O orgulho de Alvaro succumbiu. No dia seguinte, procurou Maria. Desta
vez, não o abandonou o animo á porta do mosteiro. A primeira pessoa que
viu no pateo foi o seu mestre, o tio de sua mulher.
Eram oito horas da manhã. Frei Antonio entrava no templo para
sacrificar, e convidou Alvaro a segui'-lo, porque Maria estava no côro,
e, só depois da missa, viria ao locutorio.
O abstrahido moço, entrou ne egreja e ajoelhou. Maria soltára, no seio
de uma amiga, um _ai_ que o denunciára. A amiga, electrisada pelas
lagrimas felizes da secular, pediu á prelada se lhe consentia que
tocasse o orgão durante a missa. Obtido o consentimento, fez soar,
magestosa de tristeza, tristeza suavissima que dulcifica as lagrimas, a
musica do _Te-Deum laudamus_.
Na fronte de Alvaro eriçaram-se os cabellos: a felicidade
trasbordava-lhe do seio em lagrimas, corria-lhe o corpo o calefrio do
arrebatamento, esse phenomeno inexplicavel que tantas vezes abala as
organisações delicadas.