Quando a Virgem fugia com o filho á violenta perseguição dos seus
inimigos, chegou junto de um espesso bosque de espinheiros, que lhe
abriu passagem, fechando-se depois á chegada dos soldados romanos.
A Virgem abençoou então os espinheiros que se compadeceram da sua dôr e,
Christo, fallando pela primeira vez, disse que em memoria d'aquelle
facto, a corôa com que o adornariam no dia do martirio, havia de ser de
espinheiro. E assim foi, pois a corôa que os judeus, para o
ridicularisar, lhe forneceram, era d'aquelle vegetal.
Conta mais a lenda que um pisco, vendo que os espinhos do espinheiro
feriam a fronte do Salvador, veio pousar-lhe na cabeça e com o bico os
quebrou um a um. Molhando n'essa occasião o peito no sangue de Christo,
ficou a ave, para sempre, com aquella sagrada mancha, recordação eterna
do caridoso acto que praticara.