorge de Souza Bahia.
=Fadinhos= (Collecção de)
Auctor, Moraes. Esta collecção foi editada pela casa Moreira de Sá, no
Porto.
=Fadinhos Portuenses=
Só a lettra, e sem valor litterario. Collecção publicada no Porto pela
_Livraria Portugueza_, de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5.
Conheço o fasciculo 2.º, que comprehende: Fadinho Brazileiro, Fado dos
Amantes, Fado de S. Martinho, Fado do Caminho de Ferro. Transcrevemos
este ultimo:
Da estação de _Lisboa_
Ao _Poço do Bispo_ salto,
Vi os _Olivaes_ no alto,
Mais _Sacavem_, cousa boa;
Á _Povoa_ fui dar á tôa,
De longe _Alverca_ avistei,
De _Alhandra_ me aproximei,
_Villa-Franca_ tambem vi,
No _Carregado_ desci,
Por _Azambuja_ passei;
Eu vi do _Reguengo_ a ponte,
E de _Sant’Anna_ tambem;
Vi o _Valle de Santarem_,
Mais de _Santarem_ o monte;
_Valle de Figueira_ defronte,
_Matto de Miranda_ a par,
Fui _Torres-Novas_ passar,
Parei no _Entroncamento_;
De _Paialvo_ n’um momento
A _Chão de Maçãs_ fui dar;
De _Caxarias_--que tal?
Na _Albergaria_ me puz;
De _Vermoil_--catrapuz!
Dei co’ os ossos no _Pombal_;
A _Soure_ fui menos mal,
P’ra _Formoselha_ voei,
P’ra _Taveiro_ nem olhei,
Em _Coimbra_ quiz descer;
Depois de _Souzellas_ ver,
Á _Mealhada_ cheguei;
P’ra _Mogofores_ segui rumo,
Eu vi do _Bairro Oliveira_;
De _Aveiro_--que brincadeira!
Para _Estarreja_ fiz fumo;
Em _Ovar_ me puz a prumo,
No _Esmoriz_ quiz saltar,
Pelo _Espinho_ ali ficar,
Quiz ver a _Granja_ primeiro,
P’ra _Valladares_ fui ligeiro,
Té que ao _Porto_ fui parar.
=Fado= (Novas cantigas do)
Por Jayme de Sá. É publicação anterior a 1882, e foi feita no Porto
pelos editores Clavel & C.ᵃ, rua do Almada 119-123.
=Fado= (Um)
Vide Rey Colaço e _Fado plagiario_.
=Fado= (Um)
Para piano por D. Laura Gentil. Lisboa.
=Fado Nocturno=
Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.
=Fado Novo=
Auctor, Raymundo Varella.
=Fado Novo=
Na revista _Beijos de burro_, representada em abril de 1904 no theatro
do Rato em Lisboa.
=Fado Serenata=
Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa. Vide
_Sinhá_.
=Fados=
Rapsodia de _Fados_, para piano, composição do professor da «Tuna do
Diario de Noticias», Augusto Machado. Dedicados á sr.ᵃ D. Maria Guerra
Quaresma Vianna. Estão impressos, mas já antes haviam sido executados
em publico.
=Fados=
Por Veterano. Só a lettra, publicada no Porto, em 1902. São cinco
fados, contendo allusões pessoaes, como os seus titulos indicam.
=Fados=
Para piano, «escriptos expressamente para o «_Auto de Misericordia_»,
do Ex.ᵐᵒ Snr. Severim de Moraes, peça representada no Theatro D.
Amelia, no sarau dos distinctos estudantes da Escola Polythecnica por
A. Mantua».
São dois _Fados_. A lettra, como acima se diz, é de Severim de Moraes.
Do 1.º Fado:
Não te cances a estudar,
Toma tento com a morte:
Que passar ou não passar
É tudo questão de sorte.
Do 2.º Fado:
Quando em noutes de luar
Sósinha cantas o _Fado_,
Ouve-se alguem soluçar
No velho quarto do lado.
