E porque são elles meus? Porque nasceram das mesmas doutrinas, que hoje

professo: da theoria sobre monumentos de que deduzi a necessidade de ser

o de D. Pedro uma eschola e não um obelisco. Que tenho eu dicto e

repetido talvez até a impertinencia? Que as condições accidentaes dos

monumentos devem ser determinadas pelo espirito da épocha em que são

edificados; que elles são uma chronica de pedra, um documento, que o

vulgo não lê porque lhe ignora a paleographia, mas de que o homem da

sciencia historica sabe aproveitar-se: que é necessario haver harmonia

entre o seu modo de ser, e as circumstancias dos que o consagram. Eis a

minha doutrina de que tudo quanto tenho escripto ácerca do monumento de

D. Pedro, não é mais do que a applicação ou o commentario.

E a que pessoa habituada a generalisar e applicar principios, não ficará

evidente que bem longe de repellirem esta doutrina, os artigos que

escrevi no Panorama contra os homens do camartello, não são mais do que

uma consequencia della? Que pedi eu ahi? Que não despedaçassem a

chronica de pedra, que não rasgassem os documentos da historia; porque o

mosteiro, a muralha, a cathedral, a torre, eram documentos historicos;

porque nellas estava estampada a vida social e íntima das gerações que

os haviam exarado. Peço hoje que se faça um monumento com as mesmas

condições, e dizem-me que me contradigo! Se o valor e o crêr português

dos séculos XIV e XV e ainda do principio do XVI, estivesse

representado, não pela muralha de D. Fernando, pela Collegiada de

Guimarães, pela Batalha, ou pelo mosteiro de Belem, mas por pyramides,

obeliscos e columnas, e eu tivesse pedido que não os derribassem, não

poderiam dizer que actualmente eu tinha opinião diversa da que seguira.

Mas a idade média symbolisou-se a si propria nos monumentos dos seus

homens illustres: fez o que todas as épochas e todos os povos fizeram; e

porque depois de demonstrar essa verdade, digo aos meus

compatricios--,não vos afasteis da grande logica do

género-humano,--respondem-me--_Rácca_!? Como será possivel

esquivarmo-nos a um sentimento de compaixão, quando vemos assim

calcarem-se aos pés os dictames do senso commum?

Eu não condemnei nesses artigos só os que derribavam os monumentos:

condemnei igualmente os que os pervertiam; os que lhes mudavam o

aspecto, os que viciavam aquella especie de documentos. Em que se

fundava a condemnação? Em que os monumentos assim transformados

conservariam talvez o seu caracter essencial, o _lembrarem_ o individuo,

ou a cousa, mas perderiam as suas condições de historia social. Não

dependia pois a justiça das minhas invectivas de partir dos mesmos

principios que hoje invoquei a favor da eschola contra a columna? Se não

partia dahi, qual podia-ser a idéa fundamental do que escrevi?

É exactamente estribando-se na doutrina que sigo, que se pode interpor

um veto ás assolações do vandalismo. Se os monumentos servem tambem como

diplomas que illustrem a verdadeira historia, a da sociedade, é preciso

respeitá-los todos. Embora tendo de escolher forçosamente entre a ruína

de um que lembrasse um homem eminente, e representasse uma épocha

gloriosa e a doutro que fosse consagrado a um tyranno, e representasse

um período de servidão e decadencia, devessemos preferir a salvação do

primeiro; onde esta força maior não existir todos elles devem

respeitar-se; o do máu para sua condemnação, o do bom para seu elogio;

ambos para nos ajudarem a avaliar as épochas que representam por

condição accessoria.

Mas depois disto; depois de provada a unidade das minhas doutrinas a

este respeito, com que direito associa o auctor dos artigos do _Correio_

as suas opiniões ao que escrevi contra os caiadores e destruidores dos

monumentos? Quem lhe deu o direito de tambem se rir desses vándalos?

