CAPITULO IX.

Do modo com que se despacha o tabaco na alfandega da Bahia.

Beneficiado, e enrolado o tabaco, e pago o seu dizimo a Deos, que he

de vinte arrobas huma (e rende este dizimo hum anno por outro dezoito

mil cruzados, como consta do arrendamento do dizimo, que se tira da

cachoeira da Bahia, e suas freguezias annexas, fóra o que se lavra

pelas mais partes do sertão della em Sergipe d’El-Rei, Continguiba, rio

Real, Inhambupe, Montegordo, e Torre, que apartado do rendimento do

dizimo do assucar, e mais miunças, rende dez até doze mil cruzados),

vem pagando nos carretos e fretes para a cidade da Bahia, até se meter

em huma sua propria alfandega, aonde se despachão para Lisboa, hum anno

por outro, de vinte e cinco mil rolos para cima, os quaes pagão, por

hum contracto da camara, a setenta e seis réis por cada rolo; e destes

tem El-Rei a terceira parte: e as duas são para o presidio da mesma

cidade, que importão cinco mil cruzados.

Pagão mais a huma balança, a tres réis por arroba, que a camara arrenda

na mesma forma já dita, e importa mil e duzentos cruzados.

Deste tabaco se permitte a extração de treze mil arrobas para a

navegação da costa de Mina, que se arrumão em cinco mil rolos pequenos

de tres arrobas; os quaes tambem pagão setenta réis por cada rolo para

o sobredito contracto da camara, e importa mil cruzados.

Destas tres mil arrobas se pagão por dizimo a El-Rei quatro vintens

por arroba, e pagão-se na casa dos contos: o que importa tres mil

cruzados.

Vão para o Rio de Janeiro todos os annos, tres mil arrobas: as quaes

nada pagão na Bahia, mas vão a pagar no dito Rio de Janeiro, vinte

cinco mil cruzados cada anno por contracto d’El-Rei, o qual pouco mais

ou menos por tanto se arrenda.

E tudo o que neste capitulo do despacho do tabaco está dito, importa em

sessenta e cinco mil e duzentos cruzados.

Cultura e opulencia do Brasil por suas drogas e minas · 第 100 / 131 题