Desde a mais remota antiguidade, sempre as mulheres tiveram a sua
_queda para os tolos._
Alcibiades, Socrates e Platão foram sacrificados por ellas aos
presumidos do tempo. Turenne, la Rochefoucauld, Racine e Molière,
foram trahidos por suas amantes, que se entregaram a basbaques
notorios. No seculo passado todas as boas fortunas foram reservadas
aos pequenos abbades. Estribados nesses illustres exemplos, as nossas
contemporaneas continuam a idolatrar os decendentes dos idolos das
suas avós.
Não é nosso fim censurar uma tendencia, que parece invencivel; o que
queremos é motival-a.
Por menos observador e menos experiente que seja, qualquer pessoa
reconhece que a toleima é quasi sempre um penhor de triumpho.
Desgraçadamente ninguem póde por sua propria vontade gozar das
vantagens da toleima. A toleima é mais do que uma superioridade
ordinaria: é um dom, é uma graça, é um sello divino.
«O tolo não se faz, nasce feito.»
Todavia, como o espirito e como o genio, a toleima natural fortifica-se
e estende-se pelo uso que se faz della. É estaccionaria no pobre diabo
que raramente póde applical-a; mas toma proporções desmarcadas
nos homens a quem a fortuna, ou a posição social cedo leva á pratica
do mundo. Este concurso da toleima _innacta_ e da toleima _adquirida_
é que produz a mais temivel especie de tolos, os tolos que o academico
Trublet chamou «tolos completos, tolos integraes, tolos no apogêo da
toleima.»
O tolo é abençoado do céo pelo facto de ser tolo, e é pelo facto de
ser tolo, que lhe vem a certeza de que qualquer carreira que tome,
hade chegar felizmente ao termo. Nunca solicita empregos, aceita-os
em virtude do direito que lhe é proprio: _Nominor leo._ Ignora o que
é ser corrido ou desdenhado; onde quer que chegue, é festejado como
um cónviva que se espera.
O que oppor-lhe como obstaculo? É tão energico no choque, tão igual
nos esforços e tão seguro no resultado! É a rocha despegada, que rola,
corre, salta e avança caminho por si, precipitada pela sua propria
massa.
Sorri-lhe a fortuna particularmente ao pé das mulheres. Mulher
alguma resistio nunca a um tolo. Nenhum homem de espirito teve ainda
impunemente um parvo como rival. Porque?... Ha necessidade de
perguntar porque? Em questão de amor, o parallelo a estabelecer
entre o tolo e o homem de siso, não é para confusão do ultimo?