FOOTNOTES

[1] Tom. I, secção 1.ª, pag. 285.

[2] Publicado por Dumont no _Corpo Diplomatico_, tom. III, parte I, pag.

200. E além d’esta as bullas de Calixto III, de 14 de maio de 1455 e de

Xisto XV, de 21 de julho de 1481, e a famosa divisão dos mares entre

Portugal e a Hespanha por Alexandre VI, e os tratados entre Portugal e

Hespanha, em que sempre se reconheceu o direito que tinhamos á costa

africana pela prioridade do descobrimento, e a deferencia com que a

França sempre reconheceu o nosso direito, mandando Luiz XII restituir uma

caravela portugueza vinda da Mina, tomada pelos francezes, e prohibindo

Francisco I, a 28 de junho de 1532, que fossem navios francezes á costa

da Guiné, em attenção aos tratados! V. Visconde de Santarem: _Recherches

sur la découverte des pays situés sur la côte occidentale d’Afrique au

delà du cap Bojador_ etc., § VII, pag. 67 e segg. E em 1513, publicou-se

em França, um livro intitulado: _Nouveau Monde et navigations fectes dans

les pays et iles auparavant inconnues_, e cujo primeiro livro se intitula

_Livro da primeira navegação pelo Occeano para a terra dos Negros

da baixa Ethiopia por ordem do illustre senhor infante D. Henrique,

irmão de D. Duarte, rei de Portugal_. E esse livro reimprimiu-se em

1516! E note-se que Francisco I não se desinteressava na questão dos

descobrimentos, e os marinheiros francezes procuravam seguir as nossas

pisadas. É conhecido o famoso dito do rei de França, que queria saber

qual o artigo do testamento de Adão que deixava parte do mundo aos reis

de Portugal e de Hespanha. Podendo pôr embargos, era de estranhar que o

não fizesse.

[3] _Histoire de la première descouverte et conqueste des Canarias faite

dés l’an 1402 par messire Jean de Bethencourt, escrite du temps mesme par

F. Pierre Bontier et Jean Le Verrier, prestres domestiques dudit sieur de

Bethencourt, conseiller du roy en la cour du parlement de Rouen_, cap.

LIII, pag. 95. (Paris, 1830).

[4] _Ibid._, pag. 4.

[5] _Ibid._, cap. LIV.

[6] _Ibid._, pag. 102.

[7] Palavras de Innocencio VII, escriptas em 1406 a João de Bethencourt e

citadas na relação dos capellães a pag. 197, cap. LXXXIX.

[8] Este erro gravissimo deu origem a todas as falsas reivindicações

francezas, apezar de ter sido completamente desfeito no proprio seculo

XV. Chamava-se primeiro _Gianya_, _Gineva_ ou _Gynoya_ ou _Guiné_ á

terra proxima de Marrocos, que se suppunha habitada pelos negros, e com

a qual se fazia commercio. Era esta a Guiné que ficava a doze leguas das

Canarias, «do outro lado da ilha de Fuerteventura», como dizem ainda

os capellães de Bethencourt. Azurara, quando chama _Guiné_ á costa do

Senegal descoberta pelos Portuguezes, desculpa-se de ter já chamado

assim, para empregar a linguagem commum, a outro paiz onde tinham estado

primeiro os Portuguezes, e que era d’este muito distante. Essa _primeira

Guiné_, ou _Guiné antiga_, reclamou-lhe o senhorio o rei de Castella,

D. João II, que escrevendo de Valladolid a D. Affonso V de Portugal,

a 19 de abril de 1454, dizia-lhe: «Otrosi, rey muy caro, e muy amado

sobrino, vos notificamos que, viniendo ciertas caravellas de ciertos

nuestros subditos e naturales vecinos de las nuestras ciudades de Sevilla

y Cadiz con sus mercaderias _de la tierra que llaman Guinea, que es de

nuestra conquista_, e llegando cerca de la nuestra ciudad de Cadiz á una

linea estando en nuestro señorio e jurisdicion, recudieron contra ellos

Pallencio, vuestro capitan etc.»

Esta Guiné, cuja conquista o rei de Castella dizia pertencer-lhe, fazia

parte do reino da Africa, sobre a qual os reis de Castella diziam ter

direito, herdado dos Godos. Quando o nome de Guiné ficou pertencendo á

região que hoje o tem, quer dizer a que está para além do Cabo Bojador,

os reis de Portugal tomaram sem contestação nem cedencia de Castella

o titulo de _senhores de Guiné_, baseado no direito de primeiros

descobridores que ninguem lhes impugnou. E a Guiné antiga perdeu essa

denominação. Ahi está o segredo da confusão que deu origem ás pretenções

tão absurdas dos Normandos e dos Catalães.

[9] «Toscanelli distingue en outre les îles que l’on rencontrera sur la

route, _que estan situadas en este viage_, par exemple l’Antilia, d’avec

les îles qui sont proches de l’Inde continentale, par exemple Cipango

et les îles avec les quelles trafiquent les négocians de différentes

nations.»—Humboldt.—_Histoire de la géographie du nouveau continent_,

tom. I, sec. 1.ª, pag. 228.

[10] Ácerca das tres Indias, e das differentes denominações com

que apparecem na edade média, veja-se sobretudo o magnifico _Essai

sur l’histoire de la cosmographie et de la cartographie pendant le

moyen-âge_, etc., pelo visconde de Santarem, tom. I, pag. 136, 251, 182,

394, tom. II, pag. XXXVIII, 189, 223, tom. III, pag. 28, 420, 346, 371,

161, 199, 217, 274, 161, 240, 442, 360, 370, 195. (Paris, 1849). Os nomes

das differentes Indias são variadissimos, Barbara, Deserta, Primeira,

Segunda e Terceiro, Magna e Parva, Superior, Inferior e Exterior, Intra

Gangem, Ultima, Arenosa, etc. Sabendo-se o que eram estas differentes

Indias, como abrangiam a Tartaria, a Arabia, a China, e até a Ethiopia,

espantar-se-ha menos o leitor de que os Portuguezes procurassem na Africa

o _Prestes João das Indias_. Essa lenda tambem mudou de local como o nome

de Guiné e a designação de Ethiopia, mas pode-se dizer que nunca saíu de

alguma d’essas Indias.

