O governo francez protege, com grandes subsidios na armação dos navios e

com avultados premios sobre o pescado importado, as suas pescas do

bacalhau, cujo producto augmenta extraordinariamente os recursos

alimenticios do paiz, elevando-se o seu valor em dinheiro á somma de 17

milhões por anno. A pesca do bacalhau emprega em França 400 navios e 12

mil marinheiros.

Um facto bem notavel e digno de ser ponderado pelos legisladores

portuguezes é que a prosperidade e o progresso da França teem sido

marcado, como a temperatura em um termometro, pelo desenvolvimento ou

pela estagnação das suas grandes pescas! No tempo da emancipação

communal a pesca do bacalhau desenvolve-se enormemente; cae com a

corrupção monarchica do regimen despotico; revive deante das medidas

legisladas pela Revolução.

Talvez o governo ignore as condições em que actualmente se tributa o sal

que os pescadores francezes nos compram com destino ao seu bacalhau. Os

navios francezes que veem ao nosso porto fornecer-se d'esse genero fazem

fiscalisar o seu carregamento pelo respectivo consulado; o consul

francez remette ao seu governo a nota dos moios de sal carregados em

Lisboa e cujos direitos de importação em França são pagos no porto

d'onde o navio partiu pelo proprietario responsavel por este imposto.

D'este modo evita-se todo o contrabando na importação do sal: os

direitos estão pagos na razão de 50 centimos por cem kilogrammas. Quando

porém o navio que carregou em Lisboa volta a França com o sal empregado

nos bacalhaus que pescou, o governo restitue-lhe os direitos

anteriormente percebidos, não já na razão de 50 centimos por cada cem

kilogrammas de sal, mas sim na de 13 francos por cada cem kil. de

bacalhau. É assim que na questão de um simples imposto se revela o plano

de um paiz para o qual a administração tem um fim de progresso.

Portugal possue no mar dos Açores, segundo a asseveração de varios

navegantes, um banco de bacalhau que muitos julgam superior ao da Terra

Nova, o qual se diz descoberto por um portuguez Gaspar Côrte Real. E

deixa morrer ao desamparo essa grande industria riquissima, a pesca de

um peixe precioso em que tudo se transforma em riqueza: as linguas

constituem um artigo especial presadissimo dos _gourmets_; dos

intestinos faz-se o melhor adubo da terra; do figado extrae-se o oleo

importantissimo para a industria e para a medicina; os ovos empregam-se

com grande vantagem na pesca da sardinha.

Apezar de Portugal ser um paiz privilegiado para a pesca do bacalhau,

pelo valor e pela pericia dos seus pescadores, pela posse do melhor sal

que se conhece para salgar o peixe e do melhor sol que ha para o secar,

o nosso governo despresa este importantissimo ramo da actividade

commercial, perdendo por esse mesmo facto a melhor escola pratica dos

nossos marinheiros e dos nossos navegantes. A grande pesca tambem é para

nós um symptoma da vitalidade nacional. Quando eramos fortes mandavamos

cincoenta ou sessenta navios de pesca para a Terra Nova. Hoje pescamos

na costa o carapau para o gato, servindo-nos de redes que deveriam ser

prohibidas, despovoando as aguas de pequenos peixes insignificantes, que

pelo contrario pesariam dois kilos e seriam um importante artigo

alimenticio, se tivessemos estudado os nossos apparelhos de pesca e

soubessemos legislar sobre a dimensão permittida ás malhas das redes. O

governo portuguez nunca deu a este assumpto, base de toda a exploração

colonial, um só instante de attenção.

O parlamento nomeia em cada anno uma commissão de pescas, que ainda não

serviu para mais nada se não para tributar o pescador. As especies de

peixes que frequentam as nossas costas estão por estudar. A piscicultura

não tem sido objecto de maiores disvellos que a ictyologia: nem uma só

medida tomada pelo Estado para repovoar as aguas das nossas costas e dos

nossos rios principaes; nenhum estudo feito sobre os botes e sobre os

apparelhos empregados na pesca. Assim o pescador considera o Estado, que

elle nunca viu representado senão pelo fisco, como um puro explorador.

