Alvaro da Silveira hospedou-se em casa do capellão. As suas horas eram
repartidas conforme o programma da prioreza. Frei Antonio já não ousava
confiar em si, e suffocava sempre a alegria do coração que exultava com
a rehabilitação de Alvaro.
Maria, porém, acreditava-o, e a prelada tambem. Alvaro parecia feliz com
ellas, feliz com o padre, feliz com a leitura em que empregava o tempo
livre.
Ninguem lhe falava no seu passado, nem elle proferia palavra que
despertasse recordações. Tambem não falava no futuro, e, se Maria
vaticinava delicias na pobreza, o melancolico moço revelava um
soffrimento doloroso como a vergonha ou como o remorso.
O passadio de Alvaro era superior ás posses do egresso. Um dia perguntou
elle se a capellania consentia tanto. Frei Antonio respondeu que podia
muito o trabalho de Maria. Alvaro chorou, ergueu-se da mesa, e exclamou:
--Estou punido, meu Deus!