[11] Gosselin _Recherches sur la géographie systématique des anciens_,

tom. I, pag. 140. É firmando-se na auctoridade de Herodoto que este sabio

affirma que o grande Oasis do Egypto tinha outr’ora o nome de _ilha dos

Bemaventurados_.

[12] O mappa-mundi de 1417, conservado no palacio Pitti, por exemplo,

indica duas Taprobanas, Ceylão e Sumatra. Quando não era Sumatra

exclusivamente Taprobana, era a uma das duas ilhas que esse nome se dava.

D. João de Castro no prologo do seu _Roteiro de Lisboa a Goa_, quando

falla a El-Rei de Portugal nos dominios que tem, diz: «como Taprobana que

os antigos criam ser outro mundo nouo, reconhece seu alto nome e lhe paga

pareas» e accrescenta em nota: «_Taprobana é agora chamada Samatra_» a

pag. 14. A essa Taprobana tambem se refere evidentemente Camões no seu

famoso verso:

_Passaram inda além da Taprobana_

Tendo no tempo de Camões chegado os Portuguezes já ao Japão, era bem

natural que, havendo a Taprobana-Ceylão e a Taprobana-Sumatra a esta

ultima se referisse o grande poeta indicando o limite ultrapassado pelos

Portuguezes. O famoso mappa da cathedral do Hereford colloca a Taprobana

defronte do golpho Arabico. Prisciano no seu poema geographico põe a

Taprobana no mar oriental juntamente com a ilha phantastica do Ouro. No

tratado _De moribus brachmanorum_ que se attribue a S.ᵗᵒ Ambrosio citado

por Klaproth na sua _Lettre sur la boussole_, pag. 53, põe-se a Taprobana

em Ceylão, ilha que tem magnetes que attrahem os navios que teem pregos

de ferro e não os deixa mover. N’alguns mappas da edade média põe-se a

Taprobana deante da bocca do Ganges.

[13] A _Aurea Chersoneso_ de Ptolomeu e de Marino de Tyro corresponde sem

duvida á peninsula de Malaca, mas o mappa de La Salle por exemplo colloca

a _Aurea Chersoneso_ no Indostão.

[14] _Mémoire sur le pays d’Ophir, oú les flottes de Salomon alloient

chercher de l’or_, nas _Mémoires de littérature de l’Académie royale des

inscriptions et belles-lettres_, tom. XXX, pag. 83 a 93, (Paris, 1764).

Este paiz de Ophir tem uma terrivel parecença com as ilhas de Chryse e

de Argyra, e do Sol e dos Homens e das Mulheres que apparecem nos mappas

conjecturaes. N’alguns mappas Ophir tambem apparece como ilha. Querer

determinal-o não será querer tomar muito ao pé da letra as indicações

vagas da Biblia?

[15] A idéa adoptada na edade média, que vinha da antiguidade e que durou

até ao seculo XVI, é a das duas Ethiopias de Homero, a que fica entre

os dois Nilos, e a que se liga com os Mauritanos. S. João Damasceno,

dividindo os habitantes da terra segundo as areas dos ventos, dizia: «Ad

Africum Ethiopes et occidentales Mauri, ad Favonium Herculis columnæ,

etc.» _De fide orthodoxa_, tom. I, pag. 69. _Apud_ Visconde de Santarem

_Essai sur l’histoire de la cosmographie_, etc., tom. I, pag. 32. Assim

é corrente que a baixa Ethiopia começa para os escriptores medievaes nas

proximidades da Mauritania, quer dizer, pega com a Guiné primitiva, com

a Guiné de Bethencourt. O titulo dos reis de Portugal mostra bem que

Ethiopia quer dizer simplesmente _Africa_. Assim diz o titulo: Rei de

Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’além-mar em Africa... (Este Algarve

na Africa era Ceuta e Tanger, etc.) senhor de Guiné (no sentido que

esta palavra tomou depois dos descobrimentos) da conquista navegação e

commercio da _Ethiopia_ (Africa meridional e oriental) Arabia, Persia

e _India_ (tambem na significação da meia-edade, abrangendo a Asia

Oriental). É curioso que um escriptor moderno, de grande merecimento,

transcrevendo um trecho de um escriptor já do seculo XVII, em que se diz

que um navio que ia para a Ethiopia foi levado pelas correntes para o

Brazil, com isso muito se espanta. Não se lembra que a região da Ethiopia

comprehendia até a Africa occidental que ficava para além da Guiné.

[16] Na primeira viagem, Colombo, chegando a Cuba, disse: _Es cierto que

esta es la Tierra-Firme_, Diario de 1 de novembro. Na segunda viagem

confirmou essa opinião, e fel-a jurar solemnemente pelos marinheiros

a 12 de junho de 1494. Humboldt _Histoire de la géographie du Nouveau

Continent_, tom. I, pag. 310, _nota_.

[17] Vejam-se no principio do segundo volume do magnifico livro de

Humboldt as indicações relativas aos mappas d’esse tempo que separavam

umas das outras as diversas porções da America.

[18] No seu tratado publicado em latim na edição Reich com o titulo _De

facie in orbe Lunæ_, tom. IX, pag. 923.

[19] Sobre as differentes theorias relativas á fórma da terra veja-se o

_Essai sur l’histoire de la cosmographie_, etc., tom. I, pag. 14, 223,

410, tom. II, pag. XV, XVII, 32, 252, 258, 10, LIX a LXI, 18, 26, 35, 94,

107, 215, etc., etc., tom. III, pag. 81, 102, 212, 223, 460, 499, etc.

[20] Santo Agostinho, S. João Chrysostomo, Lactancio, preconisaram a

theoria da _terra quadrada_ declarando-a conforme com o Evangelho, os

mappas medievaes como o de Cosmas Indicopleustas do seculo VI, Gervais

de Tilbury do seculo XIII, Nicolau d’Oresme do seculo XIV, Guilherme

Fillastre do seculo XV. Umas vezes inscreviam-n’a no circulo formado

pelos mares, outras vezes pelo contrario, a terra em si é redonda, mas a

figura que está inscripta é quadrada.

[21] Note-se bem que este é que é o systema de Ptolomeu, o que

predominava, apesar de tudo, nos espiritos mais esclarecidos. Pedro agora

vae refutal-o, substituindo-lhe uma outra theoria scientifica, menos em

desaccordo com as affirmações orthodoxas.