Sou eu que sonho acordado,
Sou eu que estudo e versejo;
Sou eu que em sonhos te vejo,
Ó dona do triste _Fado_.
=Fados modernos= (Collecção de)
Só a lettra, e sem valor litterario. Publicada no Porto pela _Livraria
Portugueza_ de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5. Contém:
Fado dos janotas (primeira parte), fado do adeus do degredado, fado do
verdadeiro amor, fado da velha presumida, fado do pescador, fado do
cego e o cão.
Fado do meu coração (segunda parte), fado do medo da trovoada, fado do
beijo, fado do pastor, fado do meu anjo.
Fado da saudade (terceira parte), fado de Lisboa, fado da minha
guitarra, fado do engeitado, fado da donzella e o espelho, fado do
pastor.
Fado do exercito (quarta parte), fado do ramalhete, fado da ultima
vontade, fado das tesouras, fado dos ladrões, fado das guitarras.
Fado do noivado (quinta parte), fado do meu desejo, fado do amor, fado
do escravo, fado d’um baptisado, fado dos padeiros.
Fado dos animaes (sexta parte), fado do que eu amo, fado do jantar,
fado das cosinheiras, fado das torradinhas.
Fado do engeitado (setima parte), fado dos dois esposos, fado da
mulher, fado das eleições, fado do casamento, fado do bebado.
Fado das aves (oitava parte), fado do leque, fado da desgraçada, fado
do desafio, fados das fructas.
Não sei se n’esta mesma collecção ou n’outra, da mesma casa, anda a
lettra dos seguintes Fados: Do Marquez de Pombal, de Luiz de Camões,
da Portugueza, da Deusa Venus, Lisboeta, Bréjeiro, do Exercito,
Descriptivo, Tripeiro, da Maia, etc.
Estes dois ultimos já se vendiam (1884) na antiga _Livraria
Civilisação_, do Porto, rua de Santo Ildefonso.
É curioso que no texto de qualquer dos dois _Fados_ não haja nenhuma
composição que justifique o titulo.
Sob a designação de _Fadinho Tripeiro_ estão incluidos:
A joven seduzida, A phylloxera, Não posso deixar de amar, Poucos se
affastam do vicio; e sob a designação _Fadinho da Maia_: O mendigo, A
miseria, Não chores! As criadas de servir.
Vide _Fadinhos Portuenses_.
=Fados modernos=
Collecção de 99 cantigas sob o titulo--_A Guitarra d’ouro_.
Collaboração de Augusto Garraio, Luiz de Athaide, Luiz d’Araujo,
Joaquim dos Anjos, Armelindo Veiga, Baptista Diniz, A. Roldão, Carlos
Harrigton, Celestino da Silva, Coimbra Lobo, Dupont de Souza, Eduardo
Fernandes, Ernesto Varella, Feliciano Correa, J. Rodrigues Chaves,
Julio Dumont, J. I. d’Araujo, Penha Coutinho, Salomão Guerra e F.
Napoleão de Victoria.
=Figueira da Foz= (Fado da)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
28.
É o n.º 2, com o epitheto de «rigoroso», da 1.ª serie da casa Sassetti.
Tambem publicado pelas casas Engestrom e Lambertini, de Lisboa; e
Eduardo da Fonseca, do Porto.
=Fonte da Sereia= (Fado da)
É o n.º 6 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.
Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.
A Fonte da Sereia, que deu o titulo a este _Fado_, pertence á bella
Quinta de Santa Cruz em Coimbra.
Hoje construiu-se n’essa magnifica vivenda d’outr’ora um bairro novo,
mas crèmos que a _Fonte da Sereia_ subsiste de pé.
=Furnas= (Fado das)
Musica de Alberto de Moraes; lettra de Candido Guerreiro.
Este _Fado_ deve ser de inspiração michaelense, porque o valle das
Furnas é o sitio mais bellamente pittoresco da ilha de S. Miguel.
=Garoto= (Fado do)
Lettra e musica de D. Ernestina Leite.
D’este _Fado_, bem como do anterior, são editores Benjamin &
Filgueiras, Lisboa.