Na Povoa de Varzim ha um antigo quebra-mar destinado a formar um porto

de abrigo, que nunca se concluiu. Todas as reclamações, todas as

instancias feitas para este fim teem sido inuteis.

Ha cerca de seis annos el-rei em pessoa visitou a Povoa acompanhado por

um dos seus ministros, o sr. Avelino, o qual em nome do soberano

prometteu aos pescadores que ia ser concluido o paredão. Até hoje ainda

se não accrescentou uma pedra áquelle monumento unico do desleixo

nacional!

E todavia o espirito aventuroso dos nossos antigos navegantes, que o sr.

marquez de Sousa Holstein acaba de procurar resuscitar com a sua

eloquente e erudita conferencia ácerca da escola de Sagres, está ali

vivo ao pé d'esse paredão em ruinas. Ha ahi tres mil homens que em cada

dia jogam as suas vidas com a mesma coragem com que nós aqui em Lisboa

jogamos as cartas. Os poveiros são os homens mais alentados e mais

robustos que tem Portugal. É raro o que se enterra no cemiterio da

freguezia. Morrem no mar, sob um céo de chumbo, estrangulados pela

inclemencia das vagas, á vista da terra, ao alcance das vozes das suas

mulheres e dos seus filhos, por lhes faltar o abrigo a que se destina o

quebra-mar de conclusão em projecto! Não ha um que saiba ler. Habitam em

terra um bairro infecto e miseravel. Os cações escalados, destinados á

alimentação no inverno, secam pregados ás portas interiores das casas.

Cheios de _vermine_, homens, mulheres e creanças, dormem no mesmo

quarto, n'uma promiscuidade horrorosa. A terra da patria dá-lhes apenas

um farol, que elles illuminam á sua custa, e um barco de salva-vidas,

que elles mesmos tripulam. E é para isso que elles, desgraçados, quasi

mendigos, pedindo esmola em bandos durante o inverno, pagam um imposto

annual de cerca de seis contos de réis, integralmente devorados pelo

fisco.

Imagine-se como elles lhe hão de querer e como a hão de amar, á querida

terra da patria!

A unica vingança que esses generosos lobos do mar tiram do Estado, que

tão vilmente os explora e os rouba, consiste em não darem nem um só

homem para o recrutamento maritimo. Não ha meio algum de os obrigar a

fornecer um recruta á armada. Preferem morrer mil vezes a servir taes

amos.

E eis ahi está o ultimo capitulo na provincia do Minho da historia,

feita pelo sr. marquez de Sousa, da escola dos navegadores portuguezes

fundada em Sagres pelo infante D. Henrique!

Como a administração das nossas colonias depende directamente da

organisação da nossa marinha, como a importancia da nossa marinha

depende da organisação das nossas pescas, a Academia prestou á

civilisação da Africa um serviço verdadeiro, não organisando

conferencias, mas tomando uma deliberação mais obscura e todavia mil

vezes mais importante: a de nomear o sr. Brito Capello, naturalista

adjunto do museu zoologico, para ir estudar ao longo do nosso littoral a

industria da pesca e de expôr os meios de a reorganisar.

Comtudo a opinião, que tem de julgar os factos, tão esclarecida é, que

applaudiu como um notavel beneficio patriotico a iniciativa das

conferencias--um espectaculo de erudição, e não teve uma palavra de

applauso para a missão do sr. Capello--o primeiro passo para atacar o

mal na sua verdadeira origem!

* * * * *

Do estado verdadeiramente deploravel em que se acha a nossa força

maritima póde-se ter uma idéa pela recente medida tomada pelo governo de

convidar a servir na armada, mediante uma gratificação apregoada na

folha official todas as praças de infanteria ou de caçadores que para

esse fim se apresentem! O governo tem de um marinheiro esta

comprehensão:--que elle se fabrica por meio do abono de quatrocentos

réis por dia dados a um soldado de caçadores!