[22] _Petri Alphonsi Judeo Christiani Dialogi_, p. 15, apud. Visconde de

Santarem, _Essai sur l’histoire de la cosmographie_, etc., tom. III, pag.

320 a 324.

[23] «Se as extremidades da Ethiopia nos offerecem figuras extranhas de

homens e de animaes, pouco nos devemos espantar: é o effeito do excessivo

calor que alli reina, porque a acção do fogo é maravilhosamente propria

para fazer tomar ás partes exteriores de todos os corpos uma infinidade

de configurações diversas.» (Plinio, _Historia Natural_, tom. V, cap.

XXX.)

[24] Macrobio, _In somnium Scipionis_, tom. II, cap. IX.

[25] Orosio, _Ormesta mundi_.

[26] Santo Isidoro de Sevilha, _De Lybia_.

[27] Bedo, _De Elementis Philosophiæ_, tom. IV, pag. 225.—«... _Pars enim

illius torridæ parti aeris subjecta, ex fervore solis torrida est et

inhabitabilis_, etc.»

[28] S. Virgilio, bispo de Saltzburgo. Veja-se a este respeito a

_Historia litteraria de França_, tom. IX, p. 156.

[29] Raban Mauro de Moguncia, _De Universo_.

[30] Alberti Magni Germani, _Philosoph. principii, Liber cosmographicus

de natura locorum_, fl. 14_b_ e 23_a_.

[31] Roger Bacon, _Opus majus_, pag. 183.

[32] _Conciliator differentiarum philosophorum_, Diff. LXVII.

[33] _De Universo_, liv. XII, cap. IV, pag. 172.

[34] _Speculum naturale_, part. 1.ª, liv. IV, cap. XVII.

[35] _De mirabilibus Indiæ._

[36] «Et dien (disent) que illec sont antipodes, c’est-à-dire, gens qui

ont leurs pieds contre nos et pour ce qu’ils sont á l’opposite partie de

la terre, aussi comme s’ils fussent subz nous et nous soubz eulx. Ceste

opinion n’est pas á tenir, et n’est pas bien concordable á notre foy.

_Car la loy de Jésus Christ a esté preschié par toute la terre habitable;

et selon ceste opinion, telles gens n’en auraient oncques ouij parler,

ne pourroient estre subgés à l’église de Rome. Pour ce, reprenne saint

Augustin ceste erreur ou ceste opinion_, _lib._ XVI _«De Civitate Dei»_

Nicolau d’Oresme, cosmographo francez do seculo XIV, preceptor do rei

Carlos V, _le Sage_.—Manuscripto cosmographico existente na Bibliotheca

Nacional de Paris, com o numero 7487, _apud_. Visconde de Santarem,

_Essai sur l’histoire de la cosmographie_, etc., tom. I, p. 142.

[37] Quoniam nullo modo scriptura ista mentitur, quæ narratis præteritis

facit fidem eo quod ejus predicta complentur; nimisque absurdum est,

ut dicatur aliquos homines ex hac in illam partem, Oceani immensitate

trajecta navigure ac pervenire potuisse, _ut etiam illic ex uno primo

homine genus institueretur humanum_. Lactancio _Divinarum institutionum_,

liv. III, cap. IX.

[38] Qua propter inter illos tunc hominum populos qui per septuaginta

duos gentes, et totidem linguas colliguntur, fuisse divisi, quæramus,

si possimus invenire, illam in terris peregrinantem civitatem Dei,

quæ ad diluvium arcamque perducta est, at que in filiis Noe per eorum

benedictiones perseverare monstretur, maxime in maximo qui est appellatus

Sem, quando quidem Japhet ita benedictus est, ut in ejusdem fratris sui

domibus habitaret.—_Ibid._

[39] Cosmas Indicopleustas, _Topographia Christã_.

[40] _Ibid._

[41] Cosmas, Santo Isidoro de Sevilha, Anonymo de Ravenna, Raban Mauro,

Honoré d’Autun, Hugo de Saint-Victor, Vicente de Beauvais, Brunetto

Latini, Joinville. A noticia do famoso chronista de S. Luiz a respeito

do Nilo, transcripta pelo visconde de Santarem no _Essai_, etc., tom.

I, pag. 112, nota 3, não deixa de ser curiosa: «Ici il convient de

parler du fleuve qui passe par le pais d’Egypte, et vient du Paradis

Terrestre... Quant celui fleuve entre en Egypte il y a gens tous experts

et accoustumez, comme vous diriez les pêcheurs des rivières de ce pays-cy

qui au soir jettent leurs reyz au fleuve et es rivières; et au matin

souvent y trouvent et prennent les espiceries qu’on veut en ces parties

de par de ça (dans l’Europe) bien chierement et au pois, comme canelle,

gingembre, rubarbe, girofle, lignum, aloes et plusieurs bonnes chouses.

Et dit—on pais que ces chouses—lá viennent du Paradis terrestre et que le

vent les abat des bonnes arbres, qui sont en Paradis terrestre.»

[42] «Para elle (Colombo) o Paraizo Terrestre correspondia ao castello

de Kang—diz dos Persas, e devia achar-se n’um logar elevado e

inaccessivel.»—Reinaud _Géographie d’Aboulféda_, tom. I, pag. 252. «A

corrente do Orenoque é tão forte que Diogo de Lepe reconheceu por meio

de um _escalfador_ que só se abria no fundo das aguas, no mar defronte

da foz de Orenoque, que, n’uma profundidade de oito braças e meia, só as

duas primeiras braças do fundo eram de agua salgada, e as outras de agua

doce».—Humboldt, _Histoire de la géographie_, etc., t. I, pag. 314.

[43] Lemos n’um manuscripto cosmographico datando d’essa epocha (seculo

VII) «_que a terra é da forma de um cone ou de um pião_, de forma que

a sua superficie vai, segundo esse systema, elevando-se do sul para o

norte.» Visconde de Santarem, _Essai sur l’histoire de la cosmographie_,

etc., tom. II.—_Int._ pag. LX. A fórma ovoide era-lhe attribuida pelo

philosopho grego Thalés, seguido por alguns geographos da edade média.

Posidonius dava-lhe a fórma de uma funda, como Prisciano tambem.

