Reino de Lião, onde então reinava El-Rei Dom Affonso, primo com irmão do
Ifante Dom Pedro, e como foram partidos chegaram a Sevilha mandados de
Mirabolim de Marrocos que logo lhe prendessem, e tornassem o Ifante, e
cortassem as cabeças a todos os seus, mas deste perigo, e doutros muitos
prouve a Deos que o Ifante, e os seus, pelos merecimentos dos Santos
Martyres, cujo devoto era, fossem como foram, livres, e seguros, e como
chegassem a Astorga um hospede onde foram agazalhados havia trinta annos
que assi era doente, e tolheito de parlezia, que do officio da fala, e
dos membros era de todo privado, e ouvindo as grandes maravilhas dos
Santos Martyres, que os Christãos consigo traziam, lançado em terra ante
a Arca em que suas sagradas Reliquias eram guardadas, pedindo-lhe com
muitas lagrimas, e grande devação remedio para sua doença, logo ahi á
vista de todos recebeo na fala, e em todos os membros perfeita saude, e
o Ifante Dom Pedro não veio com as Reliquias dos Martyres a Coimbra; mas
de Astorga mandou com ellas Affonso Pires de Arganil, que era Rico
homem, e pessoa de grande credito, porque o Ifante Dom Pedro não era bem
avindo com El-Rei Dom Affonso de Portugal seu irmão.
CAPITULO XV
_Como as Reliquias dos Martyres foram recebidas, e como foi a morte
da Rainha Dona Orraca, molher del-Rei Dom Affonso, e das cousas que
foram vistas_
Como Affonso Pires chegasse a Coimbra onde a fama dos Santos Martyres já
era, a sobredita Rainha Dona Orraca molher deste Rei Dom Affonso de
Portugal, que ahi estava com o povo junto, que com toda a Cleresia, e
mui devota, e solenne Procissão, saio a receber as sagradas Reliquias, e
com muita devação, e grande solennidade as levaram ao Moesteiro de Santa
Cruz, onde mui honradamente as leixaram, e como a nova do glorioso
Martyrio destes Santos Frades chegasse a S. Francisco, alegrando-se em
seu espirito, disse: «Agora verdadeiramente posso dizer que tenho cinco
irmãos». E no mesmo anno em que estes Martyres foram mortos segundo
testemunho das santas Lições, que delles se dizem, por sua vingança a
ira, e indinação de Deos, veio contra El-Rei de Marrocos, e seu Reino,
porque a propria mão direita, e braço çom que o dito Rei Mouro matou os
Santos Frades, todos seus membros daquella parte até o destro pé, foram
todos secos, e por maldição da sua terra, nos tres annos seguintes apoz
este Martyrio, não choveo nella couza alguma, de que se seguio mais, que
por cinco annos continos houve tanta fome, e tão cruas pestilencias nos
homens, que a mór parte da gente por tamanha mortindade foi destruida
por tal, que os annos da vingança fossem iguaes ao numero dos Santos
Frades.
E porque a Profecia dos Santos Frades em todo se comprisse a sobredita
Rainha Dona Orraca passadas mui poucas horas, depois que ás Santas
Reliquias foi dada divina sepultura, ella Rainha chea de virtudes acabou
sua vida, e dahi foi levada a Alcobaça onde jaz, e á mesma hora que ella
faleceo, sendo a noite profunda, Dom Pedro Nunes Conego, e Sacristão do
Moesteiro de Santa Cruz, Varão por Santidade mui esclarecido, e
Confessor da mesma Rainha, vio innumeraveis Frades Menores entrar no
Choro antre os quaes era um, que aos outros com grande solennidade
precedia, e apoz elle cinco antre todolos outros com honra singular mais
excellentes, e como no Choro com procissão assi entraram logo com doce
melodia que se não póde dizer, cantaram as Matinas, e o dito Pedro Nunes
Sacristão, sendo pelo que vio todo atonito, perguntou a um delles, a que
vieram, e porque lugar tantos Frades em tal hora entrassem, sendo
serradas todalas portas do Moesteiro, o qual lhe respondeu: «Nós todos
que aqui vez somos Frades Menores, e agora reinamos com Christo, e
aquelle que vez, que com tanta gloria precede aos outros, é S. Francisco
que tanto dezejastes ver nesta vida, e aquelles cinco, que antre os
outros tem mais excellencia são os Frades, que em Marrocos por Christo
receberam Martyrio, e neste Moesteiro são sepultados, e sabe que a
Rainha Dona Orraca nesta ora passou desta vida, e porque ella de todo
coração amou nossa Ordem, Nosso Senhor Jesu Christo nos enviou cá todos,
porque por sua honra disessemos aqui Matinas, e porque tu eras seu
confessor, quiz Deos que tu visses estas couzas, e da morte da Rainha
não duvides; porque na hora que daqui partirmos ouvirás logo certa
nova». E aquella Procissão sendo todas as portas do Moesteiro serradas
logo sairam, e nesta hora aquelles que eram da familia da dita Rainha
bateram ás portas, e denunciaram que ella tinha já paga sua necessaria
divida á carne, e falecera.
