_Em dia de Santo Antonio,
Toda a gente faz banzé;
Lá na praça da Figueira
Sempre ha socco e ponta-pé._
No Rocio ha bons bailados,
Na Praça muito empurrão;
Os que andam na multidão
Vem para casa estafados
Uns guinchos disparatados
Da flauta tira o laponio,
Sempre me lembra o demonio
Quando vejo mil fogueiras
E na rua as vendedeiras
_Em dia de Santo Antonio_.
Muita gente vae sornar
Lá p’ras bandas da Trindade;
E depois a liberdade
Lhe custa reconquistar.
Tem as custas de pagar
Por ter andado zaré.
N’estas noites de filé
Da nossa população
É jogar o cachação,
_Toda a gente faz banzé_.
Segue depois outro santo
S. João, santo adorado.
Novo motim é travado,
Ha riso, amor, odio, pranto
Á sombra do rico manto
Da policia sempre ordeira
Lá vae muita bebedeira
Parar á casa da guarda,
Pois quasi sempre ha bernarda
_Lá na Praça da Figueira_.
Segue S. Pedro, e o povinho
Da lucta não está cansado;
Toca a andar muito exaltado
Pelo fumo e pelo vinho.
Louvam mais a S. Martinho
Que a S. Pedro, o rei da fé!
Fazem grande fincapé
Nos palmitos e assucenas,
E por causa das pequenas,
_Sempre ha socco e ponta-pé_.
Os _Fados_ sobre crimes notaveis são vulgarissimos; como já dissemos,
apparecem frequentes vezes, em folhas volantes. Damos, por isso, apenas
um _specimen_: