XIII

Alvaro da Silveira hospedou-se em casa do capellão. As suas horas eram

repartidas conforme o programma da prioreza. Frei Antonio já não ousava

confiar em si, e suffocava sempre a alegria do coração que exultava com

a rehabilitação de Alvaro.

Maria, porém, acreditava-o, e a prelada tambem. Alvaro parecia feliz com

ellas, feliz com o padre, feliz com a leitura em que empregava o tempo

livre.

Ninguem lhe falava no seu passado, nem elle proferia palavra que

despertasse recordações. Tambem não falava no futuro, e, se Maria

vaticinava delicias na pobreza, o melancolico moço revelava um

soffrimento doloroso como a vergonha ou como o remorso.

O passadio de Alvaro era superior ás posses do egresso. Um dia perguntou

elle se a capellania consentia tanto. Frei Antonio respondeu que podia

muito o trabalho de Maria. Alvaro chorou, ergueu-se da mesa, e exclamou:

--Estou punido, meu Deus!

Lagrimas Abençoadas · 第 106 / 115 题