CAPITULO XVI
_Como Santo Antonio por exemplo destes Martyres tomou o habito de
S. Francisco, e do que seguio em Marrocos por milagre, e da morte
del-Rei Dom Affonso_
Despois que estes Santos Martyres começaram de resplandecer com mui
claros milagres que muitos em sua mais profuza lenda se contem, e por
exemplo delles o Bemaventurado Antonio que a este tempo era Conego no
Moesteiro de Santa Cruz mesmo, e se chamava Fernando Martins, ardendo
com dezejo de semelhante Martyrio, entrou na mesma Ordem dos Menores, em
idade de vinte e cinco annos, e nella acabou dez annos, exclarecido em
Santidade, e com milagres. E por esta ida destes Frades, o mesmo S.
Francisco, porque seu exemplo ardia em gram fervor, e dezejo de
Martyrio, passou com sete Frades a terra de Suria, e foi ao Gram Soldam,
e como quer que com grande constancia, e mui sem medo lhe prégasse a Fé
de Christo, o Gram Soldam o tornou a enviar livremente, e são a sua
propria terra.
E acha-se por lembranças antigas, que por este Martyrio destes Santos
Frades ser tão cruamente feita em Marrocos, e com tanto desprezo de
Deos, e de sua palavra, houve em todo aquelle Reino tantas
esterilidades, e securas, e por tantos annos, que esteve para de todo se
despovoar, e porque geralmente antre elles, e pelo povo se dizia que
tamanha maldição não viera á terra salvo pela inocente morte dos
Religiosos, El-Rei a cujas orelhas este rumor, e clamor chegara, tendo
sobre esso concelho com os Mouros, e tambem com os Christãos, que
estavam ahi, acordaram que onde padeceram, que ali com grande
arrependimento, e gemidos, e muitas lagrimas viessem, como vieram pedir
a Deos que havendo por esso com elles piedade, se diz que logo choveo, e
veio á terra acostumada avondança em todalas cousas, por cujo beneficio
se affirma que El-Rei de Marrocos com todo seu povo prometeram, e
ordenaram que da mesma Ordem dos Frades Menores fosse dado Sacerdote, ou
Bispo a todolos Christãos, que em Marrocos, e em sua terra vivessem, e
que os Frades fizessem ahi Moesteiro da Ordem de S. Francisco, em que
livremente sempre estivessem, e dessem os Sacramentos aos Christãos sem
algum receio, o que por muitos annos assi comprio.
E deste anno de Christo de mil e duzentos e vinte, em que esto sucedeo,
até o anno de mil duzentos e vinte e quatro em que este Rei Dom Affonso
faleceo, não achei que elle fizesse, nem em seu Reino sucedesse outras
cousas notaveis, pelo qual tendo elle trinta e sete annos de sua idade,
e havendo doze annos que Reinava, faleceo na era de nosso Senhor de mil
e duzentos e vinte e quatro, (1224) e jaz em Alcobaça, com a Rainha Dona
Orraca sua molher, na Capella grande, que elle em sua vida mandou fazer
diante a porta do Moesteiro, e neste anno se diz que foi mudado o
Convento de Santa Maria, a antiga á nova Egreja, e Moesteiro de
Alcobaça, que El-Rei D. Affonso Anriques, seu avô de fundamento mandou
fazer.
DEO GRATIAS
INDEX DAS COUSAS NOTAVEIS
A
Affonso II (D.) de Portugal, que idade tinha, e em que anno foi
levantado Rei, pag. 17. Foi cazado com Dona Orraca filha del-Rei D.