[44] N’uma carta de 1498, publicada por Navarrete, tom. I, pag. 256,

compara Colombo a terra com uma pera dividida ao meio, sendo uma parte

redonda, e a outra terminada em cone. Esta carta vem tambem nas _Select

letters of Christopher Columbus_, publicadas por Major, pag. 130.

(Londres, 1847).

[45] Os geographos arabes consideravam Gog e Magog como filhos de Japhet,

devemos accrescentar que era esta a doutrina mais seguida.

[46] É interessante o que diz ácerca d’estes povos o sur Vivien de Saint

Martin nas suas _Recherches sur les populations primitives et les plus

anciennes traditions du Caucase_, pag. 40 a 47. (Paris, 1847). M. de Sacy

considera a muralha de Alexandre como sendo a noção vaga da muralha da

China.

[47] Ha poucos annos ainda se publicou, em Hespanha, um livro do sr.

Junquera _Origen de los americanos_, em que se sustenta essa doutrina.

N’ella se baseia um dos romances, e dos menos bons, _Oak openings_ do

grande romancista americano Fennimore Cooper.

[48] Mela, III, c. VII.—Solino diz que a terra d’essa ilha está sempre

vermelha.—Plinio colloca-a perto da Taprobana.—_Hist. Nat_. VI, 22.

[49] «Colloquei, diz Toscanelli na carta que escreveu a Colombo e

referindo-se ao mappa que mandou ao rei de Portugal, defronte (das costas

da Irlanda e da Africa) direito a oeste o principio das Indias com as

ilhas e os logares a que poderia abordar.»

[50] Todas estas lendas irlandezas, em abreviada exposição, se podem

ver no excellente livro de mr. de Villemarqué _La Légende Celtique_,

especialmente na _Introducção e na Lenda de S. Patricio_.

[51] Os cavalleiros portuguezes estavam no exercito do duque de Borgonha,

que defendia Arras, e foram ao combate commandados pelo sire de

Cottebrune; os seus adversarios, pertencentes ao exercito de Carlos VI,

eram commandados pelo bastardo de Bourbon. Veja-se a nossa _Historia de

Portugal_, tom. III, pag. 267, nota (2.ª edição).

[52] _Historia da Universidade_, tom. I, cap. III, pag. 137. (Lisboa,

1892.) A discordancia em que estamos n’este ponto com o illustre

professor não nos impede de reconhecermos que o seu livro é monumental. O

erudito, a cuja opinião elle se encosta, é João Teixeira Soares, aliás um

açoriano benemerito, mas um dos taes que se deixam arrastar pelo prazer

de demolir uma gloria consagrada.

[53] Veja-se o retrato de Napoleão traçado primorosamente por Taine nas

suas admiraveis _Origines de la France contemporaine_.

[54] _Os filhos de D. João I_, cap. III, _A villa do infante_, pag. 59 e

segg.

[55] Humboldt, _Histoire de la géographie du nouveau continent_, tom. I,

pag. 334 e segg.

[56] Apud Visconde de Santarem, _Recherches sur la découverte_, etc.,

pag. 113 e 114.

[57] Citado por Humboldt na _Histoire de la géographie du nouveau

continent_, tom. I, pag. 246.

[58] No _Boletim da Sociedade de Geographia_ de Madrid do anno corrente.

[59] «Mais avant les Portugais aucune nation de l’Europe ne semble être

allée au délà de l’Équateur». (_Histoire de la géographie_, etc., tom. I,

pag. 290).

[60] «L’horizon géographique s’agrandit peu à peu de la Mer Égée au

méridien des Syrtes, de là aux Colonnes d’Hercule et hors du détroit

avec Hannon vers le sud, avec Pythéas vers le nord». (_Hist. de la

géogr._, tom. I, pag. 32). O horizonte ampliado por Pythéas nunca mais

se restringiu, porque é que havia de acontecer o contrario ao horizonte

ampliado por Hannon, se este viajante tivesse ido mais longe do que a

costa de Marrocos?

[61] Ha bullas de Eugenio IV, de Nicolau V, de Martinho V, de Calixto

III, de Xisto IV. A bulla de Calixto III, confirmando as de Martinho V e

Nicolau V, declara que o descobrimento das terras de Africa Occidental

o não possam fazer senão os reis de Portugal. A bulla está no Archivo

Real da Torre do Tombo no _Livro dos Mestrados_, fl. 151 e 168. Veja-se a

minha _Historia de Portugal_, tom. III, pag. 248, nota 1, (2.ª edição). A

bulla de Nicolau V, que já citámos, de 8 de janeiro de 1454, concedia a

el-rei de Portugal, ao infante D. Henrique e a todos os reis de Portugal,

seus successores, todas as conquistas de Africa _com as ilhas nos mares

adjacentes_ desde o cabo de Bojador e de Não e de toda a Guiné com

toda a sua costa meridional. (Arch. Real da Torre do Tombo, maç. 7 de

bullas, n.º 29, e maç. 33, n.º 14). Por isso, D. João II, quando fallou

a Christovão Colombo a 9 de março de 1493, lhe disse, que se regosijava

tanto mais com a sua conquista, quanto tudo quanto elle descobrira

pertencia de direito a Portugal. Humboldt, _Histoire de la géographie du

Nouveau-Continent_, tom. I, sec. 1.ª, Nota E, pag. 331. E effectivamente

por algum tempo se discutiu se os descobrimentos de Christovão Colombo

eram ou não de _ilhas nos mares adjacentes_ á costa africana. E não acham

curioso que, se Francezes ou Hespanhoes ou Italianos, antes de nós,

tivessem passado para deante do Bojador, acceitassem e reconhecessem e

fizessem respeitar por leis e decretos o direito que nós tinhamos de

não consentir que se fizessem descobrimentos n’esses mares, ou, no caso

de se fazerem, o direito que tinhamos ao menos, á posse d’essas terras

descobertas!!