Mas, a não ser que o façam ao acaso ou que se determinem por uma

escolha baseada na côr dos olhos ou na fórma do nariz, que razões podiam

ter levado o governo a alistar na arma de caçadores um dos seus

recrutas? Suppomos que estas razões devem ser tiradas das condições em

que foi educado o recruta; que o fizeram caçador porque habitava as

montanhas, porque era um caminheiro, porque tinha a agilidade que dá a

luta com os terrenos escabrosos nas visinhanças das serras. Ora, sendo

assim, como querem sujeitar á vida sedentaria do mar e á familiaridade

das ondas esse montanhez, que nunca pegou n'um remo, que chegou das

Alturas de Barroso, do Marão ou da Serra da Estrella e que sente as

pernas enferrujadas e o pulmão opprimido desde que não anda mais de uma

legua por dia trepando saudosamente ás colinas que cercam o logar do seu

quartel?

Outro facto não menos expressivo é o que ha pouco tempo se deu com

alguns guarda-marinhas do nosso conhecimento em estação em Loanda.

Sabe-se que não ha plantas dos nossos portos da Africa, cuja navegação

se faz por meio de cartas inglezas.

Os jovens marinheiros a que nos referimos, impellidos por esta vergonha

da nossa marinha, quizeram levantar a planta do porto de Loanda.

Empregaram todos os esforços para obter os necessarios instrumentos, não

puderam conseguir senão unicamente a offerta de um bote, unico elemento

de trabalho que o governador se achava habilitado a pôr á disposição

d'esses extravagantes. Elles comprehenderam então que não tinham senão

uma coisa que consagrar aos destinos da patria; não era o talento, não

era a dedicação, não era o trabalho; era unicamente a saude. E foram

immolar o figado á administração nacional para bordo do seu navio, como

patos de engorda pregados pelos pés á respectiva capoeira.

Quando os nossos officiaes teem conseguido arruinar completamente as

suas visceras na inanição official das nossas estações de Africa, voltam

doentes á metropole e concluem a missão civilisadora que o paiz lhes

incumbiu tomando as aguas alcalinas de Vidago.

As aguas de Vidago são o fim supremo do seu destino militar.

* * * * *

Emquanto estas coisas se passam os inglezes, com um poder creador que

faz muitas vezes o elogio das suas faculdades inventivas, acham em cada

dia pretextos novos para intervirem com o _seu protectorado

humanitario_ nos negocios do interior africano, e dilatam a pouco e

pouco a sua occupação e o seu dominio manso sobre o nosso territorio.

* * * * *

Um dos incidentes que acompanham a questão suscitada pela viagem do

capitão Cameron é a revelação feita por este viajante de que as

auctoridades portuguezas no interior da Africa não obstam ao trafico dos

escravos, que ainda ali vigora.

Como é que nós respondemos á denuncia d'este facto? Respondemos negando

a asseveração do sr. Cameron e fazendo protestos.

Para decidirmos se um tal modo de retorquir nos podia ser ou não

permittido, vejamos quem é o homem que nos acusa.

Cameron é o segundo europeu depois de Levingstone que modernamente

atravessou a Africa desde a costa oriental até a costa occidental,

levado por um intuito exclusivamente scientifico. D'esta viagem, que

durou quatro annos, trouxe o sr. Cameron o projecto de ligar a costa do

oriente com a do occidente por meio da navegação fluvial, aproveitando

as relações hydrographicas do rio Congo e do Zambese, o primeiro dos

quaes desemboca de um lado no Zaire e o outro do lado opposto, ao sul de

Moçambique.