=Gato= (Fado do)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
63.
É o n.º 6 na 1.ª serie da casa Sassetti.
O mesmo que _Fado Taborda_. Vide _Taborda_.
=General Boum=
O n.º 14 na 2.ª serie da casa Sassetti.
_General Boum_ é o nome de uma das personagens da operetta _A
Gran-Duqueza de Gerolstein_.
=Graça= (Fado)
A justificação do titulo está no facto de ter sido dedicada esta
composição ao sr. Silva Graça, proprietario e director do jornal _O
Seculo_.
=Guitarra= (A) =d’Almaviva=
Canções da plebe (collecção de _Fados_, cantigas) por Adelino Veiga.
Porto, 2.ª edição, 1882.
=Hylaria= (Fado da)
Publicado pela casa Engestrom; Lisboa.
=Hylario= (Fado ao)
Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 229.
=Hylario= (Fados do)
Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 225.
=Jacinto= (Fado do)
Veja-se _Armada_.
Jacinto era o nome do empresario de uns vehiculos, que faziam carreiras
nas ruas de Lisboa. Como os _Ripperts_, a empresa resistiu por muito
tempo, e ainda mais do que elles, á concorrencia dos carros americanos.
Esta resistencia tornou-se celebre pela tenacidade, apesar da pesada
contribuição que a camara municipal impoz ao Jacinto.
Por fim, a sua empresa seguiu o exemplo dos _Ripperts_ e deixou-se
absorver pela companhia dos americanos, com a qual se fundiu.
Agora vieram os carros electricos e metteram os americanos n’um
chinelo, como estes tinham mettido os _Ripperts_ e os _Jacintos_.
É a lei do progresso: _Celi tuera cela_.
=Janotas= (Fado dos)
Auctor, J. R. Cordeiro.
=João Blach= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de
_Fados_.
=João de Deus= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
73.
=João e Helena= (Fado)
É o n.º 21 na 2.ª serie da casa Sassetti.
=João Maria dos Anjos= (Fado)
Composto em 1868.
=Jorge da Silva= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de
_Fados_.
=José Ricardo= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz. José Ricardo é o actor d’este nome.
=Lamparina= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de
_Fados_.
=Lapa dos poetas= (Fado da)
É o n.º 5 da Collecção do estudante Candido de Viterbo. Editora, a
viuva Paula e Silva.
A Lapa dos poetas é um logar celebre e pitoresco na quinta das Cannas
em Coimbra.
=Lazarista= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
73.
=Leandro= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
69.
=Leça= (Fado de)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo
59.
É o n.º 16 na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.
Leça da Palmeira, certamente. Assim se chama a villa que se defronta
com a de Mattosinhos (arrabalde maritimo do Porto). O rio Leça,
separando as duas povoações, deu o nome a uma d’ellas.
Tambem nos suburbios do Porto ha Leça do Bailio, notavel ainda hoje
pelo seu templo gothico, que pertenceu á ordem militar de S. João de
Jerusalem.
O _Fado_ deve ser de Leça _da Palmeira_, terra de marinheiros e, por
conseguinte, de guitarras.
=Leixões= (Fado de)
Este _Fado_ é o n.º 35 na 3.ª serie da casa Sassetti.
Leixões, penedia distante meia legua da foz do Leça, deu o nome ao
porto artificial que procurou evitar os perigos da barra do Porto para
navios de maior tonelagem.
Tem um _Fado_, e já teve um poema (heroe-comico) _As viagens a
Leixões_, publicado em 1855 por Alexandre Garrett, irmão do visconde de
Almeida Garrett.
=Limoeiro= (Fado do)
Composição do Padre Borba.
=Linda-a-Velha= (Fado de)
Musica de Alberto de Moraes; lettra de Alfredo Portugal. Editores,
Benjamin & Filgueiras, Lisboa.
Linda-a-Velha (Ninha-a-Velha se dizia antigamente) é uma graciosa
povoação, que se ergue sobre um cabeço, na freguezia de Carnaxide,
dominando o largo panorama do Tejo.
=Liró= (Fadinho)