A proposito d’esse cavalleiro allemão Balthazar, que acompanhou Antão

Gonçalves, diz o auctor d’este livro: «Antão Gonçalves voltou a Portugal

com os negros, e Balthazar o cavalleiro allemão que o acompanhava tornou

para a sua terra, onde foi naturalmente a maravilha de todos os que o

escutavam, e um novo Sindbad para os pasmados Germanos. A narração das

tempestades, dos perigos, dos estranhos costumes dos Azenegues devia

occupar bastantes serões de inverno nos velhos castellos allemães junto

da vasta lareira, emquanto gemesse lá fóra o vento e cahisse a neve

cobrindo de alvo manto o solo endurecido.» _Hist. de Portugal_, tom. III,

pag. 252 (2.ª edição).

[62] _Olympiada II_, 127.

[63] Como se pode ver no 1.º mappa do Atlas do visconde de Santarem, que

é exactamente o mappa catalão de 1375.

[64] _Habet_, diz o manuscripto de Genova, _latitudinem unius legue et

fundum pro majore navi mundi_.

[65] _La plage de sable, qui, comme on l’a dit, forme presque entiérement

l’embouchure du Rio d’Ouro ne permet pas de penser que ce lieu puisse

recevoir des bâtiments du plus faible tirant d’eau, il ne peut

probablement admettre que des canots._ Roussin _Mémoire sur la navigation

aux côtes occidentales de l’Afrique_, pag. 96.

[66] Observação já feita pelo visconde de Santarem nas suas notas á

edição da _Chronica de Guiné_ de Azurara. Veja-se tambem o magnifico

capitulo da _Vida do principe Henrique_ do illustre escriptor Richard

Major, capitulo intitulado _The slave trade_.

[67] Este commentario vem publicado na collecção de Ramusio.

[68] O sabio francez Letronne n’uma memoria publicada no _Journal

des Savants_ de agosto de 1831, diz o seguinte: «L’hypothése d’un

prolongement indéfini de la côte occidentale d’Afrique, à partir d’une

latitude voisine de l’Équateur, était fondée sur la direction de la côte

d’Afrique depuis la rivière de Nun jusqu’au cap Bojador _que l’expédition

d’Hannon n’avait pas dépassée_.»

[69] «Ha ainda um personagem duvidoso, diz Renan, este _presbyter

Johannes_, especie de socio do Apostolo, que perturba como um espectro

toda a historia da Egreja de Epheso e causa aos criticos bastantes

embaraços.» _L’Antechrist_, pag. XXIII, trad. do sr. Theophilo Braga, que

cita este trecho nas _Lendas Christãs_, cap. V, _As lendas do primado da

Egreja_, pag. 213 (Porto, 1892). Este livro do sr. Theophilo Braga é na

verdade excellente e foi-me de um grande auxilio n’este estudo ácerca

das viagens da lenda do Prestes João. A não ser o livro de Marco Polo e

os artigos do illustre sinologo Pauthier, que consultámos directamente,

as fontes que citamos são as que o sr. Theophilo Braga aproveitára e

indicára. Folgamos de prestar esta homenagem ao nosso illustre confrade,

porque, apesar de estarmos muito em desaccordo com alguns dos pontos de

vista d’este seu novo livro, não deixamos de reconhecer que é mais uma

prova do muito talento e da muita erudição do seu auctor.

[70] Esta carta vem publicada na _Cosmographie et histoire naturelle

fantastique du moyen-âge de Ferdinand Denis_.

[71] Por 1122, no pontificado de Calixto.

[72] Ainda na ultima concordata celebrada entre Portugal e a côrte de

Roma ácerca do padroado da India tiveram de ser resalvados os direitos

christãos do rito syriaco.

[73] Theophilo Braga, _Lendas Christãs_, pag. 227.

[74] Veja-se a _Nota explicativa do symbolo da arvore do sol e da arvore

da lua_, escripta pelo sr. Felix Lajard, e communicada ao visconde de

Santarem que a publicou no fim do III volume do seu _Essai sur l’histoire

de la cosmographie_, etc., pag. 506.

[75] Rosweid, _Vitæ Patrum_.—_Vita S. Macari Romani servi Dei qui

niventus est juxta Paradisum._ Andrea Bianco no seu famoso mappa de 1436

põe o Paraizo n’uma peninsula, e junto do Paraizo um grande edificio com

esta designação: _Ospitium Macari_.

[76] G. Pauthier _Le pays de Tanduc et les descendants du Prêtre

Jehan_.—_Revue de l’Orient, de l’Algérie et des Colonies_, tom. XIII,

pag. 287. (Paris, 1861). Publica primeiro o capitulo LXXIII, da Relação

de Marco Polo, que se intitula: _Cy devise de la province de Tanduc, et

des descendants du Prestre Jehan_, a que se segue depois o commentario.

[77] Ainda não tinham passado os portuguezes do Cabo Branco, estava-se

apenas no anno de 1441 e já o infante encarregava Antão Gonçalves de

saber alguma coisa ácerca de Prestes João.

[78] Um distincto escriptor francez, Eyriés, que escreveu a biographia de

João Fernandes na _Biographie Universelle_, diz que elle fôra o primeiro

Europeu que penetrára no interior da Africa e que as particularidades

da relação que elle trouxera apresentavam uma grande analogia com as

da relação de Mungo-Park. A respeito dos serviços prestados á botanica

pelos Portuguezes vejam-se os estudos de primeira ordem do sr. conde de

Ficalho, _Plantas uteis da Africa Portugueza_, (Lisboa, 1884), a _Flora

dos Lusiadas_, (Lisboa, 1880), a _Memoria sobre a Malagueta_, (Lisboa,

1878). A respeito dos nossos serviços á ornithologia, vejam-se as

interessantissimas communicações feitas pelo notavel sabio portuguez o

sr. Bocage a Andrade Corvo, e por elle publicadas nas notas á sua edição

do _Roteiro de D. João de Castro_.

[79] Alvaro de Freitas ia na expedição commandada por Lançarote,

almoxarife em Lagos, e n’um momento de enthusiasmo declarou que estava

prompto a seguir o seu chefe até ao Paraizo Terreal. V. a minha _Hist. de

Portugal_, tom. III, pag. 271.

[80] Tristão Vaz Teixeira, foi na grande expedição de 1445, de que fazia

parte Soeiro da Costa. Alvaro Fernandes tornou-se celebre sobretudo pelo

descobrimento da Serra Leôa.