Rir-se?!--Quando eu invectivava contra a camara de Lisboa por arrasar a

muralha de D. Fernando, e a velha torre de Alvaro Paes: quando eu

estampava o ferrete d'insensatos na fronte dos que deturpavam

vergonhosamente o templo de Guimarães, não devia elle descer da altura

da sua intelligencia até o rasteiro da minha, e dizer-me: «Calai-vos;

porque aos monumentos não se pode associar idéa alguma de utilidade, o

monumento é exclusivamente um ponto de contacto entre a admiração e a

glória, e essas edificações de que falaes não são monumentos. O templo

servia para o culto de Deus, e ao mesmo tempo era uma eschola onde se

ensinava a limitada sciencia daquellas eras: a muralha e a torre serviam

para defender Lisboa dos castelhanos. Que vos importa que os vereadores

arrasem umas paredes velhas, e os cónegos caiem um templo gothico?

Porque chamaes monumento ao que não o é? Embora D. Fernando mandasse

esculpir na sua obra gigante uma inscripção que recordasse aos vindouros

quem a tinha alevantado: embora D. João I testemunhasse por documentos

irrefragaveis que elle queria em S. Maria da Oliveira deixar uma memoria

de si á posteridade, D. Fernando e D. João I enganaram-se ou mentiram.

As suas obras não podiam ser monumentos, porque elles lhes associaram a

utilidade!

Eis o que o meu adversario para ser consistente em suas doutrinas devia

ter feito emvez de se rir comigo. Isto era melhor do que pretender achar

contradicções, que existem, nas opiniões d'alguem: não, por certo, nas

minhas.

Emquanto me persuadi de que razões, exemplos, poesia, decencia,

moralidade podiam impedir que se fizesse ao Duque de Bragança uma

injúria de pedra, escrevi. Agora que o meu contendor (que eu tenho

motivos para crêr bem informado) me assegura que não _terá logar_ a

emenda, e que o absurdo palimpsesto de Phocas se ha-de erguer no Rocio,

deponho as armas, porque o combate é inútil. O protesto em nome da

opinião do país, da razão, do respeito ás tradições humanas e á memoria

de um principe illustre, ahi fica. O futuro não actuado pelas nossas

paixões mesquinhas nos julgará. Isto importa-me um pouco mais que o

juizo de certa gente.

UM LIVRO DE V. F. NETTO DE PAIVA

1843

UM LIVRO DE V. F. NETTO DE PAIVA

Centro e instituição principal do ensino superior no nosso país, a

universidade de Coimbra offerece nas phases da sua existencia um dos

meios mais seguros para podermos avaliar o progresso ou decadencia das

sciencias e das letras em Portugal. Em todos os tempos, desde a sua

fundação até hoje, é por ella que a historia se tem regulado para

avaliar o estado de intellectualidade nacional. E, de feito, é daquelle

fóco de luz que por cinco séculos se tem derramado a illustração para

todos os angulos de Portugal, illustração boa e verdadeira porque em

harmonia sempre com o estado e precisões da nossa sociedade.

Sejam quaes forem as mudanças que a nova organisação politica do país,

as suas novas necessidades, e as doutrinas mais esclarecidas do século

actual nos obriguem a fazer no systema do ensino público, é minha

convicção profunda que a universidade, longe de se dever guerrear com o

intuito de a aniquilar ou pelo menos de lhe diminuir a importancia, se

ha de augmentar e completar, convertendo-se em verdadeiro sanctuario da

sciencia no mais alto e puro sentido destas palavras. Quanto mal ella

pode produzir--e é incontestavel que no estado actual da instrucção

pública aquella academia pode gerar, e talvez gera já, graves damnos

sociaes--tudo isso nasce não da essencia do instituto, mas da falta de

philosophia politica que tem presidido a todas as reformas até agora

feitas no ensino público. Quando a universidade representar tanto em

extensão como em intensidade, o maximo grau de progresso scientifico;

quando as condições litterarias exigidas para ser inscripto no livro dos

alumnos forem taes que só intelligencias eminentes possam arrostar com

os obstaculos postos á frequencia das faculdades, e ainda depois disso á

acquisição dos graus; então o influxo daquelle instituto será de muitos

modos benefico, e as unicas accusações attendiveis e sérias que se fazem

contra elle cairão completamente por terra.