Durante esses quatro annos passados entre selvagens, o capitão Cameron

parte de Bogamoyo em frente de Zanzibar, passa em Rehenneko, atravessa o

paiz de Ounyanyembe, o paiz de Ugara, o Ujiji, o lago Tanganyika, o

mercado de Nyaugwe, o estado de Urua, a Ponta do Lenho, desce as margens

do Congo, toca em Benguela, chega finalmente a Loanda. Os companheiros

de viagem que haviam saido de Inglaterra para o acompanharem--o doutor

Dillon, Moffat sobrinho de Levingstone, o artilheiro Murphy, não podem

seguil-o a mais do começo d'essa longa e perigosa expedição. Adoecem

successivamente todos. Moffat morre em Bogamoyo. Em Ounyanyembe

apparecem-lhe os homens de Levingstone trazendo o cadaver do explorador

que o precedera. Então Murphy e Dillon, ambos gravemente enfermos,

desistem de continuar essa immensa viagem e regressam com o corpo de

Levingstone para Zanzibar. Dillon morre no caminho.

Cameron, só, sem nenhum outro companheiro europeu, armado de uma

clavina, seguido por uma escolta de negros, prosegue, caminhando

atravez de regiões inexploradas e desconhecidas, sob um clima mortifero,

deixando atraz de si, marcado com a morte dos seus camaradas e cada um

dos primeiros estadios da sua portentosa peregrinação.

Não sabemos quem era Cameron ao partir. Admittimos que saisse da

Inglaterra com a educação commum de um simples tenente da armada

britanica. Mas dizemos que uma viagem como a que elle fez, e nas

condições em que a fez, basta para retemperar uma alma e para formar um

caracter. Um tal homem não mente. N'elle a mentira seria a refutação de

todos os principios do nosso aperfeiçoamento, seria a violação de todas

as leis da natureza humana.

Nada mais lastimosamente ridiculo do que a indignação patriotica de

qualquer dos nossos politicos, chupando auctoritariamente um cigarro no

Gremio ou á porta da Casa Havaneza, bombardeando a atmosphera com balas

de fumo, e desmentindo o homem mais competente que hoje existe no mundo

para nos informar do que se passa em Africa!

O que Cameron disse ácerca da escravatura africana na conferencia feita

em Londres foi o seguinte:

«Cerca da linha de separação das bacias do Zambese e do Congo fomos

retardados no primeiro acampamento por causa da caça aos escravos

fugidos. Quando pela manhã me preparava para partir, chega um mensageiro

dizendo-nos: _Não partaes; Kouaroumba vae chegar com os seus escravos_.

Depois do meio dia chegou effectivamente Kouaroumba com uma fila de

cincoenta ou sessenta infelizes mulheres, carregadas com a presa,

trazendo algumas os seus filhos nos braços. Estas mulheres representavam

pelo menos a ruina e a destruição de quarenta ou cincoenta aldeias e a

matança d'aquelles dos seus habitantes masculinos que não conseguiram

refugiar-se nos juncaes para ali viverem como podessem ou morrerem de

fome. É para mim fóra de duvida que estas cincoenta ou sessenta escravas

representam mais de 500 individuos mortos na defeza do seu lar ou

acabando mais tarde de inanição. As mulheres a que me refiro vinham

presas umas ás outras pela cinta por meio de cordas cuidadosamente

atadas. Quando ellas affrouxavam na marcha, batiam-lhes

desapiedadamente. Os traficantes portuguezes, negros ou mestiços são

muito brutaes; os arabes pelo contrario tratam geralmente bem os

escravos. Os negros caçados como estas mulheres no interior da Africa

não são em geral levados para a costa. Vão para Sakaleton, onde por

varios motivos a população é rara e são mui procurados os escravos. São

vendidos por marfim, que os traficantes trazem para a costa.»

Estas palavras são perfeitamente explicitas e terminantes.

Persiste com todos os seus horrores no interior das nossas possessões da

Africa o trafico dos escravos. Emquanto se não provar manifestamente o

contrario esta é que é a verdade, verdade referida pelo sr. Cameron, já

anteriormente ennunciada pelo viajante francez o sr. Jocolliot,

confirmada pelo sr. Young, explorador inglez, e ultimamente, mesmo em

Lisboa em uma carta publicada no _Progresso_ pelo sr. Pinheiro Bayão,

que esteve por algum tempo em Africa empregado do Estado.