Affonso IX de Castella. ibi. Não quer conceder á Rainha Dona Tareja, e á
Infanta Dona Sancha suas irmãs as terras que lhes deixara seu pai D.
Sancho I, pag. 22. É excommungado pelo Papa Innocencio III para que
largue os Castellos de Monte Mór, e Alanquer a suas irmãs, pag. 24. É
absolvido da Excommunhão, e com que circumstancias se ajustou a tregoa
entre estes Principes, pag. 25 e 26. Contende judicialmente sobre a
mesma materia com suas irmãs, e é condemnado a pagar-lhe uma grande
somma de dinheiro, pag. 27. Em que anno, e idade morreo, pag. 30. Onde
está sepultado, ibi.
Affonso IX (D.) de Castella sogro del-Rei D. Affonso II de Portugal com
quem foi cazado, e que filhos teve, pag. 18. Manda chamar a seu genro D.
Affonso II de Portugal ás Cortes que fez em Burgos, e não vai, pag. 21,
onde morreo, e está sepultado, ibi.
Affonso Pires de Arganil, entrega por ordem do Infante D. Pedro as
Reliquias dos Martyres de Marrocos no Convento de Santa Cruz de Coimbra,
pag. 55.
Alcacere é cercado pelos Portuguezes e Estrangeiros, e das pessoas
principaes Portuguezas que assistiram neste cerco, pag. 31. No seu campo
são mortos pelos Portuguezes trinta mil Mouros, e em que dia e anno se
conseguio esta vitoria, pag. 38. O seu Castello depois de uma larga
resistencia é conquistado, pag. 40. Em que dia e anno foi tomado, pag.
41.
Algozo e Freixo são tomados pelos Ifantes D. Pedro e D. Fernando em odio
de seu irmão D. Affonso II de Portugal, pag 24.
Antonio (Santo) passa da Religião dos Conegos de Santo Agostinho para a
de S. Francisco, pag. 58.
Armada de Alemães, e Framengos, que se compunha de cento e cincoenta
naos depois de padecer varias derrotas aportou a Lisboa, pag. 29.
B
Berardo (Fr.) um dos cinco Martyres de Marrocos, abre milagrosamente na
terra seca uma fonte de que todos beberam, e se admiraram, pag. 48.
Beringela (Infante Dona) filha del-Rei de Castella Affonso IX cazou com
D. Affonso Rei de Lião, e que filhos teve, pag. 18.
Branca (Infante D.) filha de Affonso IX, Rei de Castella, cazou com
El-Rei de França, e foi mãi de S. Luis, pag. 18. Era mais velha, que sua
irmã Dona Orraca, pag. 20.
C
Constança (Infante Dona), primeira Senhora do Moesteiro das Holgas de
Burgos, foi filha del-Rei D. Affonso de Castella, pag. 18.
F
Fernando (Infante D.) chamado de Serpa foi filho de Affonso II de
Portugal, e da Rainha Dona Orraca, pag. 19. Com quem cazou, e que filhos
teve, ibi.
Fernando (Infante D.) filho de Affonso IX de Castella morreo de idade de
dezaseis annos, pag. 8. Foi a Roma buscar a Cruzada que o Papa concedeo
a seu pai para a batalha das Navas de Tolosa, pag. 21.
Foral. Em que anno foi dado por El-Rei D. Affonso II á Villa de
Alcacere, pag. 41.
Francisco (S.) O que disse quando teve noticia do Martyrio dos seus
cinco Religiosos em Marrocos, pag. 56. Passa com sete Frades á Suria a
prégar a Fé seguindo o exemplo daquelles cinco Martyres, pag. 58.
G
Gonçalo (D.) Mestre, e Prior do Esprital se achou no cerco de Alcacere,
pag. 31.
H
Henrique de Neusa (D.) Capitão de uma Armada Estrangeira, que constava
de trinta e seis naos, arribáram ao porto de Setuval, e junto com os
Portuguezes batalham com os Mouros que estavam senhores de Alcacere, e
sahem vitoriosos, pag. 34.