Posto pertença áquelles a quem incumbe organisar a instrucção pública,

estabelecer por via da lei esta ordem de cousas de um modo fixo e

positivo; todavia ao alcance dos professores está o ir aplanando o

caminho para essa gravissima reforma. São elles, que podem trazer pela

práctica a doutrina, pelo facto o preceito. Posta realmente a sciencia

na universidade a par dos conhecimentos conquistados em toda a Europa, o

mais é comparativamente facil, logo que haja um governo que entenda o

verdadeiro systema d'ensino nacional, em relação aos interesses moraes e

materiaes da nação.

Muitos dos novos professores da universidade teem concebido claramente

estas doutrinas e avaliado a sua importancia. Os compendios sobre

diversas materias que se tem publicado em Coimbra nestes últimos annos,

são disso prova cabal. Elles destroem os preconceitos arreigados em

muitos espíritos contra a universidade.

Estes preconceitos são de dous géneros, ambos ridículos, tacanhos e

indignos de entendimentos alumiados. Segundo uns, com as cabelleiras do

marquez de Pombal, com as abbatinas, e com os ademanes de uma gravidade

estudada e de linguagem oracular, a sciencia desappareceu. Professores

mancebos, cheios de energia, de vida intellectual, de amor de gloria, e

vendo diante de si a imprensa, que hoje tem o direito de os julgar, são

incapazes de conservar e augmentar o esplendor das letras, porque falam

como os outros homens e com elles, porque trajam e vivem como toda a

gente. Esta é a preoccupação dos filhos do século passado, preoccupação

innocente, que a morte vai diariamente desfazendo até a aniquilar de

todo. Segundo outros a universidade é velha porque é antiga, e por isso

incapaz de progresso; logica de peralvilhos, logica bruta que em vez de

melhorar o que é susceptivel de ser melhorado, o destroe, sem examinar

se ahi havia alguma cousa util e respeitavel que aliás se não pode

supprir; como se a nação não fosse ainda mais antiga que a universidade,

e se para a elevar á grandeza e à civilisação do século, fosse preciso

aniquilá-la e substitui-la por outra nação amassada de novo barro. Estes

taes suppõem estabelecido na ponte do Mondego um embargo perpétuo para

os livros, para os instrumentos scientificos, para as idéas, para tudo o

que representa actualidade e progresso, por que fora de Lisboa não

suppõem possivel salvação litteraria, e as barreiras da capital são os

limites do seu orbe cathedratico. Similhante crença, não é innocente

como a dos velhos, é absurda, mas perigosa. É della que nasce em boa

parte a guerra lenta, mas tenaz que se vai alevantando, não contra o que

a universidade tem de mau, que essa é justa e legitima, porém contra a

sua existencia, o que é altamente insensato.

A grande resposta que a universidade tem dado, e me parece que hade

continuar a dar, são as prelecções dos seus professores, os seus

compendios e livros. Não creio cegar-me pela amizade se asseverar que

nesta lucta grande e nobre um dos campeões mais distinctos é o sr.

Vicente Ferrer, auctor dos _Elementos de Direito das Gentes_, e que este

anno acaba de publicar o seu _Curso de Direito Natural, segundo o estado

actual da sciencia_. Encarregado do ensino daquelles difficultosos ramos

da sciencia que tocam por um lado na critica da razão prática ou

philosophia moral, e por outro na jurisprudencia positiva, o sr. Ferrer,

vencendo os embaraços que lhe offerecia a gravidade da materia, e ao

mesmo tempo as distracções a que o tem constrangida a carreira politica

era que por vezes o lançou já o voto dos seus concidadãos, elaborou e

redigiu no meio desses embaraços e agitações dous compendios

importantissimos, que não só falam pela universidade, mas honram o país,

que pode gabar-se de possuir professores dignos do século em que vivem,

e da grave missão do magisterio que lhes foi confiada.

