Minto:
apareceu, sim, mas veio de sopetão. Primeiro foi se adelgaçando o
negrume, foram despontando as estrelas; e estas se foram sumindo no
coloreado do céu; depois foi sendo mais claro, mais claro, e logo,
na lonjura, começou a subir uma lista de luz... depois a metade de
uma cambota de fogo... e já foi o sol que subiu, subiu, subiu até
vir a pino e descambar, como dantes, e desta feita,
para igualar o dia e a noite, em metades, para sempre.
X
Tudo o que morre no mundo se junta à semente de onde nasceu, para
nascer de novo: só a luz da _boi-tátá_ ficou sozinha,
nunca mais se juntou com outra luz de que saiu.
Ainda sempre se arrisca e só, nos lugares onde quanta
carniça houve, mais se infesta. E no inverno, de entanguida,
não aparece e dorme talvez entocada.
Mas de verão, depois da quentura dos mormaços,
começa então seu fadário.
A _boi-tátá_ , toda enroscada, como uma bola — _tátá_, de fogo! —
empeça a correr pelo campo, coxilha abaixo, lomba acima,
até que horas da noite!...
É um fogo amarelo e azulado, que não queima a macega seca
nem aquenta a água dos manantiais; e rola, gira, corre,
corcoveia e se despenca e arrebenta-se, apagando...
e quando menos se espera, aparece, outra vez, do mesmo jeito!
Maldito! T’esconjuro!