[81] Alvaro Fernandes, por exemplo, foi de uma vez do Cabo Verde á Serra

Leôa, e depois Cadamosto e outros exploraram cuidadosamente a costa

intermedia, fazendo então viagem como se faz, quando se quer estudar uma

costa. «A nossa navegação diz o viajante italiano, sempre foi de dia,

lançando ancora todas as tardes ao sol posto com dez ou doze braças de

agua.» _Navegações de Cadamosto (traducção portugueza)_ pag. 51.

[82] _Histoire de la géographie_, etc., tom. II, pag. 56 e 57.

[83] _Os Côrte-Reaes_, pag. 61. (Ponta-Delgada, 1883).

[84] _Ibid._, pag. 57.

[85] Veja-se Herrera, _Historia general de los hechos castellanos en las

islas y tierra firme del mar oceano_, tom. I, cap. II e III, pag. 4 a 6.

(Madrid, 1601).

[86] Veja-se Herrera, _Historia general de los hechos castellanos en las

islas y tierra firme del mar oceano_, tom. I, cap. II e III, pag. 4 a 6.

(Madrid, 1601).

[87] Publicado no _Archivo dos Açores_, tom. I, pag. 24.

[88] Publicado no _Archivo dos Açores_, tom. I, pag. 22.

[89] Publicado pelo sr. Ernesto do Canto, nos _Côrtes-Reaes_, pag. 62.

[90] Publicado pelo sr. Ernesto do Canto, nos _Côrte-Reaes_, pag. 63.

[91] É o proprio Humboldt, que, referindo-se ás epochas do encontro das

ilhas diz: «Ces époques sont, pour l’écueil des Formigas, 1431; pour

l’île Santa Maria, 1432; pour San Miguel 1444; pour Terceira, San Jorge

et Fayal, 1449; pour Graciosa, 1453. La découverte des îles les plus

occidentales, Flores et Corvo, paraît antérieure à 1449, mais cette date

est moins précise». _Hist. de la géographie_, etc., tom. II, pag. 105.

[92] _Os Côrtes-Reaes_, pag. 61.

[93] Assim de João Vaz Côrte Real não hesito em referir que se dizia

que foi elle quem descobrira a ilha Terceira e a de S. Jorge e que por

isso recebera a capitania das duas ilhas (!) Cabo Verde e o Brazil (!!).

Tambem a respeito da força de João Vaz conta com a maior seriedade, e

como facto authentico, uma d’estas lendas que atravessam os seculos, com

as suas variantes, ácerca de homens famosos pela sua força muscular.

Assim diz, que, estando João Vaz Côrte Real no Algarve a passeiar na sua

quinta, veiu visital-o um castelhano muito forçoso, que tranquillamente,

passando n’uma alameda de marmeleiros, os foi arrancando de um e de

outro lado, pondo-lhes as raizes ao sol, João Vaz não fez a mais leve

observação, mas apanhando os marmellos, apertou-os na mão e esmagou-os

completamente não lhe ficando na mão senão o bagaço. É uma variante da

historia do ferrador, um Mauricio de Sarce ou um D. Pedro II de Portugal.

O rei ou o principe partia com a maior facilidade cada ferradura que

o ferrador lhe apresentava, dizendo-lhe que não era boa, e o ferrador

calado. Quando o alto personagem, pagando generosamente a sua ostentação

de força, deu uma moeda de ouro ao ferrador, este partiu-a dizendo que

não era boa. Como se vê, é o conto popular sempre com a mesma forma,

repetida por um escriptor crendeiro, cujo testemunho tem comtudo servido

para que escriptores serios percam o seu tempo com umas das suas lendas!

[94] _Os Côrte-Reaes_, pag. 36.

[95] _Ibid._, pag. 35.

[96] _Os Côrte-Reaes_, pag. 19.

[97] Arch. Nac. da Torre do Tombo, liv. 49 de D. João III, fl. 243,

verso. Transcripto nos _Côrte-Reaes_, pag. 121 a 125.

[98] Não ha razão seria para que a Groenlandia pertença á America e não

lhe pertençam os Açores. Da Islandia, que é a ultima parte da Europa, á

Groenlandia, vão 240 leguas, de Portugal a S. Miguel 247. Portanto, se

os islandezes descobriram a America porque chegaram á Groenlandia, com

mais razão se pode dizer que descobriram os Portuguezes a America porque

chegaram aos Açores. É perfeitamente pueril estar a discutir quem foi

que tocou primeiro nas terras americanas, a gloria consiste em não ter

hesitado em atravessar centos e centos de leguas de mar com o fim de

chegar ao Oriente pelo caminho do occidente.

[99] Diz Pedro Nunes: «E perderam-lhe (_os Portuguezes_) tanto o

medo (_ao mar_): que nem ha grande quentura da torrada zona: nem

o descompassado frio da extrema parte do sul: com que os antigos

escriptores nos ameaçavam lhes pode estorvar: «...Tirará nos muitas

ignorancias: e a mostraram ser a terra mór que o mar (_o erro de

Colombo_): e auer hi antipodas: que ate os Santos duvidaram: e que nam a

regiam que nem por quente nem por fria se deyee de abitar.» _Tratado que

o Doutor Pero Nunes, cosmographo del Rey nosso senhor fez em defensão da

carta de marcar: võ o regimento da altura._ Reg. 1. (Lisboa, 1537).

[100] Humboldt, _Histoire de la géographie_, etc., tom. II. Nota _H_,

pag. 369.

[101] Veja-se a interessante obra de Navarrete, tom. I, pag. 300.

[102] Strabão, II, pag. 83, 113 e 116. Itaque, diz Strabão na formosa

passagem em que prophetisa a America, compluribus verbis persuadere

nititur Eratosthenes nisi Atlantici maris obstaret magnitudo, posse nos

navigare in eodem parallelo, ex Hispania in Indiam per universum id quod

reliquem est, demta dicta distantia (hoc est longitudinæ terræ habitatæ)

quæ totius circuli trientem excedit». Strabo, liv. I, pag. 113-114.

Assim, excedendo as terras habitadas a terça parte do parallelo, o mar

a percorrer é um pouco inferior a ⅔ e menos de 240°, mais de 236°. A

differença imaginada por Eratosthenes e Strabão e a distancia verdadeira

não é grande.

