XIV

Alvaro, procurando Maria, disse-lhe:

--Não abusarei das tuas bondades, anjo. Vivo do teu trabalho,

agradeço-te de joelhos a esmola, e não posso continua'-la a receber.

Maria soltou um grito do coração e disse a Alvaro que a não matasse.

--De joelhos sou eu que te peço, meu amigo--exclamou ella--que me não

abandones. Recompensa-me do muito que soffri, permittindo que eu sinta a

santa felicidade de trabalhar para nós ambos. Oh! tu não sabes avaliar

que ventura é esta! Se tivesses nascido pobre como eu, se tivesses

ajudado com o teu talento a comprar o pão de teus paes e teus irmãos,

não tinhas a crueldade de me roubar este prazer. Ó Alvaro, diz-me que é

certo viveres para mim e para a esperança de melhores dias. Diz-me que

entre a minha alma e a tua não ha uma linha de distancia que separe as

nossas ultimas migalhas de pão.

Lagrimas Abençoadas · 第 107 / 115 题