Para factos d'esta ordem os protestos de toda a imprensa[1] e de todo o

parlamento, por mais unanimes que elles sejam, não teem a natureza de

uma refutação nem o caracter de uma resposta, são uma pura evasiva

compacta.

[Nota 1: Um unico periodico, de que tenhamos noticia, o _Seculo_, de

Coimbra, tomou a defeza do capitão Cameron em um artigo poderosamente

escripto pelo sr. Correia Barata.]

A primeira noticia dada em Portugal da viagem de Cameron foi objecto de

uma sabia exposição feita á primeira classe da Academia das Sciencias

pelo fallecido naturalista o dr. Bernardino Antonio Gomes. O resultado

d'essa exposição dos serviços prestados pelo viajante inglez á

civilisação universal foi dirigir-se a Academia ao ainda então tenente

Cameron, agradecendo-lhe em nome da sciencia e em nome de Portugal a

contribuição valiosissima com que elle tinha cooperado para o progresso

da sociedade humana.

O governo, deliberando tomar officialmente conhecimento dos factos

referidos pelo capitão Cameron, não tinha senão uma resposta que

dar-lhe:--nomear uma commissão de inquerito que syndicasse

rigorosamente da cumplicidade dos funccionarios portuguezes no

menosprezo ou na contravenção das leis que aboliram a servidão.

Em quanto á camara dos srs. deputados, parece-nos que ella teria

procedido, pelo lado scientifico com mais logica, e pelo lado patriotico

com mais tacto, se em vez das protestações que iniciou houvesse seguido

o exemplo que lhe fôra dado pela Academia e agradecesse simplesmente ao

sr. Cameron as informações que este lhe prestára.

D'esse modo teria a camara dos sr. deputados evitado receber do _Times_

a mais dura e humilhante lição que por via da penna de um jornalista se

pode inflingir a uma sociedade.

O preconceito do patriotismo é o mais funesto de todos os preconceitos

sociaes sempre que elle nos leva a trahir a verdade. Manter na opinião

publica a mentira é violar o progresso da humanidade pelo modo mais

sacrilego e mais nefando. A decomposição em que se acha a governação e a

politica em Portugal deve-se principalmente á fraqueza dissolvente dos

caracteres publicos em testemunhar a verdade. Todo aquelle que por meio

da sua palavra ou por meio da sua penna não tem o preciso valor para

ennunciar a sua inteira opinião é um traidor da civilisação e um

perigoso inimigo do genero humano. Não queremos para a nossa

consciencia de escriptor o remorso d'essa voluntaria culpa, e é por isso

que dizemos aos srs. deputados:

A verdade, meus senhores, é o que vos disse o _Times_. «A questão, como

diz o referido periodico, não é se Portugal prestou serviços á causa do

progresso africano, nem se os estadistas foram estudiosamente polidos na

sua linguagem tratando com uma nação alliada e amiga; a questão é se os

factos são ou não são como recentes viajantes affirmaram que eram. Que o

commercio da escravatura na Africa central seja feito mui largamente por

negociantes portuguezes e sob a protecção da bandeira portugueza é

accusação que pode ser refutada, não pela linguagem de uma indignação

ficticia ou real, não por patrioticas reminiscencias, nem por uma

referencia a cumprimentos diplomaticos, mas sim deixando-se de permittir

que haja materia para que a accusação continue. Sabemos quanto Portugal

tem feito no papel para acabar a escravatura, e conhecemos tambem o

pouco effeito que as suas energicas declarações produziram.»

Os quatro milhões de vozes de que o paiz inteiro pode dispor, a

protestarem todas perante o universo, não poderão convencer um só homem

de que a verdade seja differente do que é. A declamação n'este ponto é

completamente inutil com outro qualquer fim que não seja um puro

exercicio de eloquencia nacional.

Por tal modo, meus senhores, não julgueis contribuir para a civilisação.

Vós contribuis apenas para o _Peculio de Oradores_, do sr. João Felix.

As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes (1877-05/06) · 第 4 / 4 段