[103] Esta carta foi publicada pelo sr. Teixeira de Aragão na excellente

_Memoria ácerca do descobrimento da America_ que escreveu para o volume

consagrado pela commissão portugueza do centenario de Colombo a esta

grande solemnidade. É datada de Aviz de 20 de março de 1488. Trata

Christovam Colombo por nosso especial amigo.

[104] _Os Côrtes-Reaes_, pag. 65, nota 123. A carta de doação a Fernão

Dulmo vem publicada no mesmo volume de pag. 64 a 69.

[105] «No me admiro tengais, diz-lhe Toscanelli na sua segunda carta, tan

gran corazon _como toda la nacion portugueza, en que siempre ha habido

hombres señalados en todas emprezas_.

[106] A carta é de maio de 1505, citada por Navarrete no t. III pag. 528,

e Humboldt, t. III, pag. 260.

[107] Veja-se a minha _Historia de Portugal_, t. IV, pag. 272.

[108] Foi Humboldt que fez notar a differença entre as duas versões da

mesma bulla, _Hist. de la géographie_, etc., sec. II, t. III, pag. 52,

nota.

[109] A filha de Izabel a Catholica desposára o filho d’el-rei D. João

II, o principe D. Affonso que morreu de uma desastrada quéda de cavallo a

13 de julho de 1491.

[110] Humboldt, _Histoire de la géographie_, etc., sec. II, t. III, pag

55.

[111] _Quadro elementar das relações politicas e diplomaticas de Portugal

com as diversas potencias do mundo_, t. II, pag. 390 Lisboa, 1844. O

tratado vem publicado _in extenso_.

[112] Pedro Martyr d’Anghiers, _Oceanicas_, dec. VIII, cap. 10.

[113] Foi o duque de Medina-Sidonia que se offereceu para ir com as suas

caravelas em perseguição dos portuguezes, e a 2 de maio de 1493 pediam

os reis catholicos ao duque que as tivesse prestes, a 12 de junho e 27

de julho affiançavam a Colombo que não havia motivo para se desconfiar

do rei de Portugal, doc. n.ºs 16, 50 e 54 publicados na _Collecção de

viagens e descobrimentos_, citados pelo sr. Teixeira de Aragão a pag. 18

da sua _Breve memoria sobre o descobrimento do Brazil_.

[114] O trecho da _Esmeralda_ é o seguinte: «Como no terceiro anno do

vosso reinado do anno de Nosso Senhor de mil quatrocentos noventa e oito

donde nos vossa alteza mandou descobrir a parte occidental, passando além

do grande mar oceano, onde é achada e navegada uma tão grande terra firme

com muitas grandes ilhas adjacentes a ella, que se estende a setenta

graus de ladeza da linha equinocial contra o polo arctico.» _Esmeralda_

liv. 2.º, cap. I, transcripto pelo sr. Teixeira de Aragão na sua _Breve

Noticia_, etc., pag. 47. D’este trecho deduz-se que Duarte Pacheco foi

mandado descobrir para o occidente em 1498, o que não faz senão confirmar

o que temos dito, mas não que Duarte Pacheco descobriu o Brasil. Nem elle

diz que _achou e navegou_ essa terra, mas sim que essa terra _é achada e

navegada_, e isto em 1505.

[115] _Roteiro geral do globo_, tom. XI, sec. 1.ª, pag. 2 (Lisboa 1839).

Mouches, _Les côtes du Brésil_, sec. II, pag. 8 (Paris, 1864).

[116] N’uma das sessões do _Instituto Historico Geographico do Brasil_, o

imperador D. Pedro II propoz como assumpto de discussão «se a descoberta

do Brasil foi intencional ou devida ao acaso». Joaquim Norberto fez

uma memoria interessante sustentando que a descoberta foi intencional,

Machado de Oliveira fez uma memoria de uma futilidade inexcedivel e

de uma grosseria imperdoavel que nem merece que d’ella nos occupemos,

Gonçalves Dias sustentou com argumentos broncos, mas com vigor de estylo,

mostrando-se muito talentoso e muito erudito, que a descoberta fôra

occasional. Joaquim Norberto replicou e muitissimo bem. O unico argumento

de algum peso que Gonçalves Dias apresentava era o da corrente equatorial

que corre de léste para oeste. É esse exactamente o que o sr. Baldaque da

Silva destróe technicamente e de um modo completo.

[117] _Les côtes du Brésil_, pag. 115, nota _a_.

[118] _Ibid._, pag. 12.

[119] _Ibid._, pag. 116, nota _a_.

[120] «Sahindo do dito Cabo Verde, esta terra jaz entre Oeste e Sudoeste,

ventos principaes, e dista do dito Cabo Verde quatrocentas leguas».

_Carta de Portugal enviada ao rei D. Manuel ácerca da viagem e successo

da India_, traduzida da versão italiana pelo sr. Prospero Peragallo,

e por este publicado com o texto italiano e annotado nas _Memorias da

commissão portugueza do centenario de Colombo_. O trecho que citamos vem

a pag. 9 _in fine_. Como se vê, estando a 400 leguas de distancia não

a oeste, mas a oes-sudoeste a distancia do meridiano de Cabo Verde ao

meridiano de Vera-Cruz não podia ser superior a 370 leguas. Pero Vaz de

Caminha disséra-lhe: «Topamos algūus synaes de terra seendo da dita ilha

(_S. Nicolau de Cabo-Verde_) segundo os pilotos diziam obra de VIᵉ LX ou

LXX legoas ᵉlc (670 _ou_ 701 _leguas_)». Esta carta de Pero Vaz Caminha

tem sido muitas vezes publicada. Fazemos o nosso extracto da memoria do

sr. Aragão, onde vem nos documentos, pag. 66.

[121] A carta do jesuita Antonio de Sá escripta em hespanhol aos jesuitas

da Bahia e datada de S. Vicente, 13 de junho de 1559 diz: «Un Indio que

se llama Belchior está puesto en ayunar todos los dias que manda la

Iglesia, y sin yo le hablar nada, preguntóme que le hiziese saber los

dias de ayuno y cual no se comia carne, diciendome que antes _que muriese

Juan Ramallo que el se lo dezia y ayunaba todos los dias que la Iglesia

manda_.» O estudo a que nos referimos feito pelo sr. Candido Mendes

de Almeida vem publicado na _Revista trimensal do Instituto Historico

Geographico do Brasil_, e n’esse periodico vem tambem as memorias de

Joaquim Norberto, Gonçalves Dias e Machado de Oliveira, a que atraz nos

referimos.