I
Innocencio III manda excommungar pelo Arcebispo de Santiago, e o Bispo
de Çamora a Affonso II por negar os Castellos de Monte mór e Alanquer a
suas irmãs que seu pai D. Sancho I lhe deixara, pag. 24.
L
Lianor (Dona) filha del-Rei D. Henrique de Inglaterra, cazou com Affonso
IX de Castella, pag. 2. Que filhos teve daquelle Principe, pag. 18.
Lianor (Infante Dona) filha del-Rei D. Affonso IX de Castella cazou com
D. James I Rei de Aragão, pag. 18.
Lianor (Infante Dona) Neta de Affonso II de Portugal cazou com El-Rei de
Dacia, pag. 19.
Lianor (Infante Dona) filha de Affonso II de Portugal cazou com o filho
herdeiro del-Rei de Dinamarca, pag. 19.
M
Martim Affonso Tello sobrinho do Infante D. Pedro é morto em Marrocos,
pag. 51.
Martim Barregam Commendador de Palmella se achou no cerco de Alcacere,
pag. 31.
Martyres que padeceram em Marrocos como se chamavam, pag. 42. São
recebidos em Coimbra pela Rainha Dona Orraca, pag. 43. Foram tratados
com grande benevolencia em Alanquer pela Infante Dona Sancha irmã de
Affonso II de Portugal, ibi. Pregam animosamente em Sevilha contra a
ceita de Mafamede, pag. 44. Crueis Martyrios que padeceram, pag. 49. São
degolados por El-Rei de Marrocos, pag. 50. Anno, e dia do seu Martyrio,
ibi. São queimados os seus corpos, e maravilhas que então sucederam,
pag. 51. Como foram trazidos os seus corpos a Coimbra, pag. 54 e 55.
Matheus (D.) Bispo de Lisboa recebe aos Estrangeiros que vinham em uma
Armada que aportou áquella Cidade, e os exhorta á conquista de Alcacere,
pag. 29. Achou-se no cerco de Alcacere, pag. 51. Faz uma pratica aos
soldados Portuguezes e Estrangeiros que estavam no campo de Alcacere
para que não levantem o sitio, mas que tomem a Praça. pag. 36.
Melgaço é tomado pelos Infantes D. Pedro e D. Fernando com alguma gente
de Lião em odio de seu irmão D. Affonso II de Portugal, pag. 24.
Mouros. Como se houveram esforçadamente no sitio de Alcacere, pag. 33.
Governados pelos Reis de Sevilha, Cordova, Jaen, e Badalhouse vem
soccorrer Alcacere, ibi. São derrotados, e mortos trinta mil no campo de
Alcacere, pag. 38.
O
Orraca. Princezas varias que tiveram este nome, pag. 20.
Orraca (Dona) filha del-Rei D. Affonso IX de Castella foi cazada com D.
Affonso II de Portugal, pag. 17. Era mais moça que Dona Branca, pag. 20.
Recebe em Coimbra aos Martyres de Marrocos, que lhe pronosticaram a sua
morte, pag. 40. Quando morreo, pag. 56. Onde está sepultada, pag. 59.
P
Pedro (Infante D.) filho de Sancho I de Portugal, veio socorrer a sua
irmã Dona Tareja, que estava recolhida no Castello de Monte mór, contra
seu irmão D. Affonso II, pag. 23. Estando em Marrocos recebe em sua caza
aos Santos cinco Religiosos que alli padeceram martyrio, pag. 45. É
livre de gravissimos perigos por intercessão dos mesmos Santos Martyres,
pag. 53. Alcança licença del-Rei de Marrocos para trazer as Reliquias
dos mesmos Marryres para Portugal, ibi.
Pedro (D.) Mestre da Ordem da Cavallaria do Templo se achou no cerco de
Alcacere, pag. 31.
Pedro Fernandes de Castro chamado o Castellão é morto em Marrocos, pag.
51.
Pedro Nunes (D.) Conego e Sacristão do Moesteiro de Santa Cruz de
Coimbra, Confessor da Rainha Dona Orraca teve uma admiravel visão dos
Santos Martyres de Marrocos, pag. 56.
R
Rei de Marrocos pela sua propria mão degolou os cinco Martyres da Ordem
de S. Francisco, pag. 50. Castigo que experimentou por esta impia
crueldade, pag. 56. Movido das grandes calamidades que padecia o seu
Reino concede liccença que os Frades Menores levantem Convento em
Marrocos, pag. 59.