Constrangido a seguir nas suas prelecções o compendio de

Martini--_Positionis de Lege Naturali_--adoptado pelo conselho da

faculdade de direito, o sr. Ferrer applicou-se principalmente a dous

fins: a illustrar as obscuridades frequentes naquelle célebre escriptor,

e a modificar as suas doutrinas pelas dos mais afamados auctores

modernos e pelos proprios estudos e cogitações. Assim o curso do sr.

Ferrer é uma especie de commentario perpétuo a Martini e ao mesmo tempo

o resumo substancial das opiniões dominantes, principalmente na

Allemanha, pais que por via de regra é o fóco de toda a sincera e

verdadeira sciencia. Numa épocha em que a liberdade chama todos os

cidadãos a avaliarem os proprios direitos e deveres, o livro do sr.

Ferrer não é uma obra puramente universitaria. As obrigações e os

direitos politicos e civis lá vão assentar na jurisprudencia natural.

Importa conhecer esta para conhecer até onde se estendem tanto umas como

outros.

FIM DO VOLUME VIII

INDICE

Advertencia

Da pena de morte (1838)

A imprensa (1838)

Da eschola polytechnica e do collegio dos nobres (1841)

Nota

Instrucção pública (1841)

Uma sentença sobre bens reguengos (1842)

A eschola polytechnica e o monumento (1843)

Um livro de V. F. Netto de Paiva (1843)

NOTAS

[1] Veja a nota que se segue ao capítulo final.

[2] Foi desde aqui até fim do capítulo que o Auctor passou os traços em

cheio de que falamos na _Advertencia_.

[3] Não é meu intento renovar as desgraçadas contendas que em 1835 se

alevantaram entre a Universidade e o Instituto, e que terminaram pela

ruina deste: alludo ao que vi e ouvi por Lisboa, onde então casualmente

residia. A Universidade tinha em parte razão; não só foi imprudente o

annunciar a transferencia das faculdades de sciencias naturaes para a

capital, mas a execução deste intento seria damnoso ao progresso dessas

sciencias, considerado o negocio á luz puramente especulativa, e além

disso estaria em contradicção com os principios do verdadeiro systema

d'instrucção nacional, porque facilitaria o augmento de classes

excepcionaes. Fora necessario ter reformado completamente as leis sobre

estudos, para se poder, por exemplo, estabelecer a faculdade de medicina

em Lisboa, e virem a ter peso as considerações que se costumam offerecer

em abono dessa mudança. Em todo o caso é certo que a grande reforma da

Universidade está, segundo meu entender, em alargar nella o ambito da

sciencia, isto é, em completá-la quanto a materias d'ensino, e em

diminui-la quanto ao número d'alumnos, para que não regorgitem de

individuos as classes excepcionaes que ella alimenta. A Universidade

deve ser o padrão por onde só affira tudo o que diz respeito á

intelligencia: a sua missão é duplicada--d'eschola quando provê de novos

sugeitos as classes excepcionaes; d'academia, quando os seus membros,

vivendo pela sciencia e para a sciencia, teem na mão o facho que allumia

as eschola d'applicação, o facho dos progressos puramente especulativos.

[4] A revisão mais accentuada pelo Auctor parou aqui. Nos capitulos

seguintes, exceptuando o final do V, foi mais leve e nalguns pontos

apenas indicativa de contornos de linguagem que não chegaram a ser

effectuados.

[5] Para não sermos demasiado extensos enviamos os leitores ao que se

disso sobre as escholas da Prussia no _Repositorio Litterario_, jornal

publicado no Porto em 1833--e os que souberem francês ao _Relatorio

sobre a Instrucção Publica na Alemanha_ por Victor Cousin, e á

excellente obra de Ducpétiaux _sobre o estado da Instrucção primaria e

popular na Belgica_.

