É o arroz symbolo da vida, da geração e da abundancia, representando por
isso nas ceremonias nupciaes da India um grande e importante papel. Lá
lançam o arroz sobre a cabeça dos nubentes, como entre nós se deitam
flores e confeitos; é um prato de arroz o primeiro alimento que os
esposos comem juntos, e é com arroz humedecido em manteiga e lançado ao
fogo que, finda a ceremonia nupcial, impetram a protecção dos deuses
para que os façam felizes e lhes dêem muitos e muitos filhos.
Logo que uma creança nasce, collocam-a em cima de um sacco cheio de
arroz para a livrar dos maus olhados, e nenhum indiano tóca no arroz sem
antes ter feito as suas abluções.
Para todos os sectarios de Buhdha é elle planta sagrada, destinada ás
offerendas á divindade, e a ser servida nos banquetes religiosos e nas
ceremonias funerarias.
A sementeira do arroz é feita na India com grande ceremonial religioso,
com musicas e bençãos dos brahmanes.
Na China, por occasião das sementeiras, os padres fazem sacrificios ao
fogo para que permitta que o anno seja fertil. Para isso andam com resas
á volta de uma fogueira, tendo nas mãos um vaso cheio de arroz e sal de
que lançam de tempos a tempos um punhado ao fogo. Aqui o fogo symbolisa
o sol, que com o seu excessivo calor póde prejudicar inteiramente a
producção do arroz que só se dá bem com um excesso de humidade, e é por
isso que lhe imploram a sua protecção, o beneficio de uma menor
intensidade dos seus raios seccadores.
Para os arabes tambem o arroz é sagrado. Crêem que elle nasceu de uma
gotta de suor de Mahomet e que o _Kuskussú_, o querido manjar nacional
fabricado com arroz, foi revelado a Mahomet por o anjo Gabriel. Mahomet,
sempre que partia para a guerra ou tinha relações com qualquer mulher,
comia antes um pouco de _Kuskussú_.
A mais curiosa das lendas do arroz é, porém, a lenda japoneza.
Conta-se no paiz do sol nascente que outr'ora, o unico alimento alli
conhecido, era as raizes e as hervas. Porém um dia um bonzo viu um
minusculo e formosissimo rato entrar n'uma cavidade proxima da sua
habitação, arrastando uma pequenina espiga d'um cereal para elle
desconhecido. Querendo saber d'onde viria aquella preciosidade, seguiu o
rato, que o levou muito longe, a um paiz ignorado, onde todos os campos
estavam cobertos de arroz e onde o bonzo aprendeu a cultival-o,
introduzindo-o depois no seu paiz.
Foi d'aqui que nasceu a adoração das populações japonezas pobres, pelo
rato, que conservam em casa mumificado, considerando-o como symbolo da
abundancia.