Reliquias Dos Santos Martyres de Marrocos como foram trasidas, e dos
milagres que obraram pela jornada, pag. 53. Do modo como foram recebidas
em Santa Cruz de Coimbra, pag. 55.
S
Sancha (Infante Dona), irmã del-Rei de Portugal D. Affonso II recebe com
grande benevolencia em Alanquer aos Santos Martyres de Marrocos, pag.
43.
Sancho I (D.) de Portugal, onde, e quando morreo, pag. 17.
Sytimos. Lugar distante uma legoa de Alcacere foi a parte onde se
alojaram os Reis Mouros que vinham soccorrer o seu Castello, pag. 33.
T
Tareja (Rainha Dona) com sua irmã Dona Sancha se recolhem ao Castello de
Monte mór, e se queixam ao Papa Innocencio III da tyrania com que seu
irmão D. Affonso II lhe negava as terras que lhes deixara seu pai D.
Sancho I, pag. 23. É soccorrida por seus dous irmãos D. Pedro e D.
Fernando em Monte mór contra D. Affonso II, pag. 23. Do modo com que se
concertou com seu irmão, pag. 27.
Tregoa. Em que anno foi celebrada entre D. Affonso II, e suas irmãs Dona
Tareja e Dona Sancha, pag. 26.
V
Valença do Minho é tomada pelos Infantes D. Pedro e D. Fernando em odio
de seu irmão D. Affonso II negar as terras a suas irmãs que lhe deixára
seu pai D. Sancho I, pag. 24.
Vitoria do Campo de Alcacere em que dia, e anno se alcançou, pag. 38.
FINIS LAUS DEO
INDICE DOS CAPITULOS
I--Como o Ifante Dom Affonso foi alevantado por Rei, e como foi cazado,
e com quem, e que filhos legitimos houve
II--Das desavenças que houve antre El Rei D. Affonso, e as Ifantes suas
irmãs, e da guerra que sobre esso se moveo
III--Como foi pelo Papa procedido contra El-Rei D. Affonso por causa da
contenda que havia com suas irmãs, e como finalmente foram concordados
IV--Do fundamento que houve para Alcacere do Sal, que era de Mouros, ser
cercado, e tomado dos Christãos, e do Bispo de Lisboa principalmente
V--Como Alcacere foi cercado, e com que numero de gente Portuguezes e
tambem Estrangeiros
VI--Dos Reis Mouros que vieram por soccorro da Villa de Alcacere, e da
primeira batalha que deram, em que foram vitoriosos
VII---Da segunda batalha que houve sobre Alcacere, e como os Reis Mouros
foram vencidos, e feito grande estrago em suas gentes
VIII--Como os Christãos combateram e tomaram o Castello Dalcacere
IX--Como cinco Frades Italianos da Ordem de S. Francisco foram a
Marrocos a prégar a Fé de Christo, e primeiramente chegaram a Sevilha,
que era de Mouros
X--Como os Frades chegaram a caza do Ifante Dom Pedro, e do que logo
fizeram, e como foram tornados a Ceyta para virem a terra dos Christãos,
e dahi se volveram outra vez a Marrocos
XI--De um milagre que se fez por causa de Frei Berardo, e como foram
prezos e atormentados os outros Frades
XII--Como El-Rei de Marrocos fallou com estes Frades, e por os não poder
converter a sua seita por si mesmo os matou, e como foram mortos tambem
Pedro Fernandes, e Martim Affonso Telo, sobrinho do Ifante
XIII--Como os corpos dos Martyres foram queimados, e despedaçados, e
emfim recolhidos por devação, e industria do Ifante Dom Pedro
XIV--Como o Ifante D. Pedro foi tornado a Espanha, e trouxe consigo os
ossos, e Reliquias dos Martyres, e as mandou a Santa Cruz de Coimbra, e
dos milagres que houve no caminho
XV--Como as Reliquias dos Martyres foram recebidas, e como foi a morte
da Rainha Dona Orraca, molher del-Rei D. Affonso, e das cousas que foram
vistas
XVI--Como Santo Antonio por exemplo destes Martyres tomou o habito de S.
Francisco, e do que seguio em Marrocos por milagre, e da morte del-Rei
Dom Affonso
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