[6] De L'Instruction Publique en France (Paris 1840) pag. 38

[7] A publicação não continuou. Entre os pontos que ficavam por discutir

na especialidade estavam indicados pelo Auctor os relativos á capacidade

e remuneração dos professores. Nas attribuições da eschola polythecnica

incluira elle, como sabemos, as de eschola normal de ensino geral

superior, faltando-lhe tractar das escholas normaes de ensino elementar.

Quanto ao systema de remuneração dos professores, importantes indicações

teria porventura do acrescentar ás expostas no exame da proposta

governamental, para o definir cabalmente. Todavia a nossa referencia a

estes pontos não é para nos demorarmos em conjecturas, mas para

offerecermos aos leitores o resumo de algumas considerações que se

prendem com o último e que o Auctor expôs na camara dos deputados, na

mesma sessão em que proferiu as que nos serviram para anotar o artigo

sobre imprensa. Discutia-se na camara um projecto permittindo em

princípio aos funccionarios públicos aposentados o desempenho de outras

funcções depois da que tivessem exercido, accumulando vencimentos. Havia

a commissão de instrucção pública proposto a applicação delle aos

professores de primeiras letras e na camara se estranhou o exclusivismo

da proposta, tendo-se por melhor que ella se tornasse extensiva aos

officiaes militares, aos magistrados e a todos os professores. Alguem

houve até que ponderasse a necessidade do parlamento ser cauteloso

quanto áquelles professores, tendo em vista a quantiosa verba que se

diapendia com elles.

Como relator da commissão, respondeu A. Herculano que não era da

competencia desta tractar de todas as generalisações de que se falava.

Que, sem afastar-se da sua esphera de iniciativa, ella se lembrara dos

professores de ensino primario por motivos de justiça absoluta. Estes

humildes funccionarios, além de servirem a sociedade no presente, lhe

ministravam os germens de futuras prosperidades que ella ia accumulando

successivamente, porque a educação e illustração do povo eram fontes

illimitadas de progresso. Dahi nascia para elles o direito a uma

retribuição tambem complexa. Nas suas mãos se transformavam em cidadãos

os serranos, os serranos que muitas vezes não distavam tanto dos animaes

como do homem civilisado. Que os militares, os magistrados e outros

funccionarios públicos gozaram de honras e proventos quo conquistavam

gradualmente até attingirem eminentes posições sociaes, emquanto para

aquelles benemeritos obreiros da civilisação estava vedado o caminho

para além da sua triste obscuridade. Por isso a commissão se lembrara

delles, conformando-se, porém, com as razões de justiça e conveniencia

públicas que aconselhassem a applicação do projecto a outras classes.

Acaso poderiamos concluir destes argumentos que A. Herculano, a

proseguir nos seus artigos, pensasse em crear uma gerarchia na classe

dos professores de ensino elementar, além de favorecer esta classe com

outras concessões, como a quo estava em discussão e foi approvada?

Parece provavel e por isso apontamos a idéa nesta nota.

[8] A lei mental não vigorou só desde a épocha da sua publicação.

Effectivamente D. João I se tinha regulado por ella, do que se acham

vestigios na sua chancellaria.

[9] 1 _Monumentum est quidquid ob memoriam alicujus factum est_.--Todos

sabem que o genitivo _alicujus_ significa dalguem ou _dalguma cousa_.

[10] Revol. España, T. 1, L. 1.

[11] Cours d'Econ. Pol. (1842) T. 1, p. 9, 23, 436, 611, 618 etc. T 2,

pag. 283, 287. 353 etc.

[12] Traité de Legislat. Liv. 5, C. 21.

[13] Discuours de Recoption à l'Acad. Franç.

[14] Dix Ans d'Etudes Hist. C. 6.

Opúsculos por Alexandre Herculano - Tomo 08 · 第 14 / 14 段