[122] «ao qual monte alto, diz Pero Vaz de Caminha, o capitam poz o nome

de monte pascoal e aa tera a tera de Vera-Cruz». Depois de ter entrado em

communicação com os habitantes é que Pedro Alvares Cabral considerou a

terra como uma ilha, e a denominou _ilha de Vera Cruz_.

[123] Strabão XI, pag. 518.

[124] Pomponio Mela, t. III, c. 5, 98.

[125] _Les Corte-Real_ par mr. H. Harrisse, pag. 209. Ernesto do Canto,

_Os Côrtes-Reaes_, pag. 211.

[126] _Histoire de la Géographie_, etc., t. IV, pag. 263.

[127] Legenda do mappa mandado fazer em Lisboa por Alberto Cantino em

1502. O sr. Ernesto do Canto transcreve-a a pag. 208 do seu livro.

[128] Esta curiosa doação foi publicada em texto latino por Bidle na

obra que saío anonymamente em Londres, 1831 e que se intitula _A Memoir

of Sebastian Cabot with a Review of the History of Maritime Discovery,

illustrated by documents from the Rols, new first published_. Abrange de

pag. 312 a 320. O sr. Ernesto do Canto publica tambem o texto latino com

a traducção portugueza no seu livro _Os Côrtes-Reaes_ e abrange de pag.

74 a 87.

[129] E. do Canto, _Os Côrtes-Reaes_, texto italiano a pag. 45 e 46,

traducção latina de Madrijuan a pag. 47 e 48.

[130] São interessantissimas as indicações dadas a esse respeito pelo

sr. Patterson, na sua magnifica memoria. A bahia de Fundy, diz elle,

é evidentemente a Bahia Funda. Tambem nota que apparece lá o nome de

Tanger, que não podia ter sido posto senão pelos portuguezes, senhores

então d’essa praça, e sempre tão relacionados com ella.

[131] «There are about 100 sail of Spaniards who come to take cod, who

make it all wet and dry... As touching their tonnage I think it may be

5,000 or 6,000. Of Portugals there are not above fifty or sixty sail,

whose tonnage may amount to 5,000, and they make all wet.» Citado

pelo reverendo George Patterson na excellente memoria que publicou

nas _Trans-Roy. Soc. Canada_, e que se intitula _The Portuguese in

the North-East coast of America, and the first European attempt at

Colonization there. A lost chapter in American History_, pag. 145. Esta

memoria foi lida na _Royal Society_ a 28 de maio de 1890.

[132] Esta exploração outr’ora tão importante e activa, na qual estavam

empenhados capitaes e interesses tão avultados, concorrendo para ella

tantas partes do nosso continente, vê-se hoje reduzida a uma duzia de

navios que a entretêem apenas em dois centros de pescarias: Figueira da

Foz e Lisboa.» A. A. Baldaque da Silva, _Estado actual das pescas em

Portugal_, pag. 166. E diz, em nota, que a pesca do bacalhau era tão

importante no tempo de D. João III e d’el-rei D. Sebastião «que foi

providenciada por um regimento particular para as frotas que annualmente

expediam a esta pescaria.»

Emquanto á colonisação, que foi motivada exactamente pela importancia da

pesca do bacalhau, foi promovida por varias pessoas de Vianna do Minho,

muito interessadas n’este negocio da Terra Nova, pelas muitas relações

que tinham com os Açorianos. D’esta colonisação dá conta um interessante

folheto publicado ha poucos annos, mas escripto no seculo XVI, que se

intitula: _Tratado das ilhas novas e descobrimento d’ellas e outras

coisas feito por Francisco de Souza, feitor d’El-Rei Nosso Senhor, na

capitania da cidade do Funchal da ilha da Madeira e natural da mesma ilha

e assim de parte da nação portugueza que está em uma grande ilha, que

n’ella foram ter no tempo da perdição das Espanhas, que ha trezentos e

tantos annos em que reinou El-Rei Dom Rodrigo. Dos Portuguezes que foram

de Vianna e das Ilhas dos Açores a povoar a Terra Nova do Bacalhau vae em

sessenta annos, do que succedeu, o que adiante se trata. Anno do Senhor

de 1570. Ponta Delgada, S. Miguel, Açores 1877._

É curiosa a mistura de lenda e de verdade que n’este titulo se encontra.

Ao lado de uma colonisação perfeitamente authentica n’uma ilha certa é

conhecida ainda a velha lenda da ilha das Sete Cidades colonisada pelos

sete bispos, que fugiram da Peninsula com os seus fieis no tempo do rei

Rodrigo!

[133] «Outros chamam-lhe, diz D. Manuel, terra nova ou novo mundo».

[134] Veja-se o estudo desenvolvido de Humboldt, que aliás não vê as

coisas debaixo do nosso ponto de vista nas notas finaes do vol. V, da sua

_Histoire de la géographie_, etc., da pag. 180 em diante.

[135] _Recherches historiques, critiques et bibliographiques sur Améric

Vespuce et ces voyages._—Paris, sem data.

[136] Veja-se a carta de mr. Letronne a Humboldt, publicada no vol. III,

da sua _Histoire de la géographie_, etc., da pag. 119 em diante.

[137] Veja-se Humboldt, _Histoire de la géographie_, etc., tom. II, pag.

26 e segg. Falando do globo de João Schoner diz: «Figurou no globo o

estreito no logar em que Colombo debalde o procurara.» No globo de Weimar

(que tem a data de 1534) ha dois estreitos, um a 42° de latitude sul, e

outro no isthmo de Panamá a 10° de latitude ao norte do Equador.

[138] «Se não tivessemos achado este estreito, diz Pigafetta, o

capitão-general estava disposto a ir até 75 graus para o polo antarctico

onde no verão não ha noite, ou muito pouca e da mesma maneira no inverno

não ha luz do dia ou ha pouquissima.» _Navegação e viagem que Fernando de

Magalhães fez de Sevilha a Moluco no anno de_ 1519, pag. 61 da traducção

ingleza de sir Stanley de Alderley, (Londres, 1874).

Os descobrimentos portuguezes e os de Colombo: Tentativa de coordenação historica · 第 21 / 21 题