El-rei D. Manuel recommenda no seu testamento a _Excellente Senhora_,
como já o fizera o seu antecessor: «Item, pelo conjuncto devido que tenho
com a mui Excellente Senhora minha prima, e por suas muitas virtudes, e
pela obrigação em que por estes respeitos lhe são, e pelo carrego que
d’ella e de todas suas coisas com razão o rei de Portugal deve em todo
tempo ter, encommendo muito ao principe meu filho, que sempre d’ella
e de sua consolação tenha mui grande e especial carrego, visitando-a
e honrando, e tratando como ella o merece, por todas as razões
sobredictas, e em todas suas coisas seja alli tratada como eu sempre
folguei de o fazer, e é razão que assim se lhe faça, e aos deputados
ao governo encommendo e mando que emquanto no governo estiverem lhe
façam mui inteiramente pagar os dinheiros que tem de seu assentamento,
e n’aquella propria fórma e maneira que agora se lhe faz, e se melhor
lhe puder fazer, assim será mui bem que lhe seja feito, e muito lhe
encommendo que de isso, e de todo o que lhe cumprir tenham grande e
especial cuidado, e entre os mais principaes, isto lhe encommendo muito
em especial.»
Um anno depois da morte de D. Manuel, isto é, em 1522, a _Excellente
Senhora_, intitulando-se rainha de Castella, fez doação solenne de todos
os seus direitos a el-rei D. João III, considerando-o como seu filho
legitimo, e universal herdeiro, visto ser «já em tanta edade constituida
que não era tempo para haver de casar, nem poder haver filho natural
legitimo descendente, que os dictos seus reinos e senhorios por seu
fallecimento haja de herdar».
D. João III, que presente estava, acceitou, e recebeu, e prometteu ter
e manter os dictos reinos e senhorios de que a _Excellente Senhora_ lhe
fazia doação.
Foram testemunhas d’este acto o barão de Alvito, veador da fazenda real,
Luiz da Silveira, do conselho de el-rei e seu guarda-mór, e Ruy Figueira,
veador da fazenda da mesma senhora.
Subscreveu o auto o secretario Antonio Carneiro.