XVII

N'um dia de 1839[NT], frei Antonio é chamado a casa de Joaquim Nunes; o

lojista, antigo creado de Gonçalo da Silveira. Vae, e acha-o enfermo.

--Sr. frei Antonio--disse o merceeiro--chamei-o para me ajudar a saldar

as minhas contas com o mundo, para levar diante de Deus os meus livros

de rasão sem nodoa. Estou muito doente, e não espero nada da medicina. O

que eu tenho a dizer-lhe, não é o receio da morte que m'o faz dizer. Ha

dias que eu preparava esta occasião, e oxalá que sendo a vontade de

Deus, eu sobrevivesse á resolução que tomei. Ora diga-me; como se porta

o sr. Alvaro?

--Melhor do que as minhas ambições.

--Já não teme que elle torne ao caminho da perdição?

--Confio em Deus, não é n'elle, nem em mim, confio em Deus que não.

--Elle sabe que sou eu o que lhe dou as mezadas?

--Não sabe: cumpri religiosamente a sua vontade.

--Deve ter dito muito mal do avarento creado de seu pae...

--Nem uma palavra, desde que está em minha companhia. Parece que

confessa com o seu silencio gratidão á mão generosa que o soccorre.

--Ora diga-me, sr. fr. Antonio, envergonhar-se-ha elle de vir visitar um

creado antigo da sua casa, doente?

--Ó senhor, isso é duvidar do coração de meu sobrinho; essa licença

estava eu para pedir-lh'a...

--Pois que venha, e venha tambem sua mulher, desejo ve'-los, e o mais

breve que possa ser.

Lagrimas Abençoadas · 